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Crise dos semicondutores dará prejuízo de R$ 1 trilhão às montadoras de carros

·2 minuto de leitura

A crise de abastecimento de semicondutores e demais componentes utilizados na indústria eletrônica e no setor automotivo não tem data para acabar. Para piorar, os números projetados pelas montadoras de carros diante desse cenário são assustadores. Segundo a consultoria Alixpartners, o rombo em 2021 pode ultrapassar a casa dos US$ 210 bilhões, ou R$ 1,12 trilhão.

“Certamente parece ser a escassez de oferta mais prolongada que a indústria já viu, porque ainda não acabou. É certamente a mais ampla, pois está em todo lugar, em todo o mundo", comentou Dan Hearsch, diretor-gerente da prática automotiva da Alixpartners. Segundo o executivo, a ideia era iniciar a recuperação do setor no quarto trimestre do ano, mas isso não irá mais acontecer.

Dan Hearsh atribuiu aos recentes lockdowns na Malásia e Taiwan, provocados pelo aumento dos casos da covid-19, o adiamento dos planos. Ele projetou que as montadoras podem ter estoques limitados de semicondutores e demais componentes até o final de 2022 ou início de 2023.

Mudança de estratégia

De forma prática, o problema de abastecimento implicará em uma queda vertiginosa na capacidade de produção e, consequentemente, nas vendas de carros. As montadoras estão a caminho de perder a produção de 7,7 milhões de veículos em 2021, de acordo com a nova previsão.

Os pedidos por semicondutores estão demorando cerca de 21 semanas para serem atendidos e a escassez pode durar muitos anos ainda. De acordo com o executivo, esse novo cenário, que não tem data para mudar, obrigou as montadoras a alterarem a estratégia dos contratos. Segundo Hearsh, as fabricantes passaram a fechar as encomendas dos componentes com 40 e até 50 semanas de antecedência, justamente para não correrem riscos de ter de interromper a produção.

Vale lembrar que, no Brasil, várias montadoras passaram por essa situação. A Toyota, por exemplo, paralisou a produção de alguns carros em agosto e já confirmou que fará uma nova interrupção em meados de outubro. A General Motors, que chegou a fechar uma de suas instalações por 5 meses, também quer se resguardar e anunciou que adotará o trabalho em dois turnos na fábrica de Gravataí, no Rio Grande do Sul, para dobrar a produção do Onix e do Tracker.

Fonte: Canaltech

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