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Credit Suisse eleva estimativa de inflação para 2021 e vê pico de 7,1% em maio

·2 minuto de leitura
Notas de reais no centro cultural do Banco do Brasil no Rio de Janeiro

SÃO PAULO (Reuters) - O Credit Suisse elevou sua projeção para a inflação ao consumidor neste ano a 4,5%, de 4,2% no cenário anterior, após o anúncio de acréscimo nos preços da gasolina e do diesel, persistente aumento nos preços das commodities em reais nos últimos meses e preços ao produtor mais altos que o esperado para bens agrícolas e industriais.

Assim, a estimativa se distancia mais do centro da meta de inflação perseguida pelo Banco Central para este ano, de 3,75%, mas ainda se encontra abaixo do teto (5,25%) da banda de tolerância.

A mudança de prognóstico veio em relatório assinado por Solange Srour e Lucas Vilela. Segundo eles, o balanço de risco para a previsão do banco para o IPCA segue com viés de alta, devido sobretudo a três fatores: deterioração das contas públicas, risco de repasse maior à inflação ao consumidor vindo de preços ao produtor e uma recuperação mais persistente do que o esperado em medidas de núcleo de inflação.

O Credit Suisse calcula que o IPCA vai superar o limite da banda de tolerância para a inflação em março e que, em maio, baterá um pico de 7,1% na leitura em 12 meses, antes de gradualmente desacelerar para 4,5% em dezembro.

O banco suíço mantém expectativa de que o BC começará a normalizar a política monetária em março, com cinco altas seguidas de 0,50 ponto percentual levando a Selic da atual mínima recorde de 2% para 4,5% em setembro.

O "call" do Credit é que o BC elevará os juros reais para um patamar próximo a zero --que ainda seria estimulativo, considerando o cálculo do banco privado de que a taxa real neutra de juros está em 3,0% ao ano.

A instituição financeira ponderou, contudo, que trabalha com um cenário "não desprezível" em que o Copom precise continuar a aumentar os juros até remover completamente o estímulo monetário.

"Esse cenário poderia ocorrer na hipótese de derrapagem no processo de consolidação fiscal, desencadeando uma forte deterioração das condições financeiras e das expectativas de inflação, ou (na hipótese) de inflação e expectativas de inflação acima do centro da meta."

(Por José de Castro)