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Crise hídrica acelera bomba-relógio da inflação no Brasil

·4 minuto de leitura

(Bloomberg) -- A pior crise hídrica do Brasil em quase um século acelera a inflação e atinge a economia, em mais um desafio para o Banco Central e para os planos de reeleição do presidente Jair Bolsonaro.

A conta de luz deve subir até 15% no mês que vem em meio aos baixos níveis dos reservatórios das hidrelétricas, o que leva o governo a recorrer a usinas mais caras movidas a gás natural, diesel ou carvão, de acordo com cálculos da Fundação Getulio Vargas. Os preços dos alimentos também sobem, já que agricultores perdem parte das safras devido à seca.

Combinados, esses fatores já seriam problemas mais do que suficientes com a inflação acima de 8%, o ritmo mais rápido em cinco anos e mais do que o dobro da meta do BC. A XP Investimentos estima que energia elétrica e alimentos responderão por 1 ponto percentual dos aumentos de preços neste ano. Mas a situação é mais complicada, porque o governo tem adiado parte dos aumentos anuais aos quais as distribuidoras de energia têm direito na tentativa de amenizar o impacto econômico da pandemia.

O resultado é que Bolsonaro tem poucas opções, com algumas fadadas a prejudicar sua popularidade nas eleições presidenciais do próximo ano e a maioria com impacto na economia em maior ou menor grau.

“O governo montou uma bomba-relógio para 2022”, disse Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura. “Precisamos ver como vão lidar com isso; os governos tendem a segurar os preços até as eleições e depois ver o que fazer.”

Economistas ainda não têm estimativas precisas de quanto os preços da eletricidade aumentarão no próximo ano, pois isso dependerá não apenas do clima - crítico no país, que depende das usinas hidrelétricas para gerar até 70% da energia -, mas também de como o governo administrará as crescentes pressões de custo decorrentes do maior uso das termelétricas.

O nível de chuvas no Brasil este ano tem sido o mais baixo desde que os dados começaram a ser registrados em 1931. Os reservatórios nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde estão as maiores usinas hidrelétricas, entraram na estação seca em março com apenas 35% da capacidade. Se as chuvas de fato retornarem em novembro, o nível dos reservatórios pode estar pouco acima de 7% até lá, segundo estimativas do governo.

Desafio político

O governo Bolsonaro quer evitar a todo custo um racionamento de energia semelhante ao implementado por Fernando Henrique Cardoso há duas décadas, um dos fatores que contribuíram para a queda de sua popularidade e eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.

A ideia foi reforçada pela secretária executiva do Ministério de Minas e Energia, Marisete Dadald. “Não estamos falando de racionamento, estamos trabalhando muito para garantir o fornecimento de eletricidade a quem precisa”, disse em entrevista.

Uma das alternativas consideradas é firmar acordos com o setor para realocar a produção nos horários em que há menor demanda de energia elétrica, disse Dadald.

Problema da inflação

Por enquanto, o Brasil não precisa implementar racionamento de energia. Ao contrário de 2001, o país tem capacidade de geração térmica suficiente para compensar as perdas das hidrelétricas. O problema é o preço: em média, a termeletricidade é três vezes mais cara do que a energia gerada por hidrelétricas.

Pires estima que as termelétricas podem permanecer em operação pelo menos até abril de 2022, quando o governo deve reavaliar se as chuvas foram suficientes para deixar os reservatórios em níveis seguros antes da estação seca do próximo ano.

A Aneel informou que seu cenário-base contempla o uso de termelétricas até outubro, sem descartar uma data posterior. André Pepitone, diretor-geral da Aneel, disse que tudo dependerá da quantidade de chuvas, que estiveram abaixo da média nos últimos sete anos. Para ele, a perspectiva de bomba-relógio em 2022 é “alarmista”, dizendo que existem ferramentas a serem usadas para suavizar o aumento dos custos de geração.

“Nosso cenário é que 2022 não traga mais surpresas”, disse em entrevista.

A previsão é que a inflação termine 2021 em 5,9% e em 3,78% em 2022, acima das metas de 3,75% e 3,5% para cada ano, respectivamente, segundo economistas consultados pelo Banco Central. Para tentar reduzir essas expectativas, o BC deixou a porta aberta para um aumento maior da Selic em agosto, depois de elevar a taxa básica em 0,75 ponto percentual por três vezes seguidas.

No entanto, o grau de incerteza para a inflação de 2022 ainda é alto, pois as chuvas podem permanecer abaixo das médias históricas novamente.

“Os preços da eletricidade em 2022 dependem das chuvas, e o pessimismo é crescente”, disse André Braz, economista da FGV. “Um racionamento de energia agora seria uma forma inteligente de enfrentar a crise para evitar apagões se a situação piorar.”

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©2021 Bloomberg L.P.

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