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Cuties | Netflix teria manipulado algoritmo para dissipar polêmica sobre filme

·4 min de leitura

Documentos e registros internos, vazados e publicados na imprensa internacional nesta semana, mostram como a Netflix teria manipulado seus algoritmos de busca e descoberta de conteúdo para dissipar a polêmica envolvendo o lançamento de Lindinhas (Mignonnes, no original em francês, e Cuties na versão americana). O longa chegou à plataforma em setembro de 2020 e, desde antes do lançamento, foi acusado de sexualização infantil, principalmente em uma peça publicitária liberada antes da estreia.

De acordo com o relatório, o filme vencedor do prêmio de Melhor Direção Dramática no Festival de Sundance de 2020 teve sua aparição suprimida em categorias de buscas populares e futuros lançamentos, sendo menos indicado, também, a assinantes que assistiram conteúdo considerado semelhante. Uma pesquisa pela palavra "cute" (fofo, em inglês) também deixou de exibir resultados relacionados ao filme, apesar da similaridade.

Da mesma forma, o serviço de streaming teria trabalhado para que uma busca direta pelo nome do longa não incluísse resultados relacionados a filmes com caráter sexual ou cenas "picantes" disponíveis na plataforma, bem como produções infantis.

A conclusão é de que houve um esforço para diminuir a presença de Cuties na plataforma após a polêmica surgida antes mesmo de seu lançamento, quando um dos pôsteres divulgados pela empresa mostrava o elenco infantil do filme em poses consideradas sugestivas. Na ocasião, a Netflix pediu desculpas pelo ocorrido e removeu a imagem, afirmando também que ela não representa o que o próprio filme deseja exibir aos espectadores.

Os documentos, publicados pelo The Verge, afirmma que a ideia das mudanças seria reduzir a impressão de que a empresa teria cancelado o lançamento ou tirado o filme do ar, algo que não aconteceu, ao mesmo tempo em que a cobertura jornalística sobre a polêmica seria reduzida. Além disso, a companhia também teria feito uma revisão de todo o seu conteúdo, em busca de outros materiais que poderiam ser considerados inadequados, para que recebessem tratamento semelhante.

Problema previsto

A problemática relacionada a Lindinhas teria começado antes mesmo do lançamento. Tradutores internacionais teriam encontrado dificuldades para traduzir a palavra twerking, usada na sinopse original, com a versão em língua espanhola usando o termo “dança sensual”. Colaboradores envolvidos também teriam ficado desconfortáveis com o uso do pôster que gerou a polêmica, depois que a imagem original foi considerada pouco atrativa pela plataforma.

Grupos internos relacionados a temas sensíveis, principalmente em relação às diferentes culturas regionais, não tinham uma política relacionada à exibição de menores de idade na época do lançamento. A própria diretora, Maïmouna Doucouré (Mamans), nem mesmo teria sido consultada sobre o pôster que gerou a reação, tendo visto ele junto com a imprensa e os próprios assinantes, por meio da internet.

Durante a polêmica, os serviços de atendimento ao consumidor da Netflix teriam recebido mais de 16 mil mensagens de assinantes ou usuários, uma das maiores recepções negativas a um conteúdo ou informação na história da empresa. Eventualmente, porém, a discussão esfriou — ainda que o caso tenha sido encarado de maneira séria pelo serviço, ele não teria resultado em uma queda significativa nos números da companhia.

<em>Pedido de desculpas da Netflix, no Twitter, publicado depois da polêmica envolvendo um pôster de Lindinhas, considerado inapropriado por promover sexualização infantil (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)</em>
Pedido de desculpas da Netflix, no Twitter, publicado depois da polêmica envolvendo um pôster de Lindinhas, considerado inapropriado por promover sexualização infantil (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

Escrito e dirigido por Maïmouna Doucouré (Mamans), Lindinhas conta a história de uma menina de família muçulmana em conflito entre sua criação tradicional, a cultura da internet e a sexualização de pré-adolescentes. Apesar de este ser, justamente, um dos temas do filme, em sua distribuição pela Netflix, a produção acabou sendo acusada de usar justamente aquilo que o roteiro deseja expor e criticar como uma forma de chamar a atenção dos espectadores, de maneira considerada inapropriada.

Internamente, o caso teria sido comparado ao escândalo da Cambridge Analytica, que atingiu o Facebook e expôs a forma como a rede social direcionava opiniões e discursos. No caso do serviço de streaming, conversas indicavam como a empresa deveria se entender como um conduíte para o conteúdo, tendo de compartilhar a responsabilidade pelos conteúdos disponíveis na plataforma, uma vez que os usuários a utilizam como vetor de acesso.

Em resposta, a Netflix afirmou que o algoritmo de recomendação ajuda os assinantes a encontrar títulos interessantes para assistir, mas que nem todas as produções recebem o mesmo nível de divulgação. A empresa, porém, não falou diretamente sobre as informações do relatório.

Fonte: Canaltech

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