Curiosidade dos jovens abre espaço para bebidas latino-americanas na China

José Álvarez Díaz.

Xangai (China), 17 nov (EFE).- A China está cada vez mais receptiva a novos produtos estrangeiros, até agora desconhecidos no país, e parece ter chegado o momento para que bebidas latino-americanas como tequila, licor e cachaça entrem nesse promissor mercado graças à curiosidade dos jovens.

Foi o que garantiram à Agência Efe diferentes produtores e organizadores oficiais dos pavilhões de vários países latino-americanos que participaram nesta semana da feira FHC 2012 de Xangai, uma das feiras anuais de alimentação e bebidas mais importantes do continente asiático.

Não só os licores se somam a esta tendência, mas outros produtos como os vinhos, os molhos típicos mexicanos e o café de alta qualidade também seguem a mesma estratégia.

"Os jovens chineses das grandes cidades estão buscando coisas novas e estão abertos a novos sabores e a novos coquetéis, e para um jovem chinês de alto poder aquisitivo, o rum, o conhaque e o uísque estão na mesma linha", afirmou o chileno Daniel Damke Chiang, presidente da firma Dingjian, importadora de licores.

Estes jovens "ainda não conhecem a ordem (por fração de mercado de cada produto e marca) do Ocidente, e aí vemos uma clara oportunidade para poder posicionar o licor", acrescentou.

Suas garrafas em forma de moai da Ilha de Páscoa fizeram sucesso na Expo de Xangai 2010, quando o pavilhão chileno vendeu mais de 70 mil unidades entre seus visitantes, e agora em Xangai, Pequim e Cantão começam a utilizar licor para novos coquetéis, como a caipirinha, com cachaça brasileira, ou a marguerita, com tequila mexicana.

"A China importa cerca de US$700 milhões de álcool por ano, com um crescimento muito grande, e estamos tentando abranger um pouco mais do que temos, embora ainda seja pouco", destacou Rodrigo Contreras, comissário comercial da ProMéxico em Xangai.

"O jovem de Xangai, por exemplo, gasta mais de 25% de seu salário em entretenimento, restaurantes e bares. Portanto, é preciso estar atento a este mercado", disse Contreras, já que está surgindo uma "necessidade de novos produtos e estamos tendo ótima aceitação".

A China ocupa o 20º lugar como importador mundial de tequila mexicana, mas só entre 1º de janeiro e 10 de novembro de 2012 o país comprou mais de 386 mil litros da bebida, 80% mais que a média anual, contou Milton Alatorre, representante para a Ásia do Conselho Regulador de Tequila, com sede em Xangai.

Em 2011, foram 206 mil litros; em 2010, 135 mil litros. As vendas dispararam rapidamente graças à curiosidade dos jovens, que fez com que os próprios distribuidores chineses começassem a perceber que a tequila poderia se transformar em uma nova "bebida de moda" no país, comentou Alatorre.

"Além disso, a tequila se parece com o "baijiu" (um "licor branco" tradicional na China que é feito de arroz). É uma bebida forte, cuja ingestão está relacionada com a virilidade, assim como no México", o que pode ajudar a aumentar seu consumo entre os homens, embora concorra diretamente com o próprio destilado nacional.

A cachaça brasileira também está se tornando conhecida no país. "A tequila começou antes na China", em 2005, e o escritório de Alatorre foi aberto em 2009, "mas são bebidas muito apreciadas e acho que há espaço para que cresçam todas", opinou Marcelo Junqueira, diretor de Promoção Internacional do Agronegócio do Ministério da Agricultura do Brasil.

"O consumidor que bebe destilado aprecia tanto o uísque como a cachaça ou a tequila, e acho que vamos seguir o mesmo caminho que a tequila" na China, onde, de repente a bebida começou a se expandir pelo mercado rumo ao interior do país.

Tal como ocorre com o café da Colômbia, México e Brasil, e "embora os velhos (chineses) não o bebam, os jovens têm muita curiosidade para consumi-lo e estão começando a adquirir o hábito", ressaltou Junqueira, prevendo que as vendas de café vão crescer muito na China nos próximos anos. EFE

Carregando...