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Dívida corporativa da América Latina congela com lenta expansão

Ezra Fieser e Pablo Gonzalez

(Bloomberg) -- O desaquecimento dos mercados de dívida corporativa na América Latina deve continuar na entrada de 2020 diante da fragilidade da economia da região, o que esfria a demanda por títulos do Brasil ao México.

Crescimento lento, protestos por todas as partes e juros baixos continuarão a enfraquecer a demanda por dívida em moeda local. A menor demanda se destaca no maior mercado da região, o Brasil, onde as vendas congelaram no final de 2019 com a corrida dos investidores por ações em meio à queda dos rendimentos de títulos para mínimas históricas.

Para Felipe Wilberg, diretor global de mercado de capitais de dívida do Itaú Unibanco, maior subscritor de títulos do país, o mercado local de títulos pode levar dois ou três meses para se ajustar. Segundo ele, a queda dos juros provocou um congelamento repentino das emissões de títulos.

Empresas já estão desistindo de emitir títulos locais e miram o mercado externo com receio de que o ambiente doméstico não seja capaz de absorver ofertas acima de US$ 500 milhões. Três empresas brasileiras estão na fila para vender títulos nos mercados internacionais com ofertas em torno de US$ 2 bilhões em janeiro, enquanto outras duas estariam em negociações com bancos sobre as ofertas, segundo pessoas a par das emissões.

É improvável uma recuperação das emissões de dívida de empresas locais sem uma melhora do risco de crédito a médio prazo, uma perspectiva mais positiva para as moedas da região e uma maior liquidez, disse Alfredo Mordezki, gestor de renda fixa para a América Latina do Santander Asset Management, que administra cerca de US$ 920 milhões.

Mordezki explica que os diferenciais de crescimento não estão ajudando as moedas latino-americanas, tampouco as manchetes, dominadas por protestos, mesmo com os distúrbios perdendo força na maioria dos países.

Embora a economia do Brasil deva mostrar certa melhora em 2020, a América Latina como um todo ainda está abalada, afetada por “níveis abaixo do esperado de investimento”, de acordo com a S&P Global Ratings. A estimativa é de que os seis maiores países da região cresçam apenas 1,5%, em média, em 2020, o sétimo ano consecutivo de crescimento abaixo de 2%. “Na maioria dos casos, o investimento fraco é devido à dinâmica política incerta”, disse a S&P em sua perspectiva para 2020.

A incerteza econômica levou empresas a reduzirem o ritmo de emissões no México, o segundo maior mercado, disse Tania Abdul Massih, diretora de dívida corporativa da Casa de Bolsa Banorte. Em novembro de 2019, as emissões de títulos locais de longo prazo caíram 24% em relação ao ano anterior.

Enquanto isso, a agitação social nos países andinos apresenta riscos, especialmente no Chile, onde dois meses de tumultos e protestos paralisaram a economia. As empresas recorreram ao mercado local apenas algumas vezes desde que os protestos começaram em outubro, em comparação com mais de 100 emissões anteriores, segundo dados compilados pela Bloomberg.

--Com a colaboração de Maria Jose Campano.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Ezra Fieser Bogota, efieser@bloomberg.net;Pablo Gonzalez em São Paulo, pgonzalez49@bloomberg.net

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