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Custos de energia aumentam dor de cabeça de bancos centrais emergentes com inflação

·2 minuto de leitura
Clientes fazem fila na reabertura de loja em Praga, República Tcheca

Por Tom Arnold

LONDRES (Reuters) - Os preços mais altos de energia estão alimentando a inflação em vários mercados emergentes, testando a determinação de seus bancos centrais e colocando em risco o crescimento na Hungria, Polônia e República Tcheca e sinalizando mais fraqueza na moeda da Turquia, dizem analistas.

Em uma resposta ousada às pressões sobre os preços, o banco central tcheco elevou na quinta-feira sua taxa básica de juros em 75 pontos-base, maior alta desde 1997. A autoridade monetária citou o aumento nos preços de energia, bem como interrupções na cadeia de abastecimento e fatores domésticos como os custos mais elevados de habitação e serviços.

O primeiro-ministro do país disse que o aumento prejudicaria a economia, ilustrando o dilema que os bancos centrais emergentes enfrentam ao tentar conter a inflação, que já está acima da meta, enquanto sustentam frágeis recuperações econômicas diante da pandemia de Covid-19.

Os preços de referência europeus do gás aumentaram mais de 300% este ano, devido a fatores que incluem baixos níveis de armazenamento, escassez e alta demanda à medida que as economias se recuperam, puxando para cima os custos de eletricidade no atacado.

A República Tcheca, a Polônia, a Hungria e a Romênia foram mais expostas ao aumento do que o resto da União Europeia porque a energia e os serviços públicos são responsáveis por uma parcela relativamente grande de suas cestas de índices de preços ao consumidor, enquanto seus suprimentos de eletricidade estão mais expostos a fontes intensivas em carbono, disseram analistas do Goldman Sachs.

Os preços ao consumidor, no geral, cresceram mais em países onde a recuperação econômica foi mais rápida entre o terceiro trimestre de 2020 e o segundo trimestre de 2021, disse a economista-chefe da S&P Global Ratings, Tatiana Lysenko, destacando Polônia, Hungria, Rússia e Brasil.

"Os bancos centrais de Europa, Oriente Médio e África continuarão a navegar em um cenário complicado, buscando um equilíbrio entre apoiar a recuperação e ancorar as expectativas de inflação em um ambiente onde as pressões do lado da oferta podem durar mais do que o previsto anteriormente."

Enquanto isso, na Turquia, o desejo do presidente Tayyip Erdogan por estímulo muitas vezes tem superado abordagens mais ortodoxas de política monetária.

Apesar de a inflação estar acima da meta, em 19,25%, o banco central turco cortou no mês passado sua taxa básica de juros em 100 pontos base, para 18%.

A lira caiu para mínimas recordes recentemente, reavivando memórias de uma crise cambial de 2018 e corroendo a renda dos turcos.

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