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Crise ainda não acabou e países precisam adaptar políticas, diz FMI

Lucas de Vitta

Para a economista-chefe do fundo, Gita Gopinath, os governos precisam adaptar suas respostas conforme a evolução da pandemia A economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gita Gopinath, afirmou nesta terça-feira que a crise provocada pela covid-19 ainda não acabou e que, apesar de alguns sinais de recuperação em países que já começaram a reabrir suas economias, os governos precisam adaptar suas respostas conforme a evolução da pandemia.

Bloomberg

Gopinath concedeu entrevista coletiva para detalhar as novas projeções do FMI para a economia mundial. Em abril, no primeiro relatório divulgado após o início da pandemia, a previsão era de encolhimento de 3%. Hoje, a entidade revisou as projeções para baixo e prevê recuo de 4,9%, o maior desde a Grande Recessão de 1929.

“Um alto grau de incerteza envolve essas previsões”, afirmou a economista-chefe do FMI. “No lado positivo, notícias positivas sobre vacinas e tratamentos, além de um suporte adicional às políticas [para combater a crise], podem levar a uma retomada mais rápida da atividade econômica. Em contrapartida, novas ondas de infecções podem reverter o aumento da mobilidade e dos gastos, apertando rapidamente as condições financeiras”.

Segundo o FMI, 95% dos países verão suas economias encolherem neste ano por causa da crise, que deve provocar US$ 12 trilhões em perdas para o PIB global nos próximos dois anos. Entre os poucos cujas previsões indicam expansão, caso da China, as previsões de crescimento também foram revistas para baixo - de 1,2% em abril para 1% no novo relatório.

Sobre o caso chinês, Gita explicou que a revisão foi pequena, mas que a economia do país deve registrar resultados melhores nos próximos meses. “O pior já passou. Estamos vendo que está bem encaminhada”, disse ela. “O principal motivo [para a revisão em 2020] foi a recuperação lenta no consumo privado, que foi compensada por notícias melhores em questões como gastos com investimentos e nos resultados do setor de serviços”.

Longe do fim

Para a economista-chefe do FMI, a crise ainda está longe do fim. A possibilidade de novas ondas de contágio e a ausência de vacinas ou tratamentos eficazes contra a covid-19 adicionam um grau de incerteza sem precedentes sobre a economia global. Por isso, Gopinath recomendou que os países continuem em alerta e adaptem suas políticas contra a crise de acordo com a pandemia.

De acordo com os cálculos da entidade, os países já desembolsaram US$ 10 trilhões em pacotes econômicos para amenizar os impactos da pandemia. Os planos ajudaram a reduzir o tamanho da crise e acelerar a recuperação, mas agora devem estar focados em recolocar as pessoas no mercado de trabalho.

“Um apoio substancial conjunto de política monetária e fiscal deve continuar por enquanto, especialmente em países onde a inflação deve ser moderada”, disse ela. “Nos países que já começaram a reabrir e a recuperação está em andamento, o apoio precisará mudar gradualmente para incentivar as pessoas a voltarem ao trabalho e facilitar a realocação de trabalhadores para setores com demanda crescente”.

A crise também gera riscos de médio-prazo, alertou Gopinath. “A dívida pública deve atingir neste ano o nível mais alto da história em relação ao PIB, tanto nos países avançados como nos emergentes”, afirmou.

Para enfrentar esses desafios, o FMI afirma que os governos precisarão de estruturas fiscais sólidas e terão que reduzir gastos desnecessários. Para Gopinath, ampliar a base tributária, combater a evasão fiscal e adotar uma maior progressividade tributária podem ser estratégias para mitigar os riscos desses efeitos mais tardios da crise.