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Cuba atrasa pagamento de US$ 17,3 milhões em parcelas ao BNDES

Porto de Mariel, em Cuba, teve revitalização concluída em 2014 (AP Photo/Desmond Boylan)

As obras do Porto de Mariel, em Cuba, financiadas de forma subsidiada pelo governo brasileiro, ainda não foram pagas pelos cubanos. O país atrasa, desde julho passado, o pagamento em parcelas ao BNDES de US$17,3 milhões (cerca de R$72,6 milhões). As reformas foram conduzidas pela empreiteira Odebrecht e o porto foi inaugurado em 2014. A história foi revelada pela revista Veja.

As relações entre os dois países permitiram que o Brasil financiasse, desde 1998, US$880 milhões (R$ 3,7 bilhões) em exportações. A dívida total dos cubanos já soma US$597 milhões (R$2,5 bilhões) e foi negociada por meio de parcelas. O BNDES alega, no entanto, que não houve tratativa que determinasse o parcelamento, mas tem acatado a decisão. Apesar do atraso, Havana ainda não foi considerada inadimplente; o banco estatal deve acrescentar juros ao total da dívida e aos pagamentos mensais.

De acordo com o banco, o país já atrasou em outras ocasiões nos 20 anos de financiamentos. Por isso, optaram por não acionar, ainda, o Fundo de Garantia à Exportação (FGE), que concede garantias contra riscos comerciais.

Dos U$ 880 milhões devidos, o BNDES já recebeu cerca de US$ 490 milhões (R$ 2,06 bilhões).

O financiamento da revitalização do Porto de Mariel, localizado a 40 quilômetros da capital Havana, foi alvo de polêmica durante os anos de governo do PT (2003-2016). O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva permitiu o financiamento das exportações de máquinas, equipamentos e insumos para as obras, de modo que a estatal não financiasse diretamente o país. Foram destinados R$ 2,23 bilhões para o projeto.