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Coronavírus: Médicos usam redes sociais para responderem dúvidas da população

Médicos usam redes sociais para informarem população sobre covid-19 (Foto: Reprodução/Instagram@priizabel/@rdaurea)

Diante da crise do coronavírus, hospitais e centros de atendimento, sejam privados ou públicos, estão trabalhando à mil por hora. Isso sem contar os desafios que envolvem uma epidemia de escala global, que tem mudado completamente a rotina de pessoas do mundo inteiro. 

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Priscila Fonseca, médica pediatra que agora também atende em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) em São Bernardo, explica que a maior dificuldade é a falta de equipamentos de proteção individual adequadas (as chamadas EPIs). Para quem trabalha com tanta proximidade da doença, a falta desse equipamento deixa tanto os médicos quanto os demais pacientes vulneráveis à infecção. 

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Rodrigo D'Áurea, médico da família e comunidade, explica um outro ponto: a dificuldade em se manter atualizado. Para ele, a prática médica nesses casos não para no atendimento aos pacientes, mas também depende de uma atualização constante sobre as novas diretrizes e descobertas a respeito do vírus. 

"É uma epidemia de um vírus novo, os dados vão mudando o tempo todo e isso tem um impacto no raciocínio clínico, não é protocolo que você tem que ficar alinhando. Precisa entender o que está acontecendo de diferente, e isso consome muito. A cada dois, três dias, sai um protocolo super detalhado de 20, 30 páginas sobre o que fazer, com mudanças importantes, porém sutis. Tem que ler tudo de novo e isso é muito cansativo", explica. 

Priscila têm atuado como auxiliar para casos suspeitos de codiv-19 na UBS enquanto mantém os plantões de pediatria no pronto-socorro. Por conta da especialização, a médica ainda lida com uma rotina de trabalho mais branda, já que a infecção em crianças é menor. Já as UTIs e a enfermaria desse mesmo hospital, segundo ela, seguem cheias por conta da epidemia. 

Na UBS, ela explica que a primeira semana de atendimentos foi mais caótica por conta da distribuição de atestados exigidos por conta do período de quarentena. Com as consultas eletivas canceladas, e passado esse primeiro momento, a rotina por lá segue menos agitada, porém o fluxo de atendimentos e acolhimento é constante. 

"Tenho feito algumas reuniões com pessoas de diversas áreas para refletirmos sobre o cenário atual, visando a elaboração de projetos alternativos para auxiliar as populações com situação social abaixo do nível da pobreza, além de auxiliar as pessoas que me procuram por telefone e redes sociais e buscando atualizações constantes sobre a pandemia e seu caráter aqui no Brasil, tentando entender a forma mais objetiva e eficaz de intervir e exercer meu papel como médica", explica ela.

Priscila e Rodrigo fazem parte de um grupo de médicos que usaram as próprias redes sociais para se disponibilizarem a responder dúvidas sobre o novo coronavírus. Para ela, esse movimento tem sido essencial, principalmente, para tirar das pessoas o medo da doença e de todas as mudanças que ela tem gerado. 

"Isso é um negócio que eu sempre fiz, não de maneira tão explícita, mas é bem comum as pessoas tirarem dúvidas. Eu faço questão de responder porque cada intervenção médica que você consegue evitar, você evita também as suas decorrências", diz o médico. "A pessoa pode passar por investigações necessárias, buscas de serviços de saúde desnecessárias e se expor a doenças. Se você conseguir evitar que a pessoa vá ao sistema de saúde, você pode evitar que ela fique doente". 

Para Priscila, o movimento tem também um passo além: "Me dispor a tirar duvidas por telefone, redes sociais e outros meios, além de garantir que uma informação correta chegue a essas pessoas, posso mostrar que elas não estão sozinhas, deixando-as mais seguras", diz.

Cuidado médico para os médicos

O cuidado com a infecção não é necessário só para a população civil, digamos assim. Os próprios médicos também precisam equilibrar a profissão com os cuidados básicos para evitar a infecção e, dessa forma, se indisponibilizarem para cumprir suas funções em um momento tão crítico. 

Priscila explica que além de buscar todos os equipamentos de proteção individual que tem disponíveis - mesmo com a falta de capotes, máscaras adequadas e óculos -, tem seguido os procedimentos de higienização recomendados tanto no trabalho quanto em casa.

"Tenho tentado ficar em paz e manter a calma, me atualizando com informações de fontes confiáveis e atuais", explica. "Tenho cuidado do meu corpo com a prática de exercícios físicos e cuidando da minha alimentação. E, principalmente, tenho feito o que posso e sei para cuidar e acalmar quem passa por mim. Dessa forma me sinto verdadeiramente útil, cuidando assim, de mim também."

Rodrigo, claro, também tem seguido os protocolos de cuidado e higienização, mas foi um pouco além para evitar o desgaste emocional e psicológico. "Acho que a maior intervenção que eu fiz em mim mesmo ultimamente foi parar de abrir grupos. Eu não abro grupos de WhatsApp, só o que as pessoas me mandam individualmente, porque vem muita informação, muita bobagem, muita coisa que não se aplica à minha prática, e isso é ansiogênico. Prefiro esperar chegar em mim e a partir daí, agir. Isso me deixa bem mais tranquilo".