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Crises sistêmicas e instabilidade financeira: a teoria de Hyman P. Minsky

·7 min de leitura

A ideia geral de Minsky é a de que as economias capitalistas são inerentemente instáveis. Ou seja, as crises são causadas por fatores presentes na própria dinâmica dos mercados, ao contrário dos economistas ortodoxos, que dão maior responsabilidade para os fatores exógenos.

Sua obra mais famosa é o livro chamado Stabilizing an Unstable Economy (Estabilizando uma economia instável), cuja primeira publicação de dados de 1986. 

Seus escritos em economia têm inspiração nas obras de John Maynard Keynes.

O comportamento especulativo dos agentes econômicos

Para o autor, os problemas resultam da comportamento especulativos dos agentes econômicos. A busca incessante por lucros faz com que os agentes, tanto administradores de empresas quanto de bancos e fundos de investimentos, incorrem em esquemas financeiros perigosos.

Nas suas, palavras “oportunidades de lucros dentro de uma estrutura financeira robusta tornada o caminho entre a robustez e a fragilidade um fenômeno endógeno.”

Em períodos de boom econômico, quando a economia se encontra em forte crescimento, há uma tendência para que os devedores e banqueiros se envolvem em esquemas especulativos, pois incorporada que o pagamento de compromissos sobre as dívidas ocorra por meio de refinanciamento.

Esse comportamento especulativo se refere às práticas de projetos financeiros de longo prazo com dívidas de curto prazo. Como estes projetos têm uma maturação maior é improvável que seus adequados sejam suficientes para o pagamento das obrigações de curto prazo.

Sendo assim, o cumprimento das dívidas é planejado para ocorrer a partir do refinanciamento, ou rolagem dessas dívidas.

Os agentes fazem esse tipo de operação quando acreditam que a condição de ampla liquidez, comum em períodos de boom econômico, será mantida no futuro. Isso faz com que estruturas financeiras especulativas se tornem vulneráveis às possibilidades de mudanças do mercado monetário.

Aqui temos dois efeitos que contribuem para influenciar o comportamento especulativo dos agentes econômicos e, assim, aumentar a fragilidade financeira da economia: 1) a queda da taxa de juros, e/ou 2) o aumento da lucratividade das empresas.

A queda da taxa de juros

Primeiramente, a queda da taxa de juros faz com que projetos de menor lucratividade passem a ser atrativos quando comparado com o rendimento de títulos de renda fixa.

Vejamos o exemplo do Brasil. Até há pouco tempo atrás convivemos com uma Selic de 14% ao ano. Isso tornava pouco atraente os investimentos que rendiam anualmente um valor abaixo disso.

A queda da Selic para 2% tornou mais atrativo aqueles projetos que antes não pagavam o rendimento livre de risco. Ou seja, vários empreendimentos que antes não passariam pela aprovação dos bancos e demais investidores, se tornaram “financiáveis”.

Outro ponto para se ter em mente é que a queda dos juros faz com que o valor patrimonial dos empreendimentos se elevem. Um exemplo simples para pensarmos é o que aconteceu no ramo dos Fundos Imobiliários (FIIs).

Antes era inadmissível comprar cotas de FIIs que pagavam um yield menor do que 1% ao mês. Com a queda da Selic estes passaram a ser mais atraentes, o que elevou a sua demanda e, consequentemente, diminuiu o yield pago como resultado do aumento dos preços das cotas.

Segundo Minsky, “os compromissos de pagamento em dinheiro que são aceitáveis mudam na medida em que o desempenho da economia afeta os pontos de vista sobre a forma como a economia irá se comportar.”

Outro efeito da queda da taxa de juros é a tendência das companhias a se capitalizarem para a realização de investimentos mais arriscados. Este viria tanto via emissão de títulos, com rendimentos atrativos, quanto através de empréstimos realizados por bancos.

Podemos também incluir neste conjunto os IPOs (sigla para Oferta Pública Inicial, em inglês) feitos por empresas, que entram na bolsa para captar recursos. Com a queda dos juros, ou com aumento dos lucros, várias companhias acreditam ter boas oportunidades de se capitalizarem na bolsa, com a emissão de ações com preço acima do que se poderia conseguir em outras condições.

