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Crítica: ‘Solos’ aposta em autorreflexão para não parecer ‘Black Mirror’ do Prime Video

·7 minuto de leitura
Crítica: ‘Solos’ aposta em autorreflexão para não parecer ‘Black Mirror’ do Prime Video
Crítica: ‘Solos’ aposta em autorreflexão para não parecer ‘Black Mirror’ do Prime Video

Infelizmente, ‘Black Mirror‘ afetou todas as antologias e quase todos os programas ambientados em um futuro próximo que estão sendo ou serão produzidos. Ao público que acompanha os episódios desde 2011, deve ser difícil acompanhar qualquer série que seja levemente semelhante ao sucesso da Netflix e não afirmar: “isso aqui é muito ‘Black Mirror”. Logo, é inevitável a comparação com ‘Solos‘, do Amazon Prime Video, que obviamente quis trazer algumas situações da atração do streaming vizinho.

Por si só, produções antológicas tem o difícil objetivo de cativar o público em somente alguns minutos de tela, tal qual a razão que o roteiro precisa ser bem montado – com o famoso “começo, meio e fim”. Tal qual ‘Black Mirror’ e ‘Love Death + Robots’, a série criada por David Weil (‘Hunters: A Caçada’) discute as relações da tecnologia com a humanidade, porém aposta exageradamente no lado mais pessoal de cada personagem, que troca os plot twists utilizados no seriado da Netflix por monólogos de autorreflexão. Menos sobre o contexto high tech e mais sobre a raiva humana, cada episódio é feito de forma nua e crua, utilizando da tão famigerada premissa futurista apenas como cenário para solilóquios espetaculares, que mais destacam o talento do grande elenco do que ‘Solos’ em si.

'Solos': em apenas 25 minutos, Anthony Mackie entrega a melhor atuação dele na carreira. Imagem: Jason LaVeris/Amazon Studios
‘Solos’: em apenas 25 minutos, Anthony Mackie entrega a melhor atuação dele na carreira. Imagem: Jason LaVeris/Amazon Studios

Visualmente simples, grandiosos e frequentemente atraentes, os sete episódios da série com cerca de 30 minutos cada chegam carregados de frases existenciais, derramamentos de lágrimas e jamais deixam a atuação pecar, apesar de variarem em qualidade de roteiro. Um aspecto envolvente do show é, ao menos algo que considero, dar espaço para mostrar o quão impecáveis são os atores e atrizes em tela – artistas que tendemos a associar hoje em dia à produções blockbusters ou hits de streaming.

A começar com Anthony Mackie (‘Falcão e o Soldado Invernal‘), que entrega uma das melhores atuações da carreira dele, ao menos por ora. Versátil no papel de Tom, um homem que pretende achar um jeito de cuidar de sua família após a morte, ele sabe variar em tela da pegada “sarcástica e babaca” ao pai emocionado em questão de segundos, o que junto à uma boa fotografia e trabalho de câmeras ajuda a destacar melhor as emoções durante o monológo. Mesmo com a moral piegas e bela de “reconhecer as pequenas coisas ao longo vida”, o ator consegue crescer em cena e conectar o espectador com a história, apesar da premissa complexa em um curto episódio.

Helen Mirren faz o público refletir sobre a importância da vida em ‘Solos’. Imagem: Jason LaVeris/Amazon Studios
Helen Mirren faz o público refletir sobre a importância da vida em ‘Solos’. Imagem: Jason LaVeris/Amazon Studios

Esse mesmo sentimento percorre todos os demais episódios da série, incluindo o protagonizado por Helen Mirren (‘Velozes e Furiosos‘), que vive uma mulher idosa que a vida toda se preocupou em não incomodar as pessoas e, por isso, se sente solitária e invisível. A atuação de forma quse perfeita e crescente ao longo da capítulo, digna de um atriz como ela, é abrilhantada por uma autoanálise cômica e saudosa, sem beirar muito o drama. A inteligência artificial e viagem ao espaço são fatores que só constroem o ambiente a auxiliam no destaque à reflexão de Peg sobre o quão ela deveria ter tido amor próprio e aproveito a vida.

Anne Hathaway (‘Os Miseráveis’) como Leah é engraçada e sabe variar emocionalmente quando pede. O episódio, que talvez seja o que mais se pareça com ‘Black Mirror’ da série do Prime Video, fala sobre viagem no tempo e brinca com várias referências à produções atuais, como ‘Vingadores: Ultimato’ e até ‘De Repente, 30’. Com a lição de moral bem definida – a de “não tentar antecipar o futuro”, a atriz foge da solitária autorreflexão para criar conversas com as outras personagems – que, no caso, é ela mesma em outras épocas – e surpreende em um episódio dinâmico que, talvez, engane o público. Por ser o primeiro de ‘Solos’, o espectador pode criar uma expectativa alta e não aproveitar os capítulos cheios de do monólogos a seguir.

Anne Hathaway é Leah em 'Solos'. Imagem: Jason LaVeris/Amazon Studios
Anne Hathaway é Leah, uma cômica e determinada cientista, em ‘Solos’. Imagem: Jason LaVeris/Amazon Studios

A verdade é que o elenco mais conhecido atua muito bem, o que já é esperado, mas há outros protagonistas que roubam o destaque em ‘Solos’ e Constance Wu (‘Podres de Ricos) é o melhor exemplo. Em uma pegada melodramática, a atriz se entrega totalmente ao texto no capítulo mais cativante da série, em um enredo que envolve o espectador através da aflição. Sem saber onde está, a personagem dela, Jenny, conta a história de vida diretamente olhando para o público e varia do riso descontraído ao choro sufocante em atuação sincera. Resumindo: é ela, o roteiro e nada mais.

