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Década perdida nas bolsas de emergentes pode ter chegado ao fim

·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- As expectativas de recuperação nos preços das commodities e no crescimento dos lucros corporativos embalam apostas de valorização das ações nos mercados emergentes. O movimento vem após mais de uma década de desempenho inferior, que deixou a categoria perto do menor nível em 20 anos na comparação com as bolsas dos países desenvolvidos.

Goldman Sachs Group, Bank of America e Lazard Asset Management esperam alta dos papéis dos mercados em desenvolvimento à medida que os investidores aproveitam para comprar ações baratas diante da aceleração da vacinação, que ajudará a economia global a se recuperar da pandemia. África do Sul, Rússia e Brasil devem se beneficiar, embora a repressão na esfera regulatória na China continue pesando sobre as bolsas asiáticas.

Na década seguinte à crise financeira global, o índice de ações de mercados emergentes da MSCI avançou apenas 8%, enquanto o índice de referência para nações desenvolvidas mais que dobrou. Isso se deve em parte à freada do crescimento econômico na China — de mais de 10% em 2010 para cerca de 6% no final da década —, que levou à queda dos preços das commodities e à fraca expansão dos lucros das empresas.

E então veio a pandemia. De modo geral, as bolsas se recuperaram com força das mínimas atingidas em março de 2020, mas as ações de mercados emergentes voltaram a ficar para trás. O índice de ações de mercados desenvolvidos da MSCI deu retorno de aproximadamente 15% desde o início de 2021, enquanto sua contraparte para mercados emergentes caiu mais de 4%.

Isso pode mudar nos próximos meses, à medida que a retomada da economia global ganha fôlego, a inflação aumenta e os preços das matérias-primas se recuperam do pior desempenho semanal desde junho, impulsionados por projetos de infraestrutura da China aos EUA.

Há sinais de que a virada já começou. Os fluxos de capital para ações do Leste Europeu, Oriente Médio e África se aceleraram desde março e tiveram a maior vantagem sobre os fundos de renda fixa desde 2014, acompanhando a migração na direção de ações de valor, de acordo com o BofA.

“Esperamos que essa tendência continue, considerando os fatores macroeconômicos e a avaliação das ações”, afirmou Jure Jeric, estrategista multimercados do BofA, em relatório. Até agora, o setor de energia foi o maior beneficiário, dando suporte às ações russas, mas há espaço para maiores ingressos em outros setores de valor, incluindo o financeiro e de matérias-primas, beneficiando a África do Sul, acrescentou.

Já o Goldman Sachs está “bastante otimista” em termos táticos quanto às ações dos países em desenvolvimento, disse Caesar Maasry, chefe da equipe de estratégia para mercados emergentes, que sinaliza preferência por ações e moedas do Brasil, México e Rússia. “A ‘volta à normalidade’ geralmente não está embutida nos preços de mercado”, avalia ele.

Na visão da Franklin Templeton Investments, o setor de tecnologia vai impulsionar as bolsas de mercados emergentes, beneficiando países como Coreia do Sul e Taiwan, onde os índices de referência caíram 3,5% e 3,8%, respectivamente, na semana passada. Esses dois países conseguiram administrar melhor a pandemia e a prevalência de empresas de tecnologia nessas bolsas atraiu investidores durante a crise, explicou Andrew Ness, gestor de carteiras da Franklin Templeton. A instituição continua cautelosa em relação às ações de mercados emergentes, mas se tornou mais otimista porque os papéis estão baratos, afirmou Gene Podkamine, chefe de pesquisa da Franklin Templeton Investment Solutions.

Embora o crescimento do PIB nos mercados emergentes tenha sido menor do que o apresentado pelas nações desenvolvidas em 2021, isso pode começar a mudar já no quarto trimestre devido à desaceleração da atividade nas economias desenvolvidas e à valorização das commodities, de acordo com a Lazard.

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©2021 Bloomberg L.P.

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