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Criador da World Wide Web lança serviço que pode garantir sua privacidade

Patrícia Gnipper
·2 minuto de leitura

Tim Berners-Lee, o criador da World Wide Web e notório defensor da ideia de que os usuários da internet devem ter controle sobre seus dados pessoais, acaba de dar mais um passo rumo a esse objetivo: sua startup chamada Inrupt lançou um serviço capaz de armazenar suas informações separadamente, permitindo o compartilhamento de seus dados apenas quando você desejar ou precisar. Assim, o usuário tem controle de quem pode ver o que a seu respeito.

Os dados ficam armazenados em coleções que a startup chamou de "pods", que podem ser acessadas usando uma tecnologia de armazenamento de dados de código aberto, proprietário da empresa, chamada Solid. Isso significa que, para que médicos, por exemplo, acessem seus dados de saúde, eles precisam também ter acesso ao aplicativo Solid.

A Inrupt colocou, nesta semana, a infraestrutura à disposição de qualquer cliente interessado no serviço, e agora o desafio é fazer a coisa se popularizar. A startup já vinha testando seu novo serviço com a BBC do Reino Unido, bem como o NatWest Bank e o National Health Service, todos britânicos. Para Berners-Lee, "essa nova base de confiança e cooperação levará a modelos de negócios totalmente novos, que realmente beneficiarão os usuários".

Se a Inrupt fizer sucesso nessa empreitada, o modo como a internet funciona pode mudar. Aplicativos e plataformas sociais, por exemplo, que dependem dos dados dos usuários para direcionar propaganda personalizada, devem sentir o "baque" — talvez, para compensar essa fatia do bolo perdida, muitos serviços que, hoje, são gratuitos, acabarão cobrando taxas de acesso dos usuários. Mas tudo isso ainda é apenas uma grande reflexão, já que a Inrupt acaba de lançar a novidade e ainda é cedo para saber se o serviço vai "pegar".

De qualquer maneira, a privacidade e a proteção dos dados pessoais é um assunto em alta no momento. Na Europa, quem manda agora é o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR), enquanto aqui, no Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) entrou em vigor recentemente, obrigando empresas que usam dados de seus clientes a se readequarem urgentemente.

Fonte: Canaltech

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