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Cresce número de tatuagens feitas para homenagear pessoas mortas pela Covid-19

·3 minuto de leitura

O médico Felipe Caputo, de 51 anos, atuou no começo da pandemia na linha de frente contra a Covid-19 num hospital de Itaboraí. Em 15 de maio desse ano, perdeu o pai Jorge Caputo, aos 76, para a doença que ele ajudou a enfrentar. Ainda não tinha superado a ausência paterna quando, 28 dias depois, o mesmo mal levou sua mãe, Maria Luiza Caputo, aos 75. O casal, que morava na Vila da Penha, na Zona Norte do Rio, era o xodó do filho, que resolveu eternizar a saudade dos dois em tatuagens que carrega no corpo.

— Isso me conforta de certa forma. É como se eles estivessem comigo o tempo todo — desabafa Felipe, que tatuou o rosto do pai no antebraço esquerdo e o da mãe na perna direita.

Quando reabriu o seu estúdio de tatuagens num shopping de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, em julho do ano passado, após cinco meses de fechamento por conta das medidas de restrição, o tatuador Gustavo Gomes, de 38 anos, notou uma mudança no comportamento dos clientes. Especialista em tatuar retratos, percebeu que em vez de homenagear pessoas vivas, como namoradas, esposas e filhos, os clientes passaram a pedi-lo para eternizar na pela imagens de entes queridos perdidos para a Covid-19, principalmente os pais.

— Depois da pandemia esse tipo de homenagem, que já existia antes, cresceu bastante. Foi um aumento entre 40 e 50% —calcula.

Antonio Guido de Morais, pai da funcionária pública Luciane Ano Bom, de 40 anos, morreu de Covid-19, aos 72 anos, em 27 de maio do ano passado, deixando uma saudade sem tamanho na filha. Ela o considerava seu maior amigo. Juntos iam a churrascos, jogos de futebol e shows de rock. Ele era fã do Guns N' Roses. Nem a morte os separou. A tatuagem que Luciane carrega no braço esquerdo (para ficar perto do coração) mantém pai e filha unidos.

—Quem me conhece sabe que o meu pai era muito especial na minha vida. Nossa relação ia além da de um pai e sua filha. Era o meu amigo, muito presente —recorda a moradora do Irajá.

O bancário Rafael Duarte, de 34 anos, morador na Vila da Penha, já carregava três tatuagens no corpo. Uma era do escudo do Vasco e outras duas em homenagem às filhas Rafaella, de 7, e Julliana, de 1. Mas não trazia o rosto delas. Quando se decidiu pela quarta tatuagem buscou como modelo uma foto da mãe, Germana, de 59 anos, com a neta caçula no colo. O agendamento estava feito antes da pandemia, mas no começo de junho do ano passado a Covid-19 levou a matriarca depois de 15 dias de internação e 85% do pulmão comprometido. Como no antebraço esquerdo só havia espaço para tatuar uma pessoa, a escolhida foi a mãe.

— É como um amuleto. Como se ela estivesse sempre aqui olhando por mim — define.

Detalhes que fazem a diferença

Além dos rostos, os filhos fizeram questão de eternizar uma característica marcante dos homenageados. No peito do pai de Luciane Ano Bom, o tatuador inseriu um escudo do Botafogo que não estava na foto original que serviu como modelo. O pai do ortopedista Felipe Caputo está com um copo de cerveja na mão. É que a última lembrança alegre que o filho tem dele é de um churrasco em família. E a mãe do bancário Rafael Duarte foi tatuada com o largo sorriso, que era sua marca registrada.

— Gostaria que ela fosse lembrança desse modo. Todo mundo achava que o sorriso dela era o seu cartão postal — justificou o filho.

O tatuador Leandro Azevedo, de 38 anos, dono de um estúdio móvel que atende as zonas Norte e Oeste do Rio, também viu crescer pedidos para tatuar nomes, frases ou desenhos que lembram pessoas mortas pela Covid. Um retrato realista como faz o tatuador Gustavo Gomes custa de R$ 2 mil a R$ 3,5 mil e pode demorar até 8h para ficar pronto.

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