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Crítica The Witcher │Temporada 2 deixa série mais madura e interessante

·10 min de leitura

Eu não gosto da primeira temporada de The Witcher. Apesar de ter feito muito sucesso, a ponto de garantir novos episódios e alguns spin-offs, a série ainda parecia algo de baixo orçamento, com atuações bem medianas e caracterizações que pareciam ter saído de uma novela bíblica. Por isso, minhas expectativas para a segunda temporada estavam bem parecidas com o carisma de Henry Cavill: próximas de zero.

E qual foi a minha surpresa ao me deparar com uma nova leva de episódios genuinamente bons? A temporada 2 de The Witcher chega à Netflix não apenas muito mais madura tecnicamente, mas com um roteiro muito mais amarrado e decidido da história que quer contar. Embora ainda traga alguns problemas — carregados com o sobrenome de Vengerberg —, a série retorna com uma aventura muito mais divertida e cativante, de um jeito que te prende e te faz querer mais desse mundo fantástico.

Mais incrível ainda é que essa reviravolta se baseia principalmente na figura do Geralt de Cavill. Ainda que o ator siga com a expressividade de um joelho, é esse jeito sisudo e pouco desenvolto que combina tão bem com o carisma de Ciri (Freya Allan), que é a dona da série nesta segunda temporada. Enquanto a princesa de Cintra era apenas a jovem em perigo no início da história, agora temos alguém muito mais forte e com um excelente arco de crescimento — além de trazer muito coração para a trama.

A família improvável

Existem dois grandes pontos norteando esse retorno de The Witcher. O primeiro deles é a noção de família, destacando principalmente que ela não é algo que nasce com o indivíduo, mas laços que se constroem pela vida. Isso é algo que vai ganhar um peso muito grande na terceira temporada, mas que já se torna muito relevante por aqui tanto na relação dos dois protagonistas quanto na introdução de Kaer Morhen e dos demais bruxos que fazem parte da vida de Geralt.

Essa família é muito unida, mas também muito ouriçada (Imagem: Divulgação/Netflix)
Essa família é muito unida, mas também muito ouriçada (Imagem: Divulgação/Netflix)

E essas duas frentes são aquilo que há de melhor nos novos episódios. De um lado, a dinâmica de Ciri e Geralt é muito boa, personificando a velha estrutura do pai improvável. É interessante ver como alguém tão sisudo e fechado quanto o bruxo começa a amolecer e a demonstrar afeição pela garota a cada novo episódio. E o que começa apenas como um cuidado por responsabilidade logo se transforma em algo fraternal.

Ainda que Cavill continue sendo um ator muito limitado — o que combina bem com o jeito de Geralt, para ser sincero —, ele consegue fazer essa transição muito bem de modo que você percebe em seu olhar e em suas reações o quanto ele se importa e se preocupa com a garota.

É interessante ver como a direção da série soube usar muito bem a pouca expressividade do ator para surpreender o espectador em relação a essa suavização do Lobo Branco. Embora esse arco do despertar da paternidade seja algo bastante conhecido, a gente não espera algo tão bem-feito a partir desse personagem em específico, de modo que você se vê completamente rendido quando tudo acontece.

Ciri é facilmente a melhor coisa de toda a série (Imagem: Divulgação/Netflix)
Ciri é facilmente a melhor coisa de toda a série (Imagem: Divulgação/Netflix)

E muito disso está no ótimo trabalho de Ciri, que é a personagem que rouba toda a série para ela. Ao abandonar a figura da donzela em perigo, ela assume não só o protagonismo, mas um papel tão carismático que é fácil entender por que ela é o coração de toda a franquia Witcher.

Todo o mistério em torno de sua origem é instigante e acompanhar seu treinamento é igualmente divertido, o que faz com que todo momento em que ela está em cena seja motivo de comemoração. Por sorte, a Leoazinha de Cintra tem um tempo considerável de tela nesta temporada.

