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Credores da Clealco rejeitam oferta por usina; empresa anuncia retomada de unidade

SÃO PAULO (Reuters) - A Clealco Açúcar e Etanol informou na noite de segunda-feira que credores da companhia em recuperação judicial recusaram uma oferta de 47 milhões de dólares pela usina de Queiroz (SP), por considerarem a oferta baixa.

"O motivo principal da não aceitação, além de a proposta não respeitar várias disposições do Plano de Recuperação Judicial homologado, foi o valor ofertado: menos de 15 dólares por tonelada de cana-de-açúcar...", disse a companhia em nota.

A oferta de compra da unidade foi feita pelo fundo norte-americano Amerra Capital Management LLC, que também é um dos credores da Clealco.

O fundo teria oferecido distribuir os 47 milhões de dólares aos credores que possuem valores a receber da usina próximos de 1 bilhão de reais, de acordo com uma fonte familiarizada com as negociações.

O Amerra, que é especializado em explorar oportunidades em ativos em dificuldades financeiras, já controla uma usina no Brasil, em Naviraí, Mato Grosso do Sul, cujo controle também foi adquirido por meio de negociação com os antigos proprietários, a Infinity.

Segundo a Clealco, a unidade de Queiroz está em plena operação e tem capacidade de moer 4,5 milhões de toneladas de cana por safra.

"A Clealco já está em negociações junto aos credores para que o prazo de venda dos seus ativos seja estendido, permitindo sua realização em um momento de condições mais favoráveis de mercado", acrescentou a companhia.

Com dívida de mais de 1 bilhão de reais, a Clealco tem três usinas em São Paulo com capacidade para moer cerca de 10 milhões de toneladas de cana por ano.

A empresa prevê encerrar a moagem da safra atual (2019/20) nos próximos dias, com moagem de 4,1 milhões de toneladas na unidade de Queiroz.

A Clealco informou ainda que, na safra 2020/21, as operações da unidade de Clementina devem ser retomadas.

A sucroenergética disse que intensificou o plano de plantio de cana-de-açúcar, tendo renovado mais de 12 mil hectares de canaviais em 2019 e com mais 15 mil hectares planejados para 2020.


(Por Marcelo Teixeira e Roberto Samora)