Mercado fechado

Dólar tem alta com receio sobre segunda onda da covid-19 no radar

Marcelo Osakabe
·2 minuto de leitura

Mercado digere tom mais ameno do que o esperado no comunicado do comitê A forte aversão ao risco dos mercados globais registrada na sessão da véspera deu lugar a uma sessão mais calma nesta quinta-feira, mas ainda permeada pelo temor de que a recuperação global possa desandar em caso de recrudescimento da pandemia da Covid-19 no Hemisfério Norte. Dessa forma, o dólar opera novamente em alta contra a maior parte das divisas, emergentes ou desenvolvidas, enquanto investidores digerem, na cena local, a decisão de juros do Copom. Por volta das 13h45, a moeda americana subia 0,19% no Brasil, a R$ 5,7715, após bater R$ 5,7910. No mesmo horário, o dólar avançava 0,47% frente ao peso mexicano, 0,25% ante o rand sul-africano, mas caía 0,30% na comparação com o peso chileno. Após o ‘banho de sangue’ de ontem, os mercados acionários ensaiam virar a chave nesta sessão, mas com pouca convicção. Nem mesmo o PIB melhor que o esperado dos Estados Unidos no terceiro trimestre ofuscou a preocupação com os danos econômicos de uma recuperação em ‘W’. “A segunda onda da covid-19 na Europa está trazendo lockdowns mais severos que o esperado. Os números nos Estados Unidos também estão piorando. Isto abateu o otimismo sobre uma vacina, dado que ela não chegaria a tempo do inverno no Hemisfério Norte. Esperamos que a retração dos investidores em relação a ativos emergentes continue”, dizem estrategistas do Citi. Para o Commerzbank, as medidas restritivas adotadas na zona do euro “não ocorrerão sem consequências econômicas para os países”. No caso da Alemanha, o banco ressalta que, se as medidas forem implementadas propostas em sua totalidade, o quarto trimestre deixará de ver um crescimento de 1% como previsto e passaria a ter, no melhor dos casos, uma estagnação. Por outro lado, a instituição acredita que uma recessão profunda é pouco provável, uma vez que as pessoas e empresas já se adaptaram ao novo regime de trabalho e parceiros comerciais importantes, como a China continuam crescendo bem. Internamente, participantes de mercado também digerem a ata mais ‘dove’ (inclinada a estímulos) que o esperado do Copom. Para o BNP Paribas, o comunicado não dá suporte à moeda brasileira. “No entanto, o real já está barato demais e ficou defasado em relação aos termos de troca do Brasil, que têm sido consistentemente positivo, o que deixa pouco espaço para performance abaixo da média”, acrescentam. Pixabay