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Menino ganha fantasia de sereia e diz para mãe: "Deus que me fez assim"

Marcela De Mingo
·4 minutos de leitura
Garoto ganha fantasia de sereia e comemora ao lado dos pais (Foto: Reprodução/Instagram@laisfmteixeira)
Garoto ganha fantasia de sereia e comemora ao lado dos pais (Foto: Reprodução/Instagram@laisfmteixeira)

"Brinquedo de menina" e "brinquedo de menino" são duas expressões que, em pleno 2020, já deveriam ter caído em desuso. Isso porque, se queremos um mundo com mais liberdade de expressão, precisamos dar liberdade para que as próprias crianças decidam com o que querem brincar, certo? Pois é, Lais Teixeira foi o exemplo disso - e não viralizou por acaso.

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Mãe de um menino, ela publicou em sua página no Instagram no último final de semana duas fotos do filho muito feliz. Nas imagens, ele usa uma colorida fantasia de sereia (com direito a coroa e tudo!) e segura uma boneca com uma roupa parecida. A alegria da criança veio acompanhada de uma legenda ainda mais emocionante, em que Lais explica o porquê da tal imagem.

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"Desde sempre ele gosta de tudo que é de 'menina' mas nunca consentimos, sempre oprimidos. Esse ano eu e o pai entramos em um acordo e decidimos consentir", explica ela.

"Confesso que meu sonho como mãe sempre foi deixar ele ir na loja e escolher o que quisesse porque nunca vi ele brincar com um brinquedo se sentindo feliz, os brinquedos sempre foram jogados na caixa e esse ano tive essa oportunidade. Ele entrou e escolheu um jogo, essa boneca e a tão sonhada fantasia de sereia. Talvez você que está vendo essa publicação não concorde com nossa decisão, mas sua opinião não me importa. O que importa pra mim é o sorriso dele. E ele saber que pode contar comigo e com o pai para o que o futuro tem reservado para ele. Ele é um presente de Deus em minha vida e um dia ele mesmo me disse: Mãe, Deus sabe de todas as coisas. E Deus que me fez assim, então ele sabe o que está fazendo."

Até a publicação deste texto, a foto e a legenda receberam mais de 18 mil curtidas e três mil comentários. Não é para menos, já que o que Lais fez foi algo cada vez mais comum - e, se tudo caminhar como o previsto, vai se tornar a regra: permitir que as crianças tenham liberdade para escolher o que elas querem ser e com o que brincar, sem a necessidade de serem encaixadas em uma ideia de gênero.

Se você perceber, desde cedo meninas são induzidas a brincar de certas coisas: bonecas, casinha, cozinha… Parece inofensivo, se já não fosse um preparativo para aquilo que a sociedade impôs ser papel da mulher: cuidar da casa e dos filhos, servir ao marido, ser mãe.

Por outro lado, os meninos brincam de carrinhos, de jogos, fazem esportes… Para eles, a mensagem é que têm mais liberdade para fazer o que querem, mas não necessariamente estão livres desse papel imposto. Eles não podem chorar, não podem demonstrar emoções e, desde cedo, são ensinados também a cuidarem das meninas ao mesmo tempo que precisam já conquistá-las - uma prévia da ideia de provedor / pegador.

Postagens como a de Lais e seu filho têm sido cada vez mais comuns e ganham tanto destaque por conta da quebra de paradigmas. Até então, o que era considerado "certo" eram meninas brincando com "coisas de meninas" e meninos brincando com "coisas de menino". Mas, não. Vem por aí uma geração muito mais livre do que nós mesmos e nossos pais jamais foram, porque estão tendo a liberdade de escolher o que querem ser, sem julgamentos.

Aliás, a postagem de Lais também é importante porque mostra como essa mudança começa em quem ensina. Inclusive, isso não vale apenas para noções ligadas ao gênero, mas também para outras questões importantes, como o racismo ou qualquer tipo de preconceito. Essa educação começa em casa, com os pais desconstruindo as próprias ideias e noções para, então, ensinar à criança. Ah, e nada impede que os pais, junto com ela, desconstruam ainda mais o que pensam e dêem espaço para que ela tire as próprias dúvidas sem medo de ser repreendida porque eles não sabem a resposta.

Importante notar que já existem estudos que reforçam a teoria de que crianças que vivem em igualdade de gênero têm menos chances de atribuírem estereótipos ou gerarem preconceitos - pelo menos, é o que diz uma pesquisa da Universidade de Uppsala, na Suécia, que acompanhou um sistema de pedagogia neutra aplicado por uma escola local com crianças de 3 a 6 anos.

O resultado? Comparadas com as crianças educadas em escolas tradicionais, as que foram educadas em um ambiente em que o gênero não é importante se viram menos influenciadas por estereótipos e, por consequência, têm uma tendência menor de atribuir conceitos estereotipados do que é masculino e feminino. Na prática, essas crianças tiveram mais facilidade de brincar com crianças do gênero oposto do que as que receberam uma educação tradicional, e têm até mais facilidade de encontrar pontos em comum com as pessoas, independentemente dele.

De fato, vivemos um novo momento da história. Que seja tão feliz e alegre quanto o menino que - enfim - conseguiu sua fantasia de sereia.