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Crítica Top Secret: Ovnis | Série falha mostrando muito e dizendo nada

·9 minuto de leitura

Se alguma prova real sobre alienígenas surgisse exatamente agora, o que faríamos? Imagine ligar a TV e todos os noticiários dizerem que o governo dos EUA revelou toda sua extensa trajetória de contatos e negociações com espécies alienígenas, que frequentam a Terra a turismo e fazem isso há milhares de anos. Ficaríamos calmos ou veríamos o caos se instaurar? E se descobríssemos que grandes empresas privadas detêm tecnologia de ponta e secreta, com gastos estratosféricos que desviam dinheiro para o desenvolvimento de armamentos para uma Guerra Fria que nunca terminou?

Tudo isso, em alguma medida, faz e não faz sentido. Faz sentido que, se houvesse contato com alienígenas, seria sensato da parte do governo evitar o caos generalizado. Por outro lado, se vivemos em uma democracia e se a lei do país incentiva o acesso à informação, por que os governos escondem os dados? A sequência de perguntas óbvias poderia ser feita por uma criança em fase de alfabetização ou por um PhD em astrofísica, porque revelam as curiosidades mais óbvias, sinceras e filosóficas sobre o assunto: o que é tudo isso e o que está acontecendo? Por que tem um pessoal gritando sobre homenzinhos azuis brilhantes e discos voadores que abduzem vacas?

Atenção! A partir daqui, a crítica pode conter spoilers.

Tecnicamente falando...

Top Secret: Ovnis é um trabalho canastrão: enquanto a narração induz o tom de teoria da conspiração, as imagens não contribuem nem um pouco para que o espectador deduza o que é ficção e o que é realidade. Reconstituições de memórias e relatos são quase risíveis com animações 3D terríveis e, assim como as imagens de arquivo que fazem parte do roteiro e as entrevistas, dividem espaço com uma profusão de imagens de ETs, OVNIs e outras coisas que ilustram o conteúdo da narração e as declarações.

Imagem: Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

Com uma montagem agitada, que não parece confiar no conteúdo do documentário para cativar a atenção do público, a edição nos faz pular de uma coisa para outra, como se todas as conexões já estivessem subentendidas. Um exemplo de fluxo de imagens pode nos ajudar a entender toda a montagem da série.

No episódio "Segredos Soviéticos", há um momento em que saímos de uma reconstrução animada e somos levados a imagens de documentos que não conseguimos ler. Depois disso, a montagem intercala os personagens da animação olhando para o metal alienígena e nos revela diversos objetos misteriosos não-identificados. Esses poucos segundos já nos mostram como o documentário mostra muito e diz nada, mas como a acusação não é pequena, tudo ganha enormes proporções logo em seguida.

Dos metais e objetos, somos jogados para uma imagem do Pentágono e do Ministério de Defesa Russo, para logo em seguida já estarmos em alto-mar, submergindo, encontrando um submarino que, por sua vez, encontra um Objeto Submarino Não identificado (OSNI). Real? Não, mais uma animação 3D. E assim são todos os episódios, uma verdadeira profusão de colagens, um trabalho que soa muito preguiçoso ou muito pouco pensado, o que é realmente estranho para quem está tentando provar alguma coisa. Mas será que eles foram censurados? E é aí que está a graça de tudo: se tudo o que eles estão falando sobre o governo é real, será que o documentário foi propositalmente editado de forma a descredibilizar os entrevistados?

Imagem: Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

A virada

O primeiro episódio é péssimo no sentido de tentar nos convencer sobre qualquer coisa — o que até entendemos, já que a grande revelação deve estar sendo guardada para o final. Esse início, no entanto, é perfeito para situar os defensores da ufologia como vítimas. Top Secret: Ovnis mostra que as pessoas têm apenas seus relatos, porque as provas são confiscadas pelo governo.

Com um desenvolvimento mais ou menos cronológico, os episódios dão a entender que somos visitados há muito tempo e que, de fato, durante algumas décadas os discos voadores eram como nos filmes. Tudo coincide, porque é tudo verdadeiro, mas as provas não existem para serem mostradas, porque foram recolhidas pelo governo. Tudo isso soa como uma perfeita teoria da conspiração, mas o documentário estava só começando quando evocou os casos mais clichês e comentados da história.

Após entregar mais do mesmo, com promessas de aliens que nunca aparecem, os relatos começam a indicar uma mudança de postura da comunidade ufóloga. Em vez de tentarem demonstrar o que, já sabemos, eles não têm como provar (mesmo que estejam certos), os especialistas e testemunhas assumem que são uma piada aos olhos de muitas pessoas e convocam os descrentes a descobrirem a verdade por si próprios — e não precisamos ir longe, porque até o famoso ET de Varginha é tomado como um relato-prova.

Imagem: Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

A ufologia sofre uma descrença ainda maior em tempos de internet e redes sociais, mas essas mesmas ferramentas estão sendo utilizadas para tentar provar o que quer que sejam esses avistamentos. Ao longo dos episódios, o tom da série muda e, apesar de ainda ouvirmos histórias sobre viajantes interdimensionais e aliens humanóides azuis, os principais entrevistados começam a atiçar nossa curiosidade no melhor sentido possível.

