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Custo do empréstimo pode ficar mais caro para os clientes do Itaú

ISABELA BOLZANI
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL 31.07.2018 Fachada da agência do banco Itau na Avenida Paulista (Foto: Kevin David/A7 Press/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O maior apetite a risco por parte do Itaú pode refletir em spreads [diferença entre o custo de captação de recursos para o banco e a taxa de juros de empréstimos] mais altos até 2021, ano em que a taxa básica de juros deve voltar a crescer.

Apesar de isso não necessariamente significar que os juros na ponta consumidora fiquem mais caros, o custo dos recursos tomados no Itaú deve ficar mais caro do que o observado nos outros grandes bancos.

De acordo com o presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, o aumento de 37,8% no custo de crédito para o banco no terceiro trimestre deste ano contra igual período de 2018, já reflete um avanço maior do que o esperado nas concessões para pessoas físicas e micro, pequenas e médias empresas e um volume consequentemente maior nas provisões.

"A ideia é que continuemos a crescer nessas linhas mais arriscadas [como cartão de crédito e crédito pessoal], mas podemos esperar um avanço um pouco mais equilibrado com as modalidades de consignado e imobiliário", afirma Bracher.

"Continuaremos a observar esse movimento no próximo trimestre. Mas boa parte disso é ditado pelo mercado e cada uma dessas linhas têm seu nível de inadimplência característico. Se o risco crescer, certamente terá um impacto no nível de inadimplência e nas provisões", acrescenta.

Assim, ainda que a inadimplência do banco ainda não reflita essa postura mais arrojada, sua tendência de alta já sinaliza os impactos de um crédito mais caro ao cliente do maior banco do país. Os níveis de calote do Itaú ficaram em 2,9%, patamar estável tanto em relação ao trimestre anterior quanto a iguais três meses de 2018.

Segundo o relatório Focus do Banco Central divulgado nesta segunda-feira (4), as expectativas de mercado para a Selic é de que encerre este e o próximo ano em 4,5%, mas volte ao patamar de 6% em 2021.

"A manutenção da inadimplência pode até ser mais fácil com a recuperação econômica que começa a vir, mas ainda é muito difícil ante uma carteira de crédito mais agressiva e posta em linhas de pouca ou nenhuma garantia. É um posicionamento de aumentar spread no curto e médio prazo para rentabilizar suas operações até que a Selic volte a subir e o spread se comprima de novo, não pelos juros dos empréstimos, mas pelo custo de captação para o banco", explica Mauricio Godoi, professor da Saint Paul Escola de Negócios e especialista em crédito.

Nessa linha, o presidente do Itaú reforça a expectativa de que o banco encerre este ano com um nível de custo de crédito próximo ao teto do intervalo de projeções (o chamado guidance) para 2019. "É correto imaginar que este ano ficará dentro do previsto, mas ainda mais perto da projeção mais alta", disse. O guidance do banco para o custo de crédito em 2019 é que fique entre R$ 12,5 bilhões e R$ 15,5 bilhões.