Mercado fechado
  • BOVESPA

    121.113,93
    +413,26 (+0,34%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    48.726,98
    +212,88 (+0,44%)
     
  • PETROLEO CRU

    63,07
    -0,39 (-0,61%)
     
  • OURO

    1.777,30
    +10,50 (+0,59%)
     
  • BTC-USD

    61.694,45
    -1.858,07 (-2,92%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.398,97
    +7,26 (+0,52%)
     
  • S&P500

    4.185,47
    +15,05 (+0,36%)
     
  • DOW JONES

    34.200,67
    +164,68 (+0,48%)
     
  • FTSE

    7.019,53
    +36,03 (+0,52%)
     
  • HANG SENG

    28.969,71
    +176,57 (+0,61%)
     
  • NIKKEI

    29.683,37
    +40,68 (+0,14%)
     
  • NASDAQ

    14.024,00
    +10,00 (+0,07%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,6872
    -0,0339 (-0,50%)
     

Crianças e covid-19, lição de casa para adultos saberem o que fazer

Redação Notícias
·14 minuto de leitura
Menina com mascara na sala de aula
Covid e crianças: tire suas dúvidas com dicas de pediatra infectologista (Getty Images)

A preocupação com a contaminação de crianças de adolescentes pelo novo coronavírus cresceu muito antes da suspensão temporárias das aulas presenciais na maioria das cidades do país. O Brasil, além de toda dificuldade na vacinação, ainda é um dos locais que têm mais encontrado variantes do vírus.

Dos tipos de sintomas à gravidade, do medo de levar o vírus para casa e transmitir para os avós, não são poucas as angústias e as dúvidas dos pais, que muitas vezes retornaram seus filhos às unidades educacionais pelo simples fato de ser a única alternativa de porto seguro enquanto estão trabalhando.

Sintomas, tratamentos e quando ir para o hospital são questões que parecem não estar 100% compreendidos quando o assunto é Covid na infância.

Transmissão em crianças

A forma de transmissão não se diferencia: é igual a do adulto. O contágio é principalmente respiratório e o que já se sabe é que quem transmite o coronavírus para as crianças são os adultos. Assim, não é na escola que a gente vai ver isso, de colega para colega, como ocorre nas conhecidas viroses comuns em transmissão de convívio escolar. É o adulto quem transmite Sars-Cov-2 para as crianças. Ou seja, os adultos precisam tomar cuidado para não transmitir para os filhos, sobrinhos e alunos. Dificilmente se vê o contrário: as crianças transmitindo para o adulto. Isso é muito menos frequente porque no caso da Covid-19, contam especialistas, a capacidade de transmissão das crianças é muito menor.

Há diferenças para transmissão entre adultos e crianças?

A transmissão é igual ao do adulto. O contágio é principalmente respiratório, o que a gente sabe é que quem transmite para as crianças são os adultos, não é na escola que a gente vai ver isso. É o adulto que transmite para as crianças. Ou seja, os adultos precisam tomar cuidado para não transmitir para as crianças. Dificilmente a gente vê o contrário: as crianças transmitindo para o adulto. Isso é muito menos frequente porque a capacidade de transmissão das crianças é muito menor. Tem, mas é muito menor. Então, o grande problema realmente são os adultos transmitindo para as crianças", afirma Marcelo Otsuka, pediatra infectologista, vice-presidente do departamento de infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo e coordenador do comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Pai coloca mascara na filha
Adultos têm de redobrar os cuidados (Getty Images)

Como é a transmissão na piscina?

Sem lazer para os filhos, muitos pais enxergam na piscina do condomínio um local seguro a céu aberto, apoiados na ideia de que o cloro da água se encarregaria de inativar vírus. O Sars-Covd-2 é transmitido por meio das gotículas expelidas pela fala e ao tossir ou espirrar. Não vai adiantar ficar aglomerado na piscina, em grupos, com todas as crianças e adultos brincando juntos. A Transmissão também acontece nessas situações. Não é salutar para ninguém. Então, neste momento, tem que se evitar isso.