O impacto do aumento dos lucros

Já o efeito do aumento dos lucros, em períodos de forte crescimento econômico, implica em um boom de investimentos, o que eleva a capacidade de endividamento das empresas que estão lucrando.

Com o aumento dos lucros, e a crença de que estes irão permanecer no futuro, há a permissão do mercado para que as empresas possam acumular mais dívidas em seus passivos.

Nas palavras do autor: “O sucesso abre caminho para uma desconsideração da possibilidade de falhas; a falta de dificuldades financeiras mais sérias leva ao desenvolvimento de uma economia eufórica onde o aumento de financiamento de curto prazo na compra de posições se torna um estilo de vida comum. Há a crença de que uma nova era (sem crises) chegou.”

Todo esse processo cria, a partir dos mecanismos de mercado, condições perigosas para a sustentabilidade financeira do sistema. Isso pois, quando projetos de investimento de longo prazo são assumidos, analistas financeiros e banqueiros precisam acreditar que os fundos solicitados virão de fontes internas e externas.

Para o financiamento especulativo, os credores devem acreditar que os mercados financeiros funcionarão bem para sempre. Ou seja, que haverá sempre dinheiro disponível para refinanciar as dívidas quando necessário.

É aí que mora o perigo. Na iminência de que as coisas não irão se manter, como a expectativa de aumento da taxa de juros, resultante de uma aceleração inflacionária, ou mesmo a percepção de que a alavancagem financeira alcançou um patamar perigoso, há o risco dos agentes se retirarem do mercado e, com isso, secar a liquidez disponível para o financiamento.

A corrida para ativos líquidos (preferência pela liquidez) faz com que a venda de títulos de dívida e ações diminuam o preço dos ativos. Com isso, tem-se uma queda no valor patrimonial das pessoas e instituições alocadas nestes ativos.

A depender da intensidade da fuga para a liquidez, pode haver movimentos muito fortes nos mercados, como quedas de 50% ou mais em um espaço pequeno de tempo.

Expectativas auto realizadas

A corrida para a moeda (em especial o dólar) torna as condições ruins até para aquelas empresas que não aderiram às práticas especulativas. A queda do crédito tem impacto na demanda por investimentos, o que afeta, por sua vez, o preço dos bens de capital.

Como estes bens são dados como garantia para a tomada de financiamentos, tem-se um movimento de “bola de neve”. A queda do crédito afeta a demanda por capital que, consequentemente, diminui o valor destes bens e, novamente, diminui a capacidade de financiamento pelo sistema financeiro.

Na medida em que a sustentabilidade dos altos retornos vai se deteriorando, os emprestadores começam a desconfiar da capacidade do sistema de se reproduzir. 

As dúvidas fazem com que banqueiros e fundos criem dificuldades para o crédito. As expectativas pessimistas se cumprem como resultado disto.

Dessa forma, Minsky argumenta que os mercados são inerentemente instáveis, e que, vez ou outra, bolhas irão se formar e criar crises sistêmicas. Para minimizar esta instabilidade, o autor defende a necessidade de regulamentação por parte dos Bancos Centrais (BC).

A ideia é fazer com que o BC controle o nível de liquidez do sistema, garantindo que os recursos disponíveis para financiamentos das atividades não caiam abaixo de patamares mínimos e nem ultrapassem níveis máximos, considerados como ideais para a manutenção da boa saúde financeira das organizações.

Por fim, é a capacidade de gerenciamento das autoridades monetárias que determinará a frequência com que fragilidades vão ocorrer nas economias. 

Se a interrupção do boom de crescimento levará a uma crise financeira dependerá da liquidez geral da economia, do tamanho relativo do setor governamental e da extensão da ação dos Bancos Centrais.

Recentemente estamos vendo uma enxurrada de liquidez sendo jogada nos mercados pelos principais Bancos Centrais do mundo, enquanto que as bolsas de valores vão batendo recordes históricos, como o S&P 500, nos EUA. 

Já no Brasil, vemos o Ibovespa sendo derrubado por causa dos recentes aumentos da Selic, enquanto que o risco de uma nova recessão se aproxima.

Diante de tudo o que foi apresentado aqui, fica a questão, estamos num momento de fragilidade financeira? Ou, como costumam dizer por aí, será este um momento Minsky?

This article was originally posted on FX Empire

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