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Crise de siderúrgicas no Japão contrasta com expansão na China

Masumi Suga

(Bloomberg) -- O histórico setor siderúrgico do Japão - o terceiro maior do mundo e um dos principais fornecedores para fábricas do país - está em crise e corre risco de produzir menos em um ano do que usinas chinesas produzem em um mês.

A produção pode cair para menos de 80 milhões de toneladas no ano que termina em março, de acordo com Eiji Hashimoto, recém-nomeado presidente da Federação de Ferro e Aço do Japão e diretor-presidente da Nippon Steel. Seria o menor volume desde 1968 e se compara com as 98,4 milhões de toneladas nos 12 meses anteriores.

A sombria previsão destaca os desafios enfrentados pelas siderúrgicas japonesas, que interromperam as operações em quase 30% de 25 altos-fornos no país devido à pandemia, fraca demanda e crescente concorrência no exterior. Em contraste, nesta semana usinas da China registraram produção mensal recorde de 92,3 milhões de toneladas, impulsionada pelos estímulos na maior economia da Ásia.

“A China é nossa maior ameaça”, disse Hashimoto em conferência de imprensa em Tóquio na terça-feira. “Temos que pensar que a China terá uma vantagem ainda maior."

A China é a maior fornecedora de aço do mundo e responde por mais da metade da produção global. A produção chinesa foi acelerada com o fim das paralisações causadas pelo vírus. A Índia é a segunda maior produtora, depois de ter tomado o lugar do Japão nos últimos anos.

Recessão do Japão

A economia do Japão mergulhou em recessão após o PIB ter encolhido pela segunda vez no trimestre até março. Para este trimestre, economistas projetam queda do PIB de 20%, a maior retração desde 1955.

A indústria siderúrgica do país é dominada por três grandes produtoras: Nippon Steel, JFE Holdings e Kobe Steel. Nos últimos 12 meses, as ações dessas siderúrgicas acumulam queda de pelo menos 35%, enquanto o índice Nikkei 225 Stock Average mostra ganhos.

Com a crise, surgem perspectivas de consolidação. A JFE Holdings, segunda maior siderúrgica do país, está aberta a negociações com rivais. Qualquer acordo precisaria criar sinergias com cortes na capacidade de produção, disse o diretor financeiro da JFE, Masashi Terahata, em entrevista recente.

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