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Cristofobia? Dados do ministério de Damares contrariam discurso de Bolsonaro na ONU

João Conrado Kneipp
·4 minutos de leitura
SAO PAULO, BRAZIL - JUNE 20: Brazil's President Jair Messias Bolsonaro looks up while he participates of  March for Jesus on June 20, 2019 in Sao Paulo, Brazil. (Photo by Rebeca Figueiredo Amorim/Getty Images)
O presidente Jair Bolsonaro agradece enquanto participa da Marcha para Jesus em 20 de junho de 2019 em São Paulo, Brasil. (Foto Rebeca Figueiredo Amorim / Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez um apelo à “liberdade religiosa” e pediu combate à “cristofobia”, durante seu discurso de abertura na 75ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), na manhã desta terça-feira (22).

“A liberdade é o bem maior da humanidade. Faço um apelo a toda a comunidade internacional pela liberdade religiosa e pelo combate à cristofobia”, discursou o chefe do Estado brasileiro. Após a fala do presidente, o termo “cristofobia” figurou entre os assuntos mais comentados no Twitter.

A mensagem à comunidade internacional caracterizando o Brasil como um país que persegue os cristãos, no entanto, ignora dados apresentados pelo ministério comandado pela pastora evangélica Damares Alves.

Os dois últimos relatórios de Discriminação Religiosa produzidos pelo MMFDH (Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) mostram que os adeptos das religiões de matrizes africanas são as maiores vítimas da intolerância religiosa no Brasil.

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O Disque 100 (Disque Direitos Humanos) atendeu a 860 denúncias de discriminação religiosa, segundo dados consolidados do ano de 2018 e do 1º semestre de 2019. Em 2018, foram 506 denúncias, enquanto nos seis meses iniciais de 2019 ocorreram 354.

Destas denúncias, 213 casos eram referentes às religiões com matrizes africanas, representando cerca de 24,7%, divididos entre os segmentos da Umbanda; Quimbanda; Candomblé e Matrizes Africanas.

O último Censo, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2010, apontou que 0,3% da população brasileira era adepta das religiões de matrizes africanas. Dos 190.755.799 entrevistados no recenseamento daquele ano, apenas 588.797 se identificaram como sendo das religiões da Umbanda e Candomblé.

Ou seja, 0,5% da população do país são vítimas de 24,7% das perseguições religiosas de janeiro de 2018 a junho de 2019.

ATAQUES À CRISTÃOS REPRESENTAM 12,7%

Já os ataques às religiões cristãs - que têm sua origem na história de Jesus Cristo - e seus praticantes representam quase metade dos casos de intolerância às práticas de matrizes africanas. Das 860 denúncias recebidas em 1 ano e 6 meses pelo Disque 100 do ministério de Damares, 110 casos envolviam segmentos cristãos, o equivalente a 12,7% das denúncias atendidas.

Foram contabilizadas ocorrências envolvendo os segmentos Adventista; Assembleia de Deus; Católico; Cristã; Evangélico; Irmandade Celestial; Judaísmo/Cristianismo; Protestante e Testemunha de Jeová.

Em seu discurso na ONU, Bolsonaro também fez questão de destacar o que chamou de caráter cristão do país, atrelando o conservadorismo político à religião. “O Brasil é um país cristão e conservador e tem na família sua base”, disse ele.

Evangelical groups take part in a demonstration in support of Brazilian President Jair Bolsonaro's government in front of the Congress in Brasilia, on July 19, 2020. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Grupos evangélicos participam de manifestação de apoio ao governo do presidente Jair Bolsonaro em frente ao Congresso em Brasília, em 19 de julho de 2020. (Foto EVARISTO SA / AFP)

De acordo com o Censo de 2010, 86,7% da população brasileira diz se identificar com alguma religião cristã. Dos 190,7 milhões de recenseados, 165,5 milhões indicaram pertencerem ou ao Catoliscismo Apostólico Romano (64,6%) ou às igrejas Evangélicas (22,1%).

Na proporção, 86,7% dos brasileiros foram alvo de 12,7% das denúncias de intolerância no período de 18 meses.

DISCURSO APROVADO PELA BASE

Apesar da diferença entre as proporções, o discurso de Bolsonaro encontrou eco entre sua base de apoiadores. Um dos que repercutiu e exaltou o trecho na fala à ONU foi o conselheiro olavista Filipe Martins, Assessor Especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais.

O termo “Parabéns, Presidente” também virou tendência nos comentários do Twitter após a fala de Bolsonaro.

Além do trecho sobre a “cristofobia”, o polêmico discurso de Bolsonaro defendeu a sua própria gestão frente à pandemia da Covid-19 e repetiu que os responsáveis pelo combate ao vírus no país foram os 27 governadores.

Bolsonaro disse que seu governo é vítima de uma das mais ferozes campanha de desinformação sobre o desmatamento na Amazônia e no Pantanal. O mandatário afirmou que a umidade da floresta Amazônica impede a propagação do fogo e culpou indígenas e caboclos pelas queimadas.

Por fim, afirmou que seu governo tomou várias medidas econômicas que “evitou o mal maior” durante a crise do coronavírus. Entre elas, segundo ele, sua equipe concedeu auxílio emergencial de aproximadamente U$ 1000.