Ao mesmo tempo, essa relação dos dois combina muito bem com a interação existente entre os próprios bruxos. Ao apresentar a fortaleza de Kaer Morhen, The Witcher introduz uma série de novos personagens muito carismáticos e que apenas enriquecem toda essa dinâmica familiar. A começar pelo próprio Vesemir (Kim Bodnia), que incorpora bem essa figura do pai de Geralt, indo da afeição aos filhos que retornam ao velho preocupado que faz o que precisa ser feito para a segurança de todos.

Toda a construção do arco sobre família é muito boa nesse retorno de The Witcher (Imagem: Divulgação/Netflix)
Toda a construção do arco sobre família é muito boa nesse retorno de The Witcher (Imagem: Divulgação/Netflix)

Aliás, isso é muito bem usado para quebrar a imagem dos bruxos como pessoas frias e sem sentimentos. O próprio roteiro usa esse contraste a seu favor, mostrando que Geralt e companhia não são esses caçadores de monstros sem coração, mas pessoas comuns com relações comuns — e vê-los nesse papel é muito divertido e interessante de acompanhar, reverberando outro ponto importante dos novos episódios.

O que é um monstro

O outro grande norte que fundamenta a nova temporada de The Witcher — ainda que um pouco mais discreta, mas ainda muito mais importante — é sobre o que é realmente um monstro.

A série até chega a introduzir uma explicação para o que são as criaturas que infestam o Continente e que precisam ser caçadas pelos bruxos, mas a temática vai além da literalidade e entra em um debate mais filosófico, questionando ações. Afinal, eles são monstros apenas por atacarem humanos? Então os humanos que se matam não seriam monstros iguais?

Primeiro episódio já entrega discussão que se estende por toda a temporada (imagem: Divulgação/Netflix)
Primeiro episódio já entrega discussão que se estende por toda a temporada (imagem: Divulgação/Netflix)

Isso é muito bem representado já no primeiro episódio da série. Embora seja o mais deslocado do arco desenhado pela temporada, ele é fundamental para plantar a pergunta que vai apresentar respostas nos episódios finais e ecoar nas próximas temporadas. E a adaptação do velho conto da Bela e a Fera funciona muito bem para ilustrar todos esses pontos.

E é nisso que a suavização da imagem dos bruxos e do próprio Geralt se apoia. Não que isso fosse necessário para o público que acompanha a história, mas é interessante ver como os seres que o mundo odeia são tão humanos e afetuosos enquanto as pessoas comuns — e que são essas que seguem por aí caçando e torturando elfos sob os mais diferentes pretextos.

Só que, mais do que trazer uma lição de moral barata, o questionamento sobre o que é um monstro é algo que vai ecoar em personagens principais, como a própria Ciri e principalmente em Yennefer (Anya Chalotra) — ainda que, neste último caso, acabe revelando o verdadeiro calcanhar de Aquiles de toda a série.

Personagens sem propósito

Lembra quando eu falei que eu não gostei da primeira temporada de The Witcher? Parte da responsabilidade por isso é justamente de Yennefer, uma das coisas mais atrozes de toda a série e que ainda se mantém completamente fora de tom por aqui.

Sério, de quem foi a ideia de escalar essa moça? (Imagem: Divulgação/Netflix)
Sério, de quem foi a ideia de escalar essa moça? (Imagem: Divulgação/Netflix)

A todo momento, há alguém se referindo a ela como alguém forte, confiante, perigosa e extremamente dúbia e não confiável. Ela deveria ser aquela pessoa que está em um nível tão acima dos demais que parece ser inalcançável. O problema é que a atriz não consegue chegar nem perto disso, ficando sempre com aquela cara de alguém confusa e vulnerável. E por mais que a segunda temporada tente amenizar isso ao deixá-la realmente confusa e vulnerável, ela ainda não consegue entrega nada do que a feiticeira exige.

Só que esse não é o maior problema envolvendo a personagem nestes novos episódios de The Witcher. A grande questão é que, mesmo com essa solução encontrada para que a sua atuação não seja tão sofrível, Yennefer está completamente sem propósito na temporada, de modo que ela poderia ser cortada da história e todos os acontecimentos seriam os mesmos.

