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Crítica | Shaun o Carneiro: A Fazenda Contra-Ataca mescla stop motion com sci-fi

Beatriz Vaccari
·6 minuto de leitura

A animação em stop-motion pode ser uma joia rara no cinema quando trabalhