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Cuba: Família diz que adolescente foi condenada a 8 meses de prisão após protestos

·3 minuto de leitura
Gabriela Zequeira
Gabriela Zequeira tem 17 anos, estuda contabilidade e foi presa no dia 11 de julho em Havana.

Uma adolescente de 17 anos foi condenada a oito meses de prisão em um dos julgamentos sumários que ocorreram na ilha após protestos recentes contra o governo, segundo relatos de sua mãe e de um centro de apoio legal.

Segundo os relatos, Gabriela Zequeira recebeu a sentença de prisão na quinta-feira (22) depois de ser julgada por cerca de seis horas por "desordem pública" junto a outros 11 réus, disse sua mãe Yoanis Hernández, que testemunhou o julgamento.

Ela acrescentou que não sabe para onde sua filha foi transferida após o julgamento, que em sua opinião foi realizado sem apresentar provas de que Zequeira tenha participado das manifestações de 11 de julho, as maiores em Cuba em várias décadas.

"Quando o julgamento acabou, eles me deixaram vê-la por três minutos. A única coisa que pude fazer foi abraçá-la e beijá-la, mais nada", disse Hernández à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

"Ela me disse: 'Mamãe, fique firme, nada vai acontecer comigo, mas eu vou recorrer'. Ela sabe que não fez nada", continuou ela.

O Cubalex, grupo independente de advogados cubanos que acompanha as prisões e julgamentos sumários na ilha pelos protestos, confirmou que Zequeira foi condenada por um tribunal.

A BBC não conseguiu informações sobre o caso com o governo cubano até a publicação desta reportagem.

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, negou nesta quinta-feira que haja menores presos ou desaparecidos no país, e assegurou que "todas as garantias jurídicas cubanas" serão cumpridas para os que permanecem detidos.

"Estou acabada"

A recente onda de prisões e julgamentos sumários em Cuba foi criticada por diferentes governos e organizações internacionais.

O Observatório Cubano de Direitos Humanos informou na sexta-feira (23) que documentou a prisão ou o desaparecimento de pelo menos 757 pessoas em decorrência dos protestos, 13 delas menores.

Patrulha policial em Havana
Autoridades cubanas negam que haja desaparecidos após os protestos

Hernández afirmou que sua filha, estudante de contabilidade, foi presa em San Miguel del Padrón, em Havana, quando ia ao cabeleireiro, viu uma manifestação à distância e decidiu retornar, segundo o depoimento da menor em seu próprio julgamento.

Ela especificou que Zequeira foi presa por "vespas negras", como são conhecidos em Cuba os integrantes da Brigada Nacional Especial do governo cubano, que nesta semana foi sancionada pelos Estados Unidos por "reprimir" manifestantes.

"Um segurou o braço dela, o outro pelo pescoço, eles a puxaram pelos cabelos e a colocaram dentro do caminhão", disse Hernández.Ela acrescentou que desde então não pôde ver ou falar com sua filha até o julgamento de quinta-feira, sobre o qual só foi informado na noite de terça-feira.

A mãe também disse que em poucas horas conseguiu um advogado para a filha, mas que alguns dos réus que foram julgados junto com Zequeira no Juizado de Diez de Octubre não tinham representantes legais.

Homem protesta na Plaza de la Constitución em Habana, Cuba.
Os protestos em massa parecem ter se acalmado em Cuba, mas agora muitas famílias vivem com a incerteza sobre as prisões de pessoas durante as mobilizações.

Hernández lembrou que, além da filha, outra adolescente de 17 anos foi julgada e condenada a um ano de prisão "por registrar" os protestos.

A Unicef, contatada dias atrás pela BBC News Mundo sobre as prisões de menores durante os protestos em Cuba, indicou que é "difícil quantificar o número exato de crianças detidas".

"A legislação penal cubana estabelece que somente os maiores de 16 anos são imputáveis ​​e reconhece um tratamento diferenciado a autores de atos criminosos entre 18 e 20 anos", disse o comunicado.

Hernández exigiu que sua filha fosse libertada porque "uma tremenda injustiça foi cometida" contra ela.

"Estou arrasada, um pedaço de mim foi tirado de mim", disse ela. "Eu não durmo, não como, pensando nela: o que ela está fazendo? O que eles estão fazendo com ela?".

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