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Crivella é proibido de distribuir panfletos com falsas acusações contra Paes; material será apreendido

João Paulo Saconi
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Foto: Foto: Editoria de Arte

A 4ª Zona Eleitoral do Rio de Janeiro determinou na tarde desta quarta-feira que a campanha do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) seja impedida de distribuir na cidade um panfleto com falsas acusações contra Eduardo Paes (DEM), também candidato no segundo turno da eleição municipal. A decisão prevê ainda que o material de campanha seja apreendido pela equipe de fiscalização da Justiça Eleitoral, esteja ele em distribuição nas ruas ou em produção pela gráfica responsável. O descumprimento pode acarretar multa de R$ 50 mil a Crivella, que tenta se reeleger na disputa com o sucessor.

A propaganda em questão estava sendo entregue aos cariocas desde o último fim de semana e utillizava o apoio que Paes recebeu de membros do PSOL para afirmar que ele seria defensor da legalização do aborto, da liberação das drogas e da distribuição de um suposto "kit gay" nas escolas municipais. O ex-prefeito não atua politicamente a favor de nenhuma dessas pautas. A peça inclui também a imagem do deputado federal Marcelo Freixo (PSOL), que anunciou voto crítico em Paes no segundo turno. Antes da menção ao aborto, às drogas e ao "kit gay", o material sugere: "Eduardo Paes e seus amigos defendem".

Atendendo a um pedido da defesa de Paes, a juiza Luciana Mocco Moreira Lima afirmou que o apoio crítico anunciado por Freixo ao ex-prefeito "não possui o condão de transferir para esse candidato a adesão das pautas e ideologias defendidas por ele". A magistrada destaca ainda que o panfleto se torna inverídico ao afirmar que Paes também é favorável às pautas listadas. Luciana observou que não há sequer "notícia de aliança formal" entre Paes, Freixo e o PSOL. Na visão dela, o panfleto, assim como a defesa de Crivella, não demonstra que o adversário está vinculado às questões envolvidas na propaganda.

Distribuição em igrejas

A distribuição dos panfletos com acusações contra Paes levou o clima de agressividade da campanha, cujo tom aumentou no segundo turno, para as portas das igrejas. O material foi distribuído nas imediações de templos como a Igreja Universal da Rua Cambaúba, na Ilha do Governador, e a Assembleia de Deus de Madureira, ambas na Zona Norte. No segundo caso, o líder do local, o bispo Abner Ferreira, afirmou diante de fiéis que o movimento é criminoso:

— Quem faz isso está cometendo um crime. Quem está fazendo isso prejudica o próprio candidato. Se tiver alguém fazendo isso na porta dessa igreja, não pegue o panfleto. Essas pessoas, além de tudo, estão emporcalhando as portas das nossas igrejas. Isso é desrespeito — afirmou Ferreira, no último fim de semana, sem mencionar diretamente um dos candidatos.

A distribuição dos panfletos também resultou em agressão física. Na Assembleia de Deus Vitória em Cristo da Penha, também na Zona Norte, uma mulher segurava uma pilha de panfletos quando foi surpreendida por um homem, que retirou a propaganda eleitoral à força de suas mãos. O vídeo da ação, que circula nas redes sociais, foi filmado de dentro do carro de onde o homem desembarcou, e termina com um aviso à pessoa que distribuía os panfletos: “Mete o pé”. Um dos ocupantes do carro afirma na gravação que conseguiu “recuperar” os panfletos. As imagens não esclarecem se os envolvidos na ação apoiam a candidatura de Paes. Na segunda-feira, a campanha afirmou que desconhece as pessoas envolvidas na cena.