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Dívida externa, uma dor de cabeça para Cuba em tempos de pandemia

Katell ABIVEN
·3 minuto de leitura

Os credores da dívida externa cubana querem voltar à carga e negociar nos próximos meses com o governo da ilha, que está disposto a pagar, mas enfrenta uma situação complicada devido ao endurecimento do embargo norte-americano e à ausência de turistas por causa da pandemia.

Cuba tinha conseguido acertar em parte a moratória, mas as dificuldades que enfrenta hoje a levaram a deixar de pagar débitos aos países credores, agrupados no Clube de Paris, assim como a entidades privadas, que administram esses valores por meio do Clube de Londres. Ambos os grupos pretendem agora negociar com a ilha.

O Clube de Paris pretende propor entre maio e junho um novo calendário de pagamentos, disse uma fonte diplomática à AFP.

Entretanto, o fundo de investimento CRF I Ltda, que detém a maior parte (1,5 bilhão de dólares) da dívida em mãos privadas, acaba de fazer uma oferta ao presidente Miguel Díaz-Canel, que envolve uma reestruturação com retirada de 60%, segundo um documento ao qual a AFP obteve acesso.

- Situação "mais complicada" -

Porém, em Cuba "a situação é ainda mais complicada" do que em 2020, afirmou o economista Omar Everleny Pérez, do Centro Cristão de Reflexão e Diálogo.

"Aonde vamos pagar? É verdade que há disposição a pagar" por parte do governo, mas também "é verdade que as pessoas não têm comida", refletiu.

O PIB despencou 11% em 2020, sua pior queda em quase 30 anos. As importações, que cobrem 80% do consumo do país, são as menores desde 2009. A escassez piorou e as filas dos comércios estão mais longas.

"Não se pode pedir a um país que está sufocado com esta pandemia que faça um esforço adicional", declarou Pérez.

Durante a recente Cúpula Ibero-americana, Díaz-Canel defendeu "uma ordem econômica internacional justa".

"Os países em desenvolvimento carregam o peso insuportável de uma dívida externa, já quitada mil vezes, e alguns, além disso, sofrem o impacto de medidas coercitivas unilaterais", disse, referindo-se ao embargo dos Estados Unidos à ilha desde 1962.

Com a pandemia, a questão da dívida dos países pobres voltou à tona: o G20 concordou com uma moratória de um ano para 74 países, recentemente renovada por seis meses.

O Banco Mundial e o FMI têm linhas de crédito disponíveis, mas Cuba não faz parte dessas organizações e está sozinha perante seus credores.

Em 2015, o Clube de Paris perdoou 8,5 bilhões de dólares em dívidas de um total de US$ 11,1 bilhões que Cuba devia. O pagamento do passivo remanescente foi escalonado até 2033 e, em 2020, o grupo concedeu ao governo cubano uma moratória de um ano.

Anteriormente, Cuba recebeu isenções de 6 bilhões de dólares da China em 2011, US$ 487 milhões do México em 2013 e US$ 35 bilhões da Rússia em 2014.

O país está inadimplente com o Brasil desde 2018 e deve à Argentina US$ 2,7 bilhões de dólares por uma dívida contraída na década de 1970.

- "Retorno sem problemas" -

"Acredito que há, sim, vontade" de cumprir seus compromissos, avaliou Pavel Vidal, economista cubano da Universidade Javeriana de Cali, na Colômbia.

No entanto, "há outros fatores exógenos que atualmente influenciam a balança de pagamentos cubana", como a pandemia e as sanções norte-americanas.

Há meses o governo faz campanha nas redes sociais e com manifestações dentro e fora de Cuba para exigir o fim do embargo, reforçado durante o governo de Donald Trump.

"Se em mais de seis décadas essa política cruel provocou carências na família cubana, no último ano, em meio à pandemia, quase tentou nos asfixiar", tuitou Díaz-Canel.

Para John Kavulich, presidente do Conselho Econômico e Comercial Cuba-Estados Unidos, "será necessário outro reescalonamento (da dívida) e os países participantes (ndlr: credores) estão preparados" porque "têm pouca vantagem e Cuba sabe disso".

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