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Mais brasileiros abandonam compras de mercado a caminho do caixa

Entre janeiro e junho deste ano, 4,997 milhões de itens foram abandonados. É um volume quase 16,5% maior que o do primeiro semestre de 2021 (Getty Creative)
Entre janeiro e junho deste ano, 4,997 milhões de itens foram abandonados. É um volume quase 16,5% maior que o do primeiro semestre de 2021 (Getty Creative)
  • Número de brasileiros que não consegue passar todas as compras do supermercado na boca da caixa aumentou consideravelmente no primeiro semestre de 2022

  • Estudo utilizou inteligência artificial e um grande banco de dados para extrair informações autorizadas do movimento de caixa de 982 supermercados

  • Inflação no Brasil segue entre as maiores do mundo e bem acima da média das grandes economias

Uma pesquisa inédita, feita a pedido do Estadão pela Nextop, empresa que atua há 25 anos com tecnologia de segurança do varejo, constatou que o número de brasileiros que não consegue passar todas as compras do supermercado na boca da caixa aumentou consideravelmente no primeiro semestre de 2022 em comparação com o mesmo período do ano passado.

De acordo com o estudo, "entre janeiro e junho deste ano, 4,997 milhões de itens foram abandonados. É um volume quase 16,5% maior que o do primeiro semestre de 2021, ou 704,9 mil itens a mais". Por abandonados, entende-se os itens que acabam sendo deixados no caixa após o valor da conta ultrapassar o que estava previsto.

Segundo o Estadão, para realizar o levantamento, "a Nextop utilizou inteligência artificial e um grande banco de dados para extrair informações autorizadas do movimento de caixa de 982 supermercados de médio e pequeno porte do País, que atendem a todas as faixas de renda e que juntos vendem R$ 5 bilhões".

Em entrevista à reportagem, o presidente do Instituto Brasileiro de Executivos do Varejo (Ibevar), o economista Claudio Felisoni de Angelo afirmou que "o tamanho da pilha de produtos deixados no caixa é a medida concreta do tamanho da crise."

Inflação no Brasil

A inflação no Brasil segue entre as maiores do mundo e bem acima da média das grandes economias. Foi o que mostrou um relatório divulgado no mês passado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nos últimos 12 meses, a inflação no país atingiu 10%.

No grupo dos 20 países mais ricos do mundo (G20), a inflação registrada no Brasil só é menor que na Turquia (73,5%), Argentina (60,7%) e Rússia (17,1%). A média da inflação das federações integrantes do G20 é de 8,8% acumulada nos últimos 12 meses. No G7, essa média é 1,3% menor, atingindo o percentual de 7,5% no mesmo período.

Um termômetro da grave situação que vive ao Brasil é a afirmação emitida pelo Banco Central, na qual a instituição financeira admite que a meta inflação será descumprida em 2022 pelo segundo ano seguido. Em uma tentativa para cumprir a meta para o próximo ano, o BC elevou a taxa básica de juros para 13,75% ao ano.