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Crise pode bloquear abastecimento de energia na Europa

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(Bloomberg) -- O inverno se aproxima enquanto a Europa enfrenta escassez sem precedentes no mercado de energia. Os políticos exploram maneiras de impedir que a população congele.

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Se a escassez se agravar, os governos europeus podem restringir as vendas de gás natural e energia para outras regiões. Um cenário ainda mais extremo poderia forçar os países a interromper os fluxos, desencadeando uma crise política e econômica.

“Se fizer muito frio, mesmo dentro da Europa haverá países afirmando que têm gás dentro de suas fronteiras e vão aprovar medidas de segurança urgentes proibindo exportações pelas próximas duas semanas”, afirma Marco Alvera, CEO da empresa italiana de infraestrutura energética Snam. “Recebi ameaças em vários países nos últimos 20 anos. A prioridade política é manter o eleitorado.”

Os reservatórios de gás da União Europeia estão com cerca de 77% da capacidade, muito abaixo do normal para esta época do ano, deixando os países do bloco vulneráveis se o inverno for rigoroso.

Os governos estão ameaçando bloquear as exportações?

Embora nenhum governo na Europa tenha afirmado que vai cessar as exportações, o risco aumenta à medida que os preços da energia sobem.

Na Noruega, grande exportadora de energia da Europa, os preços de eletricidade se multiplicaram por sete desde o ano passado. O líder do Partido do Centro, que em breve poderá fazer parte de um governo de coalizão, avisou que estuda a legalidade de cortar vendas para a UE.

A Sérvia pode proibir as exportações de eletricidade para garantir que “as pessoas tenham aquecimento em casa”, disse o presidente Aleksandar Vucic neste mês. A França ameaçou restringir o fornecimento de energia a Ilhas do Canal do Reino Unido em meio a uma disputa por áreas pesqueiras.

A operadora da rede da Irlanda fechou por mais de uma vez os interconectores que enviam energia eólica para a Grã-Bretanha continental. A Irlanda afirma que sua escassez é tão severa que há risco de apagão.

Quem está vulnerável?

Aproximadamente 80% do gás consumido pela UE vem de fora do bloco, a maior parte da Rússia, Noruega e Argélia.

Algumas das maiores economias do bloco estão entre as mais expostas. A Alemanha importa 90% de suas necessidades. Reino Unido, Bélgica, Espanha e Portugal enfrentam o problema adicional de baixa capacidade de armazenamento de gás, lembra Fabrizio Farina, analista da consultoria Verisk Maplecroft.

O continente tem grande quantidade de gasodutos e muitos cruzam várias fronteiras, formando possíveis pontos de estrangulamento.

Entre os maiores estão Yamal, que sai da Rússia e passa por Belarus e Polônia antes de chegar à Alemanha, e TAG, que leva gás russo para a Áustria e Itália.

A rede elétrica do continente também está cada vez mais interconectada. O objetivo é permitir o agrupamento de recursos e construir um mercado integrado de energia, mas a situação também pode deixar alguns países vulneráveis a quedas de energia.

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