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Crise de energia na China ameaça novo choque após Evergrande

·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- A China pode enfrentar um choque no abastecimento de energia que pode atingir a maior economia da Ásia justo quando a crise de liquidez da incorporadora Evergrande abala o sistema financeiro.

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Os controles para a redução do consumo de energia vêm na esteira do aumento da demanda por eletricidade e maiores preços do carvão e do gás, bem como devido às rigorosas metas do governo de Pequim para reduzir as emissões. A crise de energia atinge primeiro os gigantescos setores industriais do país: como fundições de alumínio, produtores têxteis e esmagadoras de soja, que são obrigados a desacelerar a atividade ou, em alguns casos, paralisar as operações por completo.

Quase metade das regiões da China não cumpriu as metas de consumo de energia estabelecidas pelo governo e agora enfrenta pressão para limitar o uso de eletricidade. Entre as mais afetadas estão Jiangsu, Zhejiang e Guangdong, três potências industriais que respondem por quase 30% da economia chinesa.

“Com a atenção do mercado agora focada na Evergrande e nas restrições sem precedentes de Pequim ao setor imobiliário, outro grande choque no lado da oferta pode ter sido subestimado ou mesmo ignorado”, disseram analistas da Nomura como Ting Lu em relatório, que preveem retração da economia chinesa neste trimestre.

O agravamento da crise de energia na China - talvez ofuscado pelo risco de a Evergrande não pagar suas enormes dívidas - reflete a oferta apertada no mundo todo que já provoca caos em mercados na Europa. A recuperação econômica após os lockdowns da Covid impulsionou a demanda de famílias e empresas, que coincidiu com menores investimentos de mineradoras e petroleiras, reduzindo a produção.

Mas a crise de energia da China é parcialmente causada pelo próprio governo, pois o presidente Xi Jinping tenta garantir céus azuis nos Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim em fevereiro e mostrar à comunidade internacional que leva a sério a descarbonização da economia.

Neste inverno, a economia chinesa corre risco de uma grave escassez de carvão e gás, usados para aquecer residências e operar fábricas. O país já teve que racionar energia em meses mais frios antes, mas nunca precisou fazê-lo com os preços globais desses combustíveis em níveis tão altos.

Há sinais de que a crise de energia começa a afetar famílias e empresas. Depois de cortar a energia de algumas fábricas, a província de Guandong orientou residentes a aproveitarem a luz natural e limitarem o uso de ar-condicionado.

Paralisação

A produtora de alumínio Yunnan Aluminium reduziu a produção devido à pressão do governo de Pequim. O choque também é sentido no gigante setor de alimentos da China. Esmagadoras de soja, que processam o grão em óleos comestíveis e ração, foram obrigadas a paralisar as operações esta semana na cidade de Tianjin.

De acordo com o jornal Nikkei, fornecedores da Apple e Tesla interromperam a produção em algumas de suas fábricas na China no domingo. As instalações da Foxconn em Longhua, Guanlan, Taiyuan e Zhengzhou - o maior complexo de fabricação de iPhones do mundo - não foram afetadas pelas restrições de fornecimento de energia, segundo o artigo.

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