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Crise na Argentina reativa costume das 'panelas populares'

·3 min de leitura

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Símbolo da crise de 2001, que completa 20 anos neste ano, as chamadas "panelas populares" voltaram com força em uma Argentina que fecha 2021 com um índice de pobreza de 40,6% e com uma inflação de 48% ao ano.

Financiadas formalmente pelo governo, por sindicatos ou informalmente por associações de moradores de bairros humildes, elas ocorrem em centros esportivos, praças ou na rua mesmo, durante as manifestações contra o governo.

"É uma vergonha estar numa fila dessas, mas a fome fala mais alto. Na minha idade, não se consegue mais arrumar emprego e o preço das coisas só está aumentando", diz à reportagem Gabriel, 65, que na última sexta-feira (22) esperava desde às 10h30 da manhã por uma refeição diante do edifício da Confederação de Trabalhadores da Economia Popular (CTEP).

Na última semana, o governo anunciou um congelamento de preços de mais de 1.500 produtos, valendo por 90 dias. A medida, porém, é considerada arriscada por economistas, e tem cores de campanha eleitoral --no próximo dia 14, há eleições legislativas e o peronismo liderado pelo presidente Alberto Fernández busca recuperar-se de uma derrota nas recentes eleições primárias, em setembro.

Os principais candidatos da oposição utilizam o discurso de que a quarentena decretada pelo governo em 2020 por conta da pandemia do coronavírus é a grande responsável pela atual recessão argentina.

Também se ataca a política de subsídios, que alimenta boa parte dos refeitórios e "panelas populares", e que, em 2021, somarão 3% do PIB argentino, segundo a consultora Equilibra. Segundo a Associação Argentina de Orçamento e Administração Financeira Pública, os subsídios representam hoje 10% do gasto público do governo. Em 2020, representavam 7%.

Já o peronismo aponta como responsável o governo anterior, do centro-direitista Mauricio Macri, por ter contraído uma dívida de US$ 44 bilhões junto ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e ter realizado uma política de ajustes.

Dos 18,8 milhões de argentinos que estão abaixo da linha da pobreza, cerca de 5 milhões não têm recursos para se alimentar adequadamente, segundo o Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censos) e precisam buscar comida em refeitórios públicos. Com regularidade diária e endereço, já são mais de 1.000 os que existem apenas na província de Buenos Aires. Organizados de modo informal, há mais que o dobro, segundo a ONG Barrios de a Pié.

"Não adianta congelar alguns produtos e não garantir gás, água limpa, serviços que estão cada vez mais caros", diz Eva Alarcón, que organiza uma "panela popular" na Villa 21, em La Matanza, na província de Buenos Aires.

Todos os dias, ali comem diariamente 1.200 pessoas. No cardápio, serve-se arroz, frango ou um bife à milanesa com macarrão, mas é comum ter de improvisar. "Às vezes, é só arroz e ervilha, com molho de tomate".

As "panelas populares" não ocorrem apenas nos bairros humildes. Todas às sextas, por exemplo, também ocorrem durante a semana no centro de Buenos Aires, em frente ao Congresso, no Obelisco e na Praça de Maio, principalmente nos dias em que há manifestações.

"Essa situação [das panelas populares] veio para ficar. Não vejo outra saída que não seja a da colaboração da cidadania com a economia popular, a ajuda tem de ser não apenas dos governos, mas da sociedade em geral. Em vez de preocupar-se com os pobres, precisam ocupar-se dos pobres", diz Sergio Sánchez, ex-líder do sindicato de catadores de papel, que viveu nas ruas de Buenos Aires por seis anos e hoje está à frente do refeitório do CTEP.

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