Transmissão e pequenos encontros: entenda

Os encontros, ainda que em um grupo fechado e restrito, com as mesmas crianças, sempre que possível, devem ser evitados nesse período de pandemia. Ainda mais se envolver pessoas do grupo de risco. Não adianta, por exemplo, o grupo ser pequeno e o pai de 90 anos estar no mesmo ambiente. Mas se eles acontecerem, importante manter o distanciamento doméstico, como comerem mesas distantes ou sentar-se os mais afastado possível. Na hora de servir, uma mesma pessoa se encarrega da tarefa para que não haja grande manipulação dos talheres, que é uma forma de transmissão. A pessoa que vai servir tem que lavar as mãos antes e depois de servir. São cuidados básicos que vão além da etiqueta: englobam higiene e prevenção. Mas, se possível, essas reuniões não devem acontecer.

Sintomas de covid em crianças

Se a transmissão nos pequenos não se diferencia dos adultos, o mesmo ocorre com os sintomas. Estes são muito parecidos aos de um adulto, principalmente os respiratórios. Só que no paciente pediátrico, se assemelha com maior frequência quadros tipo resfriado, como coriza, tosse, espirros e até a dor na garganta. Os quadros mais graves por falta de ar e desconforto respiratório podem acontecer? Até podem, mas numa parcela muito menor de indivíduos.

"Os sintomas são muito parecidos, tem muita coisa igual a de adulto. O mais comum são os sintomas respiratórios. Só que no paciente pediátrico, a gente vê com maior frequência aqueles quadros tipo resfriado, então coriza, tosse, espirros, a dor na garganta. Quadros como se fossem de gripes comuns. Os quadros mais graves por falta de ar e desconforto respiratório podem acontecer? Podem, mas numa parcela muito menor de indivíduos, de crianças do que a gente costuma ver nos adultos em relação à população de uma forma geral. Só quem tem algumas coisas que são diferentes. Quais? A febre não é tão frequente quanto no adulto, a gente já comentou, a falta de ar não é tão frequente. Tosse não é tão frequente. Quadros gastrointestinais são muito comuns, acontecem de 20% a 30% das crianças, com dor abdominal, diarreia, vômitos. E existem algumas situações especiais, como a síndrome inflamatória multissistêmica, que a gente eventualmente pode ver na pediatria e aí sim é um quadro muito mais grave", explica Otzuka.

Sintomas de covid peculiares em crianças

A Covid-19 em crianças tem algumas peculiaridades. A febre e a falta de ar não são tão frequentes, diz o pediatra infectologista. Mas o médico alerta que os quadros gastrointestinais são muito comuns e acontecem em 20% a 30% dos casos de Covid-19 em crianças. Na lista destes sintomas estão a dor abdominal, diarreia e vômito. Assim, muitos pais podem, nem de longe, associar tais sinais a um caso de Covid-19.

Mulher e sua filha mascaradas em consulta com um pediatra
Entenda os sintomas de crianças com covid (Getty Images)

Importante lembrar que a proporção de infectados mais jovens sobe a partir do momento que aumenta a proporção de adultos também. Ou seja, para ter mais crianças infectadas é preciso que haja mais adultos doentes.

Riscos da Covid em crianças

Crianças podem morrer de Covid? Quais os riscos? Para essas perguntas, especialistas afirmam que o risco de morte da criança é muito menor que no adulto, muito menos comum. Isso porque desde o início da pandemia, em meados de março de 2020, o vírus atinge de uma forma menos severa os pequenos e os adolescentes. Alguns estudos americanos sugerem que, comparando com indivíduos de 90 anos, o risco de morte de crianças por coronavírus é 800 vezes menor. O que não significa que não possa acontecer. Em um universo com milhares de indivíduos doentes, vai ter caso que eventualmente vai a óbito. Mas é muito menos frequente, lembra o pediatra infectologista.

Qual o risco de morte?

"O risco de morte é muito menor [na criança] que no adulto, muito menos comum do que no adulto. Alguns estudos americanos sugerem que, comparando com indivíduos de 90 anos, 800 vezes menor o risco. Então, realmente, é muito frequente. O que não significa que não possa acontecer. Quando a gente pega milhares e milhares de indivíduos doentes, vai ter caso que eventualmente vai a óbito. Mas é muito menos frequente", diz o pediatra.

Quais os riscos de morte para crianças com outras doenças de base?

A situação pode ser grave para os pequenos que sofrem de câncer, asma, problemas neurológicas, doenças renais ou pulmonares. Todas elas podem facilitar quadros graves. Mesmo assim, a evolução não costuma ser tão complicada como é no adulto, lembra Marcelo Otsuka.

