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Crítica | Um Brinde ao Natal: muito tempo e pouco desenvolvimento

·6 minuto de leitura

O final do ano é aquela época em que todo mundo fica super sentimental e resolve abrir o coração para os amigos e familiares, planejando diversos discursos de gratidão, desculpas ou um simples desejo de um ano novo melhor. Esse emocionalismo típico acaba dando uma boa margem para os estúdios usarem e abusarem dos mais exagerados clichês nas comédias românticas, dando um leve toque natalino e voilá: mais um filme para a lista de maratona de Natal dos fãs do gênero.

Com todo mundo em casa, a Netflix não economizou nos títulos do tema. Em novembro, a plataforma de streaming já se despedia do catálogo de Halloween e abriu espaço nas prateleiras do catálogo para o romance embaixo do visco, as belas paisagens na neve e os beijos desesperados para quando o relógio marcar meia-noite no dia 31 de dezembro. Entre erros (Amor com Data Marcada e Sintonizados no Amor) e acertos (Dash & Lily e Uma Invenção de Natal) a empresa disponibilizou recentemente um filme que se não se encaixa nem no bom e nem no ruim, ocupando uma posição medíocre no catálogo: Um Brinde ao Natal. Surpreendentemente, o filme permanece no Top 10 da Netflix de filmes mais vistos do Brasil há pelo menos uma semana.

Atenção! A partir daqui esse texto contém spoilers do filme Um Brinde ao Natal. Leia por sua conta e risco.

Com enredo capaz de agradar adolescentes apaixonados, Um Brinde ao Natal é o famoso "mais do mesmo" (Imagem: Divulgação / ESX Entertainment)
Com enredo capaz de agradar adolescentes apaixonados, Um Brinde ao Natal é o famoso "mais do mesmo" (Imagem: Divulgação / ESX Entertainment)

Com um enredo que parece ter sido tirado diretamente de uma fanfic, Um Brinde ao Natal é aquele tipo de filme que não tem absolutamente nada de novo para mostrar, e o sucesso talvez seja justificado por conta da trama que, por mais batida que seja, funciona com os fãs de clichê. A história marca a estreia de Shaun Paul Piccinino (que possui um currículo enorme como dublê) e acompanha o playboy Joseph (Josh Swickard) que é a própria personificação daquele cara que nunca trabalhou na vida porque, de fato, nunca precisou. Com um rostinho bonito, físico padrão, dinheiro no bolso e todos os luxos da vida sendo lhe dado de mão beijada, o protagonista possui zero desenvolvimento nas primeiras cenas, mas a verdade é que não é necessário: o filme realmente quer que o espectador leve o famoso ditado "a primeira impressão é a que fica" como parte da experiência.

Joseph é herdeiro (piadas à parte) de uma grande empresa familiar, que logo nos primeiros dez minutos do filme exige do mocinho o cumprimento de uma grande tarefa corporativa: ele precisa convencer Callie (Lauren Swickard, que também assina o roteiro), atual dona de uma enorme fazenda afundada em dívidas na Califórnia, a vender as terras da família por uma altíssima quantia de dinheiro. A missão, que parece ser fácil, possui alguns obstáculos, afinal a jovem não quer desfazer do local em que viveu durante sua infância inteira, mas vive no impasse de não conseguir pagar as contas.

O casal principal (que também é um romance atrás das câmeras) até tenta, mas não consegue sustentar o filme todo (Imagem: Divulgação / ESX Entertainment)
O casal principal (que também é um romance atrás das câmeras) até tenta, mas não consegue sustentar o filme todo (Imagem: Divulgação / ESX Entertainment)

Logo no primeiro encontro do casal protagonista, Joseph possui a brilhante ideia de fingir ser o ajudante da fazenda que Callie contratou recentemente. Desse modo, segundo o plano bolado em menos de dez segundos, ele pode criar uma certa intimidade com ela a ponto de convencê-la a vender a fazenda para a empresa de sua família, sem revelar sua identidade. É claro que na cabeça dele não há a menor condição dele se apaixonar pela fazendeira, afinal ele possui um coração de pedra em que a hipótese de se envolver emocionalmente com qualquer outra mulher é fora de cogitação.

