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Crise no governo e carta de Cristina expõem fraturas internas do peronismo na Argentina

·5 minuto de leitura

BELO HORIZONTE, MG, E GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) - Um dia depois de receber o pedido de renúncia de cinco ministros, o presidente argentino, Alberto Fernández, tenta juntar as peças de seu governo em meio a uma crise doméstica que ganhou novos contornos nesta quinta-feira (16). A situação expôs não só a insatisfação popular, como também fraturas internas da aliança que possibilitou sua eleição para a Casa Rosada.

Ao longo do dia, não houve confirmação oficial sobre se Fernández aceitou os pedidos de demissão. Apesar de o mandatário ter tentado apaziguar as relações com sua vice, a ex-presidente Cristina Kirchner, no início da noite ela divulgou no Twitter uma carta recheada de críticas.

A ala do governo ligada a Cristina, mais à esquerda, já vinha pressionando por mudanças nos rumos políticos, com mudanças ministeriais que incluiriam, segundo a imprensa argentina, o chefe da pasta de Economia, Martín Guzmán. A reviravolta interna se agravou após os resultados das primárias de domingo (12), que terminaram com uma derrota para a coalizão governista Frente de Todos.

Na mensagem, Cristina afirma ter mantido 18 reuniões com o presidente ao longo deste ano, nas quais relatou "uma delicada situação social [...] e a falta de efetividade em distintas áreas do governo". Ela chama no texto a política de ajuste fiscal de Fernández de equivocada e diz que teria o alertado de possíveis consequências eleitorais e do risco de derrota nas primárias.

A vice-presidente classifica o resultado de uma "catástrofe política" e critica a reação do presidente dizendo que "parecia que não tinha acontecido nada, fingindo normalidade". Ainda segundo o texto, partiu dela a iniciativa de se reunir mais uma vez com Fernández na terça (14). Cristina afirma que no encontro propôs um "relançamento do governo", com trocas na equipe —mas nega ter pedido a cabeça de Guzmán.

Ela encerra a carta lamentando o "fogo amigo" na gestão e lembrando que foi ela, pessoalmente, que chamou Fernández para encabeçar a chapa presidencial da coalizão. "Só peço a ele que honre aquela decisão [...] e a vontade de povo argentino", escreve. Depois de dizer que "governar não é fácil, e governar a Argentina menos ainda", Cristina destaca ter convivido com um vice opositor. "Durmam tranquilos, isso não vai acontecer comigo."

A crise no governo já tinha ganhado novos elementos mais cedo, quando o jornal Clarín teve acesso a um áudio da deputada Fernanda Vallejos, aliada de Cristina, no qual a parlamentar se refere a Fernandéz como "doente", "usurpador", "cego" e "surdo". Ela dizia que o presidente estava "entrincheirado" na Casa Rosada após o fracasso nas primárias e que só estava ali graças à aliança que costurou com o kirchnerismo.

No Twitter, antes da divulgação da carta da vice, Fernandéz pregou moderação. "Nós temos de dar respostas honrando o compromisso assumido em dezembro de 2019 [quando assumiu a presidência]. Não é a hora de semear disputas que nos desviem desse caminho", escreveu.

E seguiu: "A arrogância e a prepotência não me abalam. A gestão do governo continuará da maneira que eu considerar conveniente. Para isso que eu fui eleito."

Além da disputa de poder –Cristina e Fernandéz não tinham relação próxima antes da eleição–, outro ponto central do embate entre peronistas e a ala kirchnerista é a política econômica adotada por Martín Guzmán.

Por causa das negociações da dívida argentina com o FMI (Fundo Monetário Internacional), ele defende ajustes fiscais, enquanto Cristina já defendeu que o país não tem recursos para bancar a dívida.

Na carta desta quinta, a vice-presidente diz que "será impossível resolver os problemas deixados pelo macrismo [em referência ao governo do ex-presidente Mauricio Macri] de baixos salários, alta inflação, endividamento com credores privados e a volta do FMI com um empréstimo de US$ 44 bilhões".

Numa tentativa de apoio ao presidente, movimentos sociais foram às ruas de Buenos Aires. Fernandéz, de acordo com informações da impresa argentina, pediu a suspensão das manifestações, temendo que os protestos pudessem causar ainda mais divergências com nomes fiéis ao kirchnerismo.

Grupos mais à esquerda fizeram protestos pedindo maiores subsídios para refeitórios e alimentação, além de enfatizarem suas rejeições contra um eventual acordo com o FMI. Um dos grupos que organizaram as manifestações contrárias ao presidente foi Movimento Sem Trabalho (MST), que apoia a Frente de Izquierda, coalizão que ficou em terceiro lugar nas prévias argentinas.

De acordo com a imprensa argentina, Fernández estaria "indignado" com a vice-presidente e teria dito a nomes próximos que "por meio de pressão, não vão me obrigar a nada".

A Argentina está em recessão desde 2018, quando ainda era governada pelo político de centro-direita Mauricio Macri. Eleito em 2019, Alberto Fernández não conseguiu colocar a economia do país nos trilhos. A inflação está em 50% ao ano, e a gestão da pandemia é contestada –o país tem, hoje, 114 mil mortes e cerca de 40% da população totalmente imunizada.

Em agosto, o presidente foi indiciado devido à realização de uma festa de aniversário para a primeira-dama, Fabiola Yáñez, em julho, quando as restrições para conter o avanço do coronavírus estavam em sua fase mais dura no país.

A crescente insatisfação popular foi escancarada nas prévias de domingo, quando a frente governista foi derrotada nas primárias para o pleito legislativo de 14 de novembro, ficando com cerca de 30% dos votos. Em primeiro lugar ficou a principal força de oposição, a coalizão de centro-direita Juntos, liderada por Macri, que alcançou 40,02%.

"Fizemos algo errado e precisamos entender o que foi", disse Fernández na segunda. "O rumo tomado em 2019 [quando ele assumiu a Presidência] não vai ser alterado. Existem razões pelas quais as pessoas não nos acompanharam nessa votação, e nós agora vamos escutá-las melhor."

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