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Crescimento do emprego nos EUA é sólido em agosto, mas mercado de trabalho começa a afrouxar

Placa sinaliza oportunidade de emprego em Cambridge, Massachusetts, EUA

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) - Os empregadores dos Estados Unidos contrataram mais trabalhadores do que o esperado em agosto, mas o crescimento moderado dos salários e um aumento na taxa de desemprego para 3,7% podem aliviar a pressão sobre o Federal Reserve para que entregue um terceiro aumento da taxa de juros de 75 pontos-base este mês.

O relatório de emprego do Departamento do Trabalho desta sexta-feira também mostrou uma queda na semana média de trabalho. O aumento da taxa de desemprego ocorreu quando mais de 700 mil entraram no mercado de trabalho, elevando o tamanho da força de trabalho a um nível recorde. A força geral do mercado de trabalho ressalta a resiliência da economia, apesar da antecipação de aumentos de juros pelo banco central norte-americano, que tem elevado o risco de recessão.

O Departamento do Trabalho informou que foram abertas 315 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola no mês passado. Os dados de julho foram revisados ​​ligeiramente para baixo para mostrar criação de 526 mil empregos, em vez de 528 mil, conforme relatado anteriormente.

Agosto marcou o 20º mês consecutivo de crescimento do emprego, que está agora 240 mil vagas acima do nível pré-pandemia.

Economistas consultados pela Reuters previam criação líquida de 300 mil vagas de trabalho em agosto, com as estimativas variando de 75 mil a 450 mil.

O amplo aumento nas contratações no mês passado foi liderado pelo setor de serviços profissionais e empresariais, que acrescentou 68 mil postos de trabalho. No setor de saúde, 48 mil empregos foram criados.

Os detalhes da pesquisa domiciliar a partir da qual a taxa de desemprego é derivada eram fortes. Embora a taxa de desemprego tenha aumentado para 3,7%, de uma mínima pré-pandemia de 3,5% em julho, isso ocorreu porque 786 mil pessoas entraram no mercado de trabalho.

O maior aumento desde janeiro colocou a força de trabalho de volta em tamanho recorde, superando máxima anterior de dezembro de 2019.

Como resultado, a taxa de participação na força de trabalho, ou a proporção de norte-americanos em idade ativa que têm emprego ou estão procurando por um, aumentou para 62,4%, de 62,1% em julho. A taxa permanece um ponto percentual abaixo do nível pré-pandemia.

O relatório de emprego foi divulgado uma semana depois de o chair do Fed, Jerome Powell, alertar os norte-americanos sobre um período doloroso de crescimento econômico lento e possivelmente de aumento do desemprego, conforme o banco central dos Estados Unidos aperta agressivamente a política monetária para conter a inflação.

O Fed já elevou sua taxa básica em 75 pontos-base duas vezes neste ciclo, em junho e julho. Desde março, elevou essa taxa de quase zero para a faixa atual de 2,25% a 2,50%. Os mercados financeiros preveem uma probabilidade de aproximadamente 64% de haver novo aumento de 75 pontos-base na reunião de política monetária do Fed de 20 a 21 de setembro, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME.

Dados de preços ao consumidor de agosto com divulgação em meados deste mês também serão um fator importante para determinar o tamanho do próximo aumento de juros.

Com o aumento da força de trabalho, o crescimento salarial está desacelerando.

O rendimento médio por hora subiu 0,3% em agosto, após alta de 0,5% em julho. Isso manteve o aumento anual dos salários em 5,2% em agosto.

As horas médias trabalhadas caíram para 34,5 horas de 34,6 horas em julho. Isso pode ser um sinal potencial de que as empresas estão começando a reduzir as horas para os trabalhadores por causa da incerteza econômica.

(Reportagem de Lucia Mutikani)