É claro que essa situação, se bem desenvolvida, funciona. Um dos clássicos de romance Um Amor Para Recordar (2002) parte exatamente dessa premissa de juntar o Bad Boy com a Princesinha e de repente a protagonista age como uma clínica de reabilitação para homens desvirtuados e a mais breve convivência de ambos transforma o rapaz em outra pessoa, diferente da qual ele foi durante toda a sua vida. Esse tipo de enredo, além de já ter sido reaproveitado de diversas maneiras ainda reforça o estereótipo de que mulheres "consertam" homens errados, criando uma enorme ilusão para meninas adolescentes cuja educação emocional ainda está sob desenvolvimento.

Um Brinde ao Natal não economiza nas cenas românticas entre os dois personagens principais (Imagem: Divulgação / ESX Entertainment)
Um Brinde ao Natal não economiza nas cenas românticas entre os dois personagens principais (Imagem: Divulgação / ESX Entertainment)

Não demora muito para Joseph e Callie começarem a se conhecer melhor e criarem uma proximidade, afinal, passam muito tempo juntos trabalhando na fazenda. O romance logo passa a tomar conta da tela rendendo diversas cenas com inúmeros beijos apaixonados e até muito mais íntimos entre o casal, que inclusive, também formam um par romântico fora das telas graças ao filme Roped (2020), que também estrelaram juntos. A química real até ajuda um pouco os personagens principais na troca de olhares e emoção nítida de um namoro recentemente iniciado, mas não sustenta as quase duas horas de filme que vêm pela frente.

Os personagens coadjuvantes servem muito mais como uma escada para o fechamento do arco do casal protagonista, com qualquer ação, fala ou o menor do desenvolvimento sempre girando em órbita de ambos os personagens. Callie possui uma mãe com câncer, mas a relação entre as duas é pouco explorada e o assunto acaba vindo à tona quando é conveniente para a evolução do relacionamento com Joseph. O mesmo acontece com sua irmã mais nova e um ex-namorado problemático que faz poucas, mas pontuais aparições no filme.

Um Brinde ao Natal de "Natal" não tem nada (Imagem: Divulgação / ESX Entertainment)
Um Brinde ao Natal de "Natal" não tem nada (Imagem: Divulgação / ESX Entertainment)

Além disso, Um Brinde ao Natal não é necessariamente um filme de Natal; e isso não tem nada a ver com o clima quente ou a ausência da neve, afinal, esses elementos não afetaram outros longas da Netflix, como Tudo Bem No Natal Que Vem e Missão Presente de Natal. O enredo não depende e nem gira em torno do feriado uma única vez, tornando-o praticamente dispensável, mas dando a mensagem errada ao incluí-lo no título tanto em português quanto o original (A California Christmas, de acordo com a distribuição oficial).

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Além disso, o filme não se preocupa uma vez sequer em apresentar o território em que a fazenda, que acaba tornando-se o cenário principal da trama, acontece. Wine Country é localizada no norte da Califórnia e carrega uma fama global em ser uma região vinícola de primeira categoria, mas o roteiro e a direção lembram dessa característica apenas nos quinze minutos finais da produção, em que o vinho produzido pela fazenda acaba tornando-se o salvador de todos os problemas de dívidas e até do romance de Callie e Joseph, deixando o espectador com a impressão de que não prestou atenção em algo no filme inteiro.

Um Brinde ao Natal não entrega nada de novo e pode se tornar cansativo devido ao pouco desenvolvimento e longa duração. Dispensável da maratona de filmes natalinos, o título está disponível na Netflix.

Fonte: Canaltech

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