‘Solos’: Constance Wu traz o episódio mais impactante da série. Imagem: Jason LaVeris/Amazon Studios
‘Solos’: Constance Wu traz o episódio mais impactante da série. Imagem: Jason LaVeris/Amazon Studios

No episódio de Wu, novamente, os elementos de ficção científica só servem como base. Já o mesmo não acontece com Uzo Aduba (‘Orange Is the New Black’) no quarto capítulo, que retrata a dependência tecnológica e a saudade do afeto humano em meio ao isolamento social causado (pasmem) por uma pandemia. Alusão ou não à covid-19, a construção do roteiro é entendiante, clichê e pode soar como uma “piada de mal gosto”. Felizmente, isso não impede a atriz de exibir uma atuação segura e satisfatória.

Uzo Aduba entrega forte atuação em episódio clichê de 'Solos'. Imagem: Jason LaVeris/Amazon Studios
Uzo Aduba entrega forte atuação em episódio clichê de ‘Solos’. Imagem: Jason LaVeris/Amazon Studios

Mesmo com poucas falas, Nicole Beharie (‘A Lenda de Sleepy Hollow’) mostra presença na narrativa com mais clima de suspense/terror da série ao interpretar Nera, uma mulher à espera de seu filho inseminado com alguma tecnologia. No entanto, após o nascimento da criança, alguns problemas surgem durante o episódio mais ousado de ‘Solos’ – muito por abandonar mesclar a ficção científica com elementos de horror. O único defeito da trama (curiosamente a única não escrita por Weil) é, infelizmente, a duração: apenas 20 minutos.

Nicole Beharie (Nera) é mãe que tenta entender situação bizarra com o filho. Imagem: Jason LaVeris/Amazon Studios
Nicole Beharie (Nera) é mãe que tenta entender situação bizarra com o filho. Imagem: Jason LaVeris/Amazon Studios

Por fim, o último episódio conta com Morgan Freeman (‘Seven – Os Sete Crimes Capitais‘) e Dan Stevens (‘A Bela e a Fera’). A boa interação entre a dupla não disfarça um claro problema do season finale (final de temporada) de ‘Solos’: a tentativa de conexão com os episódios anteriores.

O capítulo final tenta aproximar a realidade tecnológica da série e revela uma ligação sem sentido entre todas as histórias. Aqui, a produção do Prime Video se esforça para dizer algo profundo sobre a essência da memória e com a qual cada um de seus personagens lutou para fins melancólicos. Porém, o roteiro não é claro o suficiente para fazer seu ponto, seja lá qual for, apenas tropeçando numa piegas lição que sugere: “a vida provavelmente é melhor quando você não está sozinho” – uma tese que, para uma produção que se chama ‘Solos’, soa como ironia.

‘Solos’ não é ‘Black Mirror’ do Amazon Prime, mas vale a pena

Há uma triste beleza em ‘Solos’ que faz desta série uma das melhores que o Amazon Prime Video já produziu… ou pelo menos, a ideia dela. O conceito em cada episódio é tão inteligente quanto ‘Black Mirror’, mas as performances são tão mais pesadas e tão densas que é como se você estivesse assistindo a uma boa performance teatral. Quem gosta de prestar atenção em uma atuações de ponta irá aproveitar, todavia a produção pode ser monótona para alguns.

‘Solos’ é oportuna? sim. Está compreensível e coesa? Em partes, mas não no todo. Na tentativa de fazer algo “igual, mas diferente”, houve um desnivelamento entre os roteiros de cada episódio, o que talvez tenha sido o maior erro. O grande elenco e as boas atuações não conseguem aplicar o selo de “memorável” à produção e, por consequência, o público irá inevitavelmente comparar com outras antologias – mesmo que, no fundo, não se pareçam tanto assim…

Dan Stevens (Otto) e Morgan Freeman (Stuart) em cena do último episódio de 'Solos'. Imagem: Jason LaVeris/Amazon Studios
Dan Stevens (Otto) e Morgan Freeman (Stuart) em cena do último episódio de ‘Solos’. Imagem: Jason LaVeris/Amazon Studios

De resto, é uma série para ver rostos conhecidos e admiráveis fazendo um trabalho experimental com monólogos. É sempre bom discutir as diferenças entre os tipos de técnicas utilizadas no teatro e no audiovisual. Para uma plateia, é mais fácil recitar um texto e causar comoção, mas numa produção de streaming a tarefa se torna extremamente difícil, ao passo que o artista pode soar dramático demais.

Se interessou por ‘Solos’? Protagonizado por nomes de peso como Morgan Freeman, Anne Hathaway, Helen Mirren, Uzo Aduba, Nicole Beharie, Anthony Mackie, Dan Stevens e Constance Wu, a série é criada por David Weil, que faz a sua estreia na direção ao lado de Sam Taylor-Johnson, Tiffany Johnson e Zach Braff. Os sete episódios já estão disponíveis no Amazon Prime Video. Confira abaixo a sinopse oficial e trailer:

“Solos é uma série de antologia de sete partes que explora as verdades estranhas, hilárias, maravilhosas e dolorosas do que significa ser humano. A série abrange nosso presente e futuro e mostra que mesmo nos momentos mais isolados, todos estamos conectados através da experiência humana”.

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