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Credit Suisse corta laços com alguns clientes ricos da Venezuela

Patrick Winters e Marion Halftermeyer
·2 minuto de leitura

(Bloomberg) -- O Credit Suisse cortou vínculos com vários clientes ricos da Venezuela ao avaliar o risco de fazer negócios com pessoas politicamente expostas no país marcado por sanções.

O segundo maior banco da Suíça reduziu os ativos que administra para os ricos do país em mais da metade nos últimos anos, para cerca de US$ 2 bilhões, de acordo com pessoas a par do assunto. O banco segue os passos do UBS, que no ano passado fechou certas contas vinculadas ao governo de Nicolás Maduro ou à estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA).

Um porta-voz do Credit Suisse não quis comentar.

Os bancos reforçam medidas de conformidade depois de pagar bilhões de dólares em multas nos últimos anos por violar sanções ou entrar em conflito com as leis de combate à lavagem de dinheiro. A Venezuela se tornou uma preocupação particular depois que o governo Trump intensificou as medidas contra o setor de petróleo do país na tentativa de conseguir a mudança do regime. A Suíça e outros países europeus também impuseram sanções às autoridades venezuelanas.

No ano passado, a agência reguladora suíça Finma pediu que UBS e Credit Suisse descrevessem como administram suas operações na América Latina, segundo reportagem anterior da Bloomberg. A Finma ampliou o diálogo com os bancos ao longo do ano passado para incluir controles e processos de conformidade em outros mercados emergentes, bem como trabalhar com gestoras de ativos de terceiros, disseram pessoas a par das discussões. Uma vez feita a avaliação, a agência provavelmente comunicará aos respectivos bancos suas conclusões e possíveis recomendações, disseram as pessoas.

Representantes da Finma e do UBS não quiseram comentar.

A América Latina é um terreno fértil para gestores de patrimônio offshore, pois muitas das famílias ricas da região buscam maneiras de proteger seus ativos da incerteza econômica e política. O Credit Suisse tinha cerca de 75 bilhões de francos (US$ 85,6 bilhões) sob gestão na região no final de 2019, de acordo com apresentação na época.

Em 2018, a Finma ordenou o banco a melhorar seus processos depois que o regulador encontrou deficiências de diligência prévia no combate à lavagem de dinheiro do Credit Suisse em relação à empresa de petróleo da Venezuela e outras partes. Como resultado da investigação, que abrangeu um período de 10 anos até 2016, a Finma também nomeou um monitor independente.

No mês passado, o Credit Suisse fechou um acordo para reforçar medidas contra a lavagem de dinheiro depois que o Federal Reserve identificou deficiências nas operações do banco suíço nos Estados Unidos.

A Finma criticou no ano passado o Julius Baer por não fazer o suficiente para prevenir a lavagem de dinheiro na América Latina. Em 2018, um dos ex-banqueiros do Baer foi condenado a 10 anos de prisão por sua atuação na lavagem de dinheiro desviado da PDVSA.

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