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Déficit comercial dos EUA cai 4,3% em julho, acima das previsões

·2 minuto de leitura
(Arquivo) Vista do Capitólio, sede do Congresso americano, em Washingon (AFP/Alex Edelman)

O déficit comercial dos Estados Unidos diminuiu mais do que o esperado em julho, com uma queda nas importações que revela uma desaceleração na demanda interna ligada a temores da variante delta do coronavírus, informou o Departamento de Comércio nesta quinta-feira(2).

O déficit atingiu 70,1 bilhões de dólares, uma contração de 4,3% em relação a junho.

As importações caíram 0,2%, para US $ 282,9 bilhões, e as exportações, aumentaram 1,3%, para US $ 212,8 bilhões.

Os analistas previam um déficit de US $ 74 bilhões.

No acumulado dos sete primeiros meses do ano, o déficit de bens e serviços aumentou 37,1%, graças à reativação após a recessão histórica causada pela pandemia de covid-19 em 2020.

Somente em julho, as exportações dos EUA foram impulsionadas pela demanda por produtos básicos de consumo, bens de capital, carros, ônibus, caminhões e peças automotivas.

Por outro lado, as importações de bens de consumo, incluindo brinquedos, esportes e telefones celulares, caíram, assim como as de carros, motores e peças automotivas.

Por áreas geográficas, o déficit se reduziu em 7,4% com a China, 34% com o Canadá e 7,6% com a União Europeia. Por outro lado, cresceu 17% com o México.

Esses dados comerciais são um exemplo da desaceleração, pelo menos temporária, do consumo nos Estados Unidos.

Outros indicadores de julho já apontavam para essa tendência: as vendas no varejo caíram 1,1%, enquanto o crescimento geral dos gastos do consumidor desacelerou 0,3%, menos de um terço do ritmo de junho.

Economistas acreditam que muitos consumidores reduziram seus gastos com a disseminação da variante delta do coronavírus nos Estados Unidos, onde a campanha de vacinação desacelerou, gerando novas restrições como o uso de máscaras em ambientes fechados, mesmo para os vacinados.

- Redes de fornecimento -

Ao mesmo tempo, a indústria dos EUA está lutando para aumentar a produção em meio a gargalos logísticos causados pela falta de sincronia das redes de abastecimento globais, levando a bloqueios nos portos, escassez de uma variedade de materiais e aumento dos custos de exportação.

"Olhando para o futuro, esperamos que o déficit comercial diminua ainda mais à medida que o consumo externo se acelera e a demanda interna desacelera", disse Mahir Rasheed, economista da Oxford Economics.

"A pandemia continuará a representar um risco de queda para os fluxos comerciais, mas esperamos uma normalização gradual da dinâmica do comércio à medida que as vacinas aumentam e as interrupções no fornecimento diminuem gradualmente", acrescentou.

Rubeela Farooqi, economista-chefe da High Frequency Economics, também espera um reequilíbrio dos fluxos "quando as economias mundiais estiverem totalmente de volta ao normal", disse em nota.

Em agosto, a confiança do consumidor despencou, provavelmente afetando as importações.

Mas o aumento das exportações contribuirá para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no terceiro trimestre, cuja primeira estimativa será publicada no dia 28 de outubro.

Dt/llu/yow/jc

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