"Todas as doenças de base, câncer, asma, doenças neurológicas, doenças renais, doenças pulmonares, todas elas podem facilitar quadros graves. Mesmo assim, a evolução não costuma ser tão complicada como é no adulto. Pode sim ter quadros graves, mas mesmo assim costuma ser muito menos grave do que a gente vê no adulto", afirma.

O que os médicos sabem até agora aponta é que o vírus atinge de uma forma muito menos severa as crianças e os adolescentes. Até mesmo a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), inflamação generalizada grave ligada à covid-19, é rara – em 2020, 39 crianças e adolescentes morreram por SIM-P no Brasil, de acordo com o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde.

Um estudo europeu, feito com 600 pessoas, revelou que apenas 1% dos casos de Covid-19 em crianças será fatal. Participaram dessa pesquisa, 82 centros de saúde.

Crianças, covid e hospitais

Quando ocorre a internação de crianças por coronavírus o tempo de permanência no hospital costuma ser menor que os adultos. Somente crianças com quadros mais graves passam mais tempo internadas.

Menina faz teste de covid
Entenda em quais momentos é necessário levar a criança ao hospital (Getty Images)

Isso vale também para os adolescentes. Mas é preciso se atentar que as clássicas causas de hospitalização do público infantil no outono e inverno começaram mais cedo esse ano de 2021. E em uma proporção maior que no ano passado, por conta do período de isolamento. Mais criança e respectivos pais dentro de casa, menos quadros infecciosos. Esse foi o cenário de 2020. 

Casos estão mais frequentes: o que fazer

Segundo o pediatra infectologista, esse ano os casos de infecções respiratórias já estão com uma frequência maior, na comparação com 2020, principalmente as infecções respiratórias. Isso confunde muito. Aflitos, muitos pais acham que a falta de ar ou desconforto respiratório são uma infecção por Covid, e é uma infecção por vírus que já existiam. A proporção de crianças que, por exemplo, têm tido infecção pelo vírus sincicial respiratório já aumentou muito nesse ano. E é muito mais frequente que a Covid.

Entenda possíveis sequelas

A taxa de sequelas em criança continua sendo a mesma, não houve nenhuma mudança. Pode acontecer? Pode, se a criança tem uma lesão grave pulmonar, se ela tem alguma lesão de sistema nervoso ou se foi acometida pela síndrome inflamatória multissistêmica. Todas essas são situações que colocam a criança sob risco, pontua o pediatra infectologista. Mas, felizmente, é muito menos frequente que no adulto.

O melhor a se fazer é procurar o médico quando notar uma condição respiratória anormal, sobretudo, se alguém na casa tiver suspeita de Covid-19. Mas importante lembrar que o vírus atinge de uma forma muito menos severa crianças e adolescentes. E a grande maioria deste grupo – em torno de 90% - é assintomática ou manifesta sinais de maneira mais leve.

Como ficam as aulas?

Estão no tema aulas presenciais as teclas mais batidas pelos pais. Mas os cuidados na escola são os mesmos que em outros lugares frequentados: higiene, distanciamento, uso de máscaras. 

"O que muda então? Primeiro, a criança pode ter doença? Pode, mas normalmente uma doença muito mais tranquila. Criança pode transmitir? Pode, mas muitas vezes transmite muito menos. Então, os cuidados em dobro são com as crianças que têm risco de ter uma doença mais grave, por exemplo, quando está em tratamento de câncer e crianças que voltam para casa e vão ter contato com pessoas de risco, como pessoas idosas. É consenso entre os especialistas que as crianças são muito prejudicadas em não ir para a escola. Muitas delas fazem as principais refeições dentro da unidade educacional, não têm acesso sequer à internet e, consequentemente, apresentarão dificuldade muito maior de aprendizado, sem falar que muitas crianças estão sendo vítimas de agressão. Criança precisa ir para a escola? A princípio, sim. Mas situações especiais exigem ponderação. Como, por exemplo, a cidade de São Paulo, que registra uma alta taxa de transmissão e uma ocupação de leitos de UTI de índice alarmante, com falta de vagas. É um momento crítico, uma situação grave. Preferível então que a criança não vá para a escola, independente se ela está aberta ou não. E mesmo revertendo esse cenário tão desesperador, a prevenção se mantém quando as aulas presenciais retornarem", explica o médico.

Menino indo para a escola mascarado
Crianças a partir de dois anos podem usar máscaras (Getty Images)

Quais crianças podem usar máscara?