Parece implicância, mas não é. Entregando um pequeno spoiler, o arco da feiticeira começa com ela se deparando com uma entidade antiga que rouba seus poderes e, para conseguir reavê-los, precisa levar Ciri para esse espírito do mal. Só que ela passa a temporada inteira andando em círculos e nem chega a ameaçar fazer essa traição.

O arco dos elfos é inteiro muito chato e mal-conduzido para levar a algo importante nas próximas temporadas (Imagem: Divulgação/Netflix)
O arco dos elfos é inteiro muito chato e mal-conduzido para levar a algo importante nas próximas temporadas (Imagem: Divulgação/Netflix)

Há um breve momento de indecisão, uma aproximação-relâmpago entre as duas e nada mais. Só que essa entidade escapa de qualquer forma e consegue chegar a Ciri sem depender de Yennefer, o que faz com que toda a participação da feiticeira seja irrelevante. Ela poderia ser substituída pela anã de barba que aparece por três segundos em um episódio que não faria a menor diferença para a história geral.

A mesma coisa acontece com Jaskier (Joey Batey), que retorna apenas porque o algoritmo da Netflix ordenou. A presença do bardo só é necessária para trazer uma nova música que vai viralizar — e que é realmente boa —, como aconteceu na primeira temporada, já que ele não é relevante para a história que está sendo contada. Há um gancho de que ele pode se tornar mais importante no futuro, mas não há nada aqui que justifique até mesmo esse peso vindouro.

E esse é um problema que se repete em outros núcleos. Todo o arco dos elfos, dos magos e de Nilfgaard parecem deslocados, andando em círculos para que, nos episódios finais, apontem juntos para algo que ainda vai acontecer lá na frente. São promessas que não se realizam em momento algum e que torna tudo muito chato.

Jaskier retorna só porque o algoritmo queria uma música nova (Imagem: Divulgação/Netflix)
Jaskier retorna só porque o algoritmo queria uma música nova (Imagem: Divulgação/Netflix)

É claro que é bom ver um planejamento, com a trama ficando mais complexa e apontando para eventos que vão ser importantes lá na frente. Só que isso tem que ser bem construído, com pequenos arcos que se resolvam aqui e apontem em direção a algo maior lá na frente — o que não acontece.

Toda a conspiração dos magos e a cruzada dos elfos acabam não tendo utilidade alguma para a temporada e ganham tempo de tela de arco central, o que torna tudo muito arrastado. Assim, você se torna obrigado a acompanhar histórias que não entregam nada enquanto espera Geralt e Ciri voltarem.

Muito problemas, mas ainda bom

Apesar de ainda carregar uma coleção de problemas, a nova temporada de The Witcher sai com um saldo bastante positivo graças à força de seus protagonistas e da história em torno deles. Ciri é o coração de toda a série e todos os que estão em torno dela crescem assustadoramente bem de modo que o seriado como um todo se beneficia.

Mesmo com todos os problemas, saldo da série ainda é bem positivo (Imagem: Divulgação/Netflix)
Mesmo com todos os problemas, saldo da série ainda é bem positivo (Imagem: Divulgação/Netflix)

É claro que o fato de a base de comparação ser baixa ajuda bastante. Como dito, a primeira temporada de The Witcher é muito fraquinha e ver um amadurecimento geral da produção faz toda a diferença. E não apenas no fato de o orçamento ter melhorado a ponto de não ser mais preciso esconder os monstros, mas de ter uma história mais bem construída e desenvolvida.

Da literatura aos games, The Witcher é uma saga que deixa uma legião de fãs por onde passa e o mínimo que a gente espera é ver algo nesse nível de qualidade também na TV. E por mais que a adaptação da Netflix ainda tenha muito o que melhorar, o simples fato de ter deixado a cara de novela bíblica para trás já é um grande ganho. Assim como seus protagonistas, ela cresceu e se tornou muito mais madura — mas sem esquecer de seu coração. Resta agora aparar suas arestas.

The Witcher está disponível no catálogo da Netflix.

Fonte: Canaltech

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