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Críticas à urna eletrônica tiveram 120 mil interações nas redes e origem de grupos bolsonaristas, aponta ONG

Aguirre Talento e André de Souza
·3 minuto de leitura
Reprodução
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A investigação preliminar realizada pela ONG SaferNet Brasil e encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF) detectou que as críticas ao funcionamento das urnas eletrônicas tiveram ao menos 120 mil interações nas redes sociais e partiram de perfis e grupos bolsonaristas, incluindo parlamentares. Isso indica que essas mensagens foram vistas por mais de 120 mil usuários das redes sociais e que foram impulsionadas pela força destes grupos nas redes.

A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), que recebeu o material, abriu uma investigação preliminar e encaminhou a documentação ao procurador-geral da República Augusto Aras para avaliar se há elementos para investigar os parlamentares. Caso Aras considere que é necessário aprofundar as investigações, ele terá que pedir abertura de inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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Diversos parlamentares citados na documentação já são alvos dos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos, em tramitação no STF. Além da ação dos parlamentares sob análise da PGR, a Polícia Federal tem uma outra linha de investigação que apura o possível crime cibernético caracterizado pela invasão de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Após ter realizado o monitoramento das redes sociais no domingo da eleição, a SaferNet produziu três planilhas com todas postagens que disseminaram críticas ao funcionamento das urnas eletrônicas e vincularam o ataque hacker ao TSE com uma suposta vulnerabilidade das urnas, apesar de não existir relação entre esses fatos.

Isso porque o hacker que acessou dados do TSE não teve acesso ao sistema das urnas eletrônicas, segundo fontes do tribunal e da Polícia Federal. As informações preliminares das investigações também indicam que a invasão ocorreu antes do dia da eleição.

Essas planilhas contabilizam cerca de 900 postagens de bolsonaristas com ataques às urnas e mostram que essas publicações tiveram 120 mil interações, dentre compartilhamentos, comentários e outros tipos de interação. Além disso, as planilhas revelam que publicações feitas por deputados federais bolsonaristas foram as que mais repercutiram nas redes sociais.

Nesse universo, a publicação que mais teve repercussão no Facebook, de acordo com esse monitoramento das redes, foi uma postagem da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) às 15h32 do domingo de eleição, na qual ela defendeu o voto impresso e fez uma vinculação entre o ataque hacker e uma suposta vulnerabilidade da urna eletrônica. Foram cerca de 50 mil interações. Logo depois, uma postagem da deputada federal Alê Silva (PSL-MG) teve cerca de duas mil interações.

Em outra rede social, o Instagram, a mesma postagem da deputada Bia Kicis também teve o maior número de interações, segundo o levantamento. Foram cerca de 35 mil interações.

As parlamentares Alê Silva e Bia Kicis são alvos do inquérito que apura a organização de atos antidemocráticos e chegaram a ter seus sigilos bancário quebrados por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

As postagens com ataques às urnas eletrônicas foram reproduzidas em grupos de apoio ao presidente Jair Bolsonaro, grupos de apoio à criação do seu novo partido (o Aliança pelo Brasil), páginas que pedem o retorno da ditadura militar e outras páginas identificadas com o bolsonarismo.

Na representação encaminhada à PGE, a ONG SaferNet apontou suspeitas de os hackers terem atuado para desestabilizar a democracia brasileira e a serviço de grupos políticos "com interesses em desacreditar a Justiça Eleitoral".

"Em que pese não haver qualquer indício ou evidência de vazamento de qualquer dado que possa estar relacionado ao processo eleitoral, um grupo de parlamentares, influenciadores digitais e outros atores políticos engajaram-se em narrativas conspiratórias sobre supostas fraudes nas urnas eletrônicas e no processo de apuração e totalização de votos, através da disseminação massiva de mensagens e conteúdos enganosos nas redes sociais, e que sugerem algum grau de coordenação nas postagens, como evidenciado nos documentos 01, 02 e 03 anexo", escreveu o presidente da SaferNet Brasil, Thiago Tavares.