Crianças a partir de 2 anos já conseguem usar máscaras de proteção tranquilamente e os pais devem ensinar dentro de casa. Na mochila, ela deve carregar jogos de máscaras para trocas no período escolar, rotineiramente a cada 2 horas.

Entenda o distanciamento e barreiras físicas necessários nas aulas

As crianças têm que ter distanciamento e barreiras físicas na escola. Mais do isso, água tratada na escola, professores treinados, merendeiros e faxineiros capacitados para o atendimento e saber como lidar com as crianças nesse momento de pandemia, principalmente saber reconhecer os quadros respiratórios. As escolas precisam estar preparadas com o seu time treinado.

Como os pais podem ajudar?

E do lado de cá, os pais precisam se conscientizar que se algum membro da casa está doente, o filho não deve ir para a escola.

Então são coisas mais ou menos óbvias que têm quer ser pesquisadas. Mais que isso, como que a criança vai? Vai em transporte público? Que tipo de transporte ela faz? É o transporte de risco? O ideal é que sejam as vans escolares, com distanciamento porque o grupo de crianças é menor.

É recomendado ainda que as crianças entrem em horários diferentes na escola, não precisa todo mundo chegar ao mesmo tempo. Merenda em horários diferentes: lanchar juntos, várias turmas ao mesmo tempo, aquele refeitório cheio, não precisa. Da mesma forma que elas não precisam sair da escola ao mesmo tempo. São cuidados básicos e não difíceis de implementar que se fazem necessários para melhor controle. O especialista defende que medidas precisam de um plano da Secretaria da Educação com apoio da Secretaria da Saúde. Mas de uma forma geral todos esses cuidados precisam ser tomados.

Como os outros países estão lidando com as crianças?

O Unicef (Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas) recomenda que, além das boas práticas de higiene respiratória e das mãos, é importante manter as vacinas atualizadas para que as crianças estejam protegidas contra outros vírus e bactérias causadoras de doenças.

Dados da Academia Americana de Pediatria apontaram que até 11 de fevereiro cerca de 3 milhões de crianças nos Estados Unidos tiveram teste positivo para Covid-19. Elas representam 13% de todos os casos da doença nos Estados Unidos e de 1,2% a 2,9% do total de hospitalizações, com base nos relatórios de 24 estados e pela cidade de Nova York.

Já o Reino Unido chegou a registrar, em fevereiro, uma alta de casos de hospitalização com suspeita de Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica. A média era de 100 internações por semana.

Desde o ano passado, as instituições de ensino na Europa estabeleceram horários diferentes para entrada, saída e intervalo . Há controle de temperatura na entrada. Em 2020, a Dinamarca se tornou o primeiro país do mundo ocidental a reabrir suas escolas primárias.

História da Covid-19 no mundo

Tudo começou em 31 de dezembro de 2019, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi alertada sobre vários casos de uma pneumonia desconhecida na cidade de Wuhan, província de Hubei, na China. Era um novo tipo de coronavírus que não havia sido identificado antes em seres humanos. Sete dias depois, autoridades chinesas confirmaram um novo tipo de coronavírus. Em fevereiro de 2020, o novo coronavírus foi nomeado, recebendo o nome SARS-CoV-2. Esse tipo é o responsável por causar a doença COVID-19.

A primeira morte ocorrida em decorrência desse novo vírus aconteceu no dia 11 de janeiro de 2020. Rapidamente, a doença se alastrou. Em março de 2020, todos os continentes já haviam sido afetados. Isso levou a OMS a declarar, no dia 11 de março de 2020, que a covid-19 é uma pandemia.

A história da Covid-19 no Brasil

O primeiro caso de Covid-19 no Brasil foi confirmado em 26 de fevereiro de 2020. A primeira morte veio em 16 de março, em São Paulo, um aposentado de 62 anos. Mas o primeiro óbito por coronavírus foi anunciado no dia seguinte. Desde então, a Covid-19 se alastrou e chegou a todos os estados brasileiros na chamada transmissão comunitária – quando não é possível saber onde contraiu – causando mortes diariamente.

No dia 8 de agosto de 2020, o número de óbitos atingiu a marca de 100 mil. No Começo de 2021, o número já havia dobrado. Também em janeiro, Manaus entrou em colapso ao viver a segunda onda da pandemia e enfrentar falta de oxigênio. Atualmente, o Brasil é o terceiro país no ranking mundial de número de casos – fica atrás de Estados Unidos e Índia. E segundo colocado em número de mortes, perdendo apenas para os Estados Unidos.