A postura muda de “aliens existem” para “tem alguma coisa aí”. O motivo da mudança foram as recentes declarações do governo dos EUA, que admitiram algumas imagens como OVNIs, ou seja, objetos voadores não-identificados, o que não necessariamente quer dizer que era uma nave alienígena. O documentário nos leva a pensar sobre segredos, coisas que são ditas e depois abafadas, acontecimentos que são simplesmente ignorados e que, cada vez mais, reúnem curiosos em buscas de respostas.

Cultura pop

É interessante também como possíveis provas alimentam hollywood e, não a toa, os melhores filmes de alien são de lá. Steven Spielberg defende aliens bondosos, George Lucas fala de uma ordem espacial bastante desenvolvida e, mais recentemente, A Guerra do Amanhã mostrou o Triângulo Belga como inspiração e juntou todas as teorias: uma nave interrompe o jogo de futebol e não são aliens que saem dela, mas sim humanos do futuro que usaram engenharia reversa para criar uma tecnologia capaz de levá-los ao passado, quando convocam soldados para uma batalha alienígena no futuro.

Imagem: Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

A não tão conhecida comédia Paul: O Alien Fugitivo é um perfeito resumo de tudo o que Top Secret: Ovnis tenta nos dizer: os aliens já chegaram, já estão entre nós e as provas já estão aí. Acredita quem quer. A cultura pop foi um modo de nos acostumarmos à ideia, mas, em algum momento, o lado maligno da humanidade entra em jogo e o governo começa a fazer de tudo para tentar acobertar a existência dessas informações ultrasecretas enquanto trata os espécimes como cobaias de laboratório. Tudo isso faz algum sentido, e justamente por isso soa como uma teoria da conspiração, caso contrário seria mais fácil de derrubar, como o terraplanismo: todos nós conseguimos demonstrar que a Terra não é plana, mas não conseguimos provar que o governo dos EUA não está criando essa grande manipulação digna de MIB: Homens de Preto.

Descrença

Embora a série documental da Netflix afirme que os avistamentos de OVNIs têm crescido e se tornado mais consistentes ao longo dos anos, são poucos os relatos mais recentes, ainda que a maioria destes se apoiem nas imagens que foram supostamente comprovadas como verdadeiras. Mais uma vez, no entanto, não temos as provas dessas alegações. Uma pesquisa rápida em ferramentas de pesquisa como o Google também revela artigos que indicam um decréssimo no número de casos reportados, mas isso também poderia ser explicado pelo fato de que as pessoas sabem que entrarão para a história como "loucas" ou mentirosas.

O grande problema é que os episódios não nos dão um guia do caminho a ser traçado em busca do conhecimento, embora diversos artigos, livros e pesquisadores sejam citados ao longo da série. Mesmo assim, seis horas é tempo suficiente para nos entregar alguma ferramenta de discernimento, mas tudo o que ganhamos como estratégia de pensamento é a dúvida: será que o que nos informa não está sendo manipulado? E, assim, parece que estamos sendo usados através de um recurso narrativo não muito honesto.

Imagem: Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

Apesar dos claros problemas, podemos notar algumas camadas interessantes nesse recurso. Os relatos apelam bastante para a veracidade impressa nos relatos, como quando somos capazes de sentir que uma pessoa está falando a verdade, mesmo que esteja contando o mais absurdo dos fatos, deixando claro que algo aconteceu. Se essas pessoas alegam estar dizendo a verdade, elas merecem ser respeitadas, independentemente do fato de terem visto um OVNI ou uma arma secreta do governo. Infelizmente, o respeito pela verdade subjetiva do outro não parece ser algo que temos cultivado enquanto humanos.

Por outro lado, os ufólogos começam a aderir uma postura mais séria e investigativa e menos dependente das explicações científicas: ao invés de tentarem provar porque os discos voadores têm esse formato, por exemplo, os entrevistados explicam que não têm como fornecer nada além da sua palavra e colocam nas mãos das autoridades a responsabilidade por falar abertamente sobre o assunto com o seu povo. O problema, claro, é acabar revelando detalhes estratégicos para o inimigo, a Rússia.

Imagem: Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

Nesse ponto, Top Secret: Ovnis volta a evocar a descrença do espectador. Em resumo, podemos entender que extraterrestres de diferentes espécies vêm à Terra e fazem ações aparentemente aleatórias de turismo, pesquisa e interferência direta na nossa evolução e na nossa política. A ufologia provaria a Guerra Fria como consequência de um fenômeno interplanetário, com EUA e Rússia se desenvolvendo a partir de engenharia reversa alienígena. Embora os eventos que culminaram na queda do Muro de Berlim tenham marcado o fim dessa corrida armamentista nos livros de História, o documentário esclarece que as brigas continuam a todo vapor. E com aliens.

Estamos descrentes. A desigualdade social aumenta conforme vemos o turismo espacial se tornar uma opção, nos aproximando muito mais do cenário de Elysium do que das promessas nerds de aventuras intergaláticas. O capítulo final deixa claro: tem alguma coisa muito errada, os governos não estão conquistando a nossa confiança a nível global e parece que realmente estamos vivendo o apocalipse. É tudo tão desesperador que, ao final de tudo, a série coloca a esperança da nossa salvação nas mãos de seres que nem sequer podemos ter certeza que existem.

Top Secret: Ovnis está disponível no catálogo da Netflix.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Canaltech.

Fonte: Canaltech

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