CSN prevê manter margem no 4º tri, sinaliza redução de investimentos para 2023

Unidade da CSN em Volta Redonda (RJ)

SÃO PAULO (Reuters) -A CSN espera manter a margem de lucro no quarto trimestre sobre os três meses anteriores apoiada em reduções de custo como preços de matérias-primas, e sinalizou redução de investimento para 2023, diante de incertezas no mercado.

"Esperamos manter margens (no quarto trimestre) por meio de redução de custos...o mercado de placas está com bastante oportunidade", disse o diretor comercial da CSN, Luis Fernando Martinez.

Ele se referiu a oportunidades de aquisição de placas de aço semiacabadas para laminação. O chamado custo de placa, que foi de 4.200 reais por tonelada no terceiro trimestre, "deve cair para 3.600 a 3.700 reais" no quarto, afirmou o executivo.

O diretor financeiro da CSN, Marcelo Cunha Ribeiro, afirmou que o custo de produção da companhia em setembro foi 8% menor do que a média do trimestre passado "o que dá uma direção clara para o quarto trimestre".

O comentário de Ribeiro foi similar ao de executivos da Usiminas, que mencionou na sexta-feira passada tendência de redução dos custos no final deste ano.

INVESTIMENTO

A CSN reduziu a previsão de investimento para este ano de 4 para 3 bilhões de reais e Ribeiro afirmou que um orçamento para o próximo ano será divulgado no início de dezembro, durante evento da empresa com investidores.

Mas o executivo disse que a expectativa é a CSN reservar para o próximo ano o mesmo montante do aplicado neste ano, diante de um "esforço de priorização" de projetos da empresa para "preservar caixa neste momento de incertezas".

Neste sentido, ele afirmou que projetos de produtividade em siderurgia e mineração terão um horizonte "mais elástico" de execução. Simultaneamente, os planos da empresa para expansão de produção de aços longos nos EUA passa por revisão de cronograma.

"Gostamos muito desse projeto, houve avanço das análises, mas o momento certo depende do contexto que estaremos vivendo", disse Martinez.

ALAVANCAGEM

A meta da CSN de ter 15 bilhões de reais em caixa para financiar suas operações e eventuais oportunidades de crescimento via aquisições segue mantida, bem como a de ter alavancagem de até 1 vez dívida líquida sobre Ebitda ajustado.

A empresa encerrou setembro com alavancagem de 1,69 vez, acima da relação de 1,31 vez de junho e de 0,89 vez em março diante da queda de 40% no Ebitda. No trimestre, a CSN concluiu a aquisição bilionária dos ativos da fabricante de cimento Lafarge Holcim e saiu vencedora em leilão da companhia elétrica CEEE.

Questionado sobre o aumento da alavancagem acima da meta, o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, disse que "eventualmente podemos dar uma escorregada pontual na alavancagem". Ele mencionou que os negócios acertados foram oportunidades que não podiam ser perdidas e que as sinergias a serem geradas pelos ativos da cimenteira "são muito maiores do que imaginávamos".

Steinbruch afirmou ainda que a CSN está "preparada para aproveitar uma janela de oportunidade" para fazer "eventuais movimentos estruturados financeiros" nas áreas de cimento, energia e siderurgia.

O executivo também não deu detalhes, mas há anos a companhia planeja IPOs de diferentes áreas de seus negócios. No ano passado, conseguiu o listar ações da mineração.

(Por Alberto Alerigi Jr.; edição Aluísio Alves)