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Crise econômica deve elevar déficit habitacional para 6,1 milhões de moradias no país, diz estudo

·3 minuto de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 16.04.2021 - Vista aérea do Jardim Julieta, em São Paulo (SP), ocupação  que se formou em 2020 em uma área onde funciona um estacionamento de caminhões. Moradores da ocupação dependem do doações para sobreviver na pandemia. (Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress) ORG XMIT: AGEN2104221938032063
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 16.04.2021 - Vista aérea do Jardim Julieta, em São Paulo (SP), ocupação que se formou em 2020 em uma área onde funciona um estacionamento de caminhões. Moradores da ocupação dependem do doações para sobreviver na pandemia. (Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress) ORG XMIT: AGEN2104221938032063

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Com a crise econômica no pós-pandemia, que inclui alta da inflação, restrição na oferta de energia, desemprego e instabilidade política, vai afetar também a oferta de moradias. O déficit habitacional deve crescer no país e atingir 6,102 milhões de moradias em 2021. A projeção é de um estudo da empresa de investimentos e gestão TCP Partners.

O déficit habitacional é um conceito que abrange três divisões: domicílios precários (improvisados e rústicos), coabitação (moradias formadas por cômodos de uma residência) e habitações com altos custos de aluguel em relação à renda dos moradores.

Em 2019, período pré-pandemia, o déficit brasileiro era de 5,877 milhões de unidades, conforme levantamento divulgado em março pela Fundação João Pinheiro.

Foi a partir desse resultado que a TCP Partners buscou estimar os efeitos da crise sanitária. Conforme a previsão da empresa, o déficit deve atingir mais 225 mil moradias em um intervalo de dois anos. Com isso, chegaria ao número de 6,102 milhões em 2021.

Ricardo Jacomassi, sócio e economista-chefe da TCP Partners, afirma que o avanço tende a ser puxado por três questões verificadas ao longo da pandemia. São elas: aumento do desemprego, perda de renda de parte da população e alta dos custos de aluguel.

No caso do aluguel, Jacomassi destaca a disparada do IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado). O indicador de inflação, referência para o reajuste de contratos de locação, acumulou avanço de 33,83% em 12 meses até julho.

Já a taxa de desemprego foi de 14,6% no trimestre encerrado em maio, dado mais recente disponível. Havia 14,8 milhões de trabalhadores desocupados no país entre março e maio.

"Projetamos a alta do déficit habitacional aplicando os efeitos da crise da Covid-19. Houve impactos nefastos na economia. Primeiro, tivemos alta do desemprego, depois queda da renda e aumento do aluguel", frisa o economista.

A análise sobre o déficit habitacional faz parte de estudo da TCP Partners sobre as perspectivas para a indústria e o varejo de materiais de construção.

Conforme Jacomassi, há espaço para os setores crescerem no país. No entanto, as dificuldades associadas à pandemia, como o provável avanço do déficit habitacional, criam um "cenário desafiador".

Esse horizonte de desafios, diz o economista, pode ser uma ameaça para os negócios até o primeiro semestre de 2023.

É que, além do desemprego, da inflação e da queda da renda de parte da população, um novo ciclo de aumento de juros começa a ser registrado no país.

Em uma tentativa de frear a pressão inflacionária, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) subiu a taxa básica de juros, a Selic, para 5,25% ao ano. O mercado financeiro espera novos avanços nas próximas reuniões do colegiado. A Selic serve como referência para linhas de crédito oferecidas no país, inclusive as de financiamentos imobiliários.

Juros mais altos encarecem empréstimos, o que joga contra a demanda do setor de construção como um todo, conclui Jacomassi.

"Com aumento nos juros e eventual redução no crescimento do PIB [Produto Interno Bruto], é provável que as empresas sintam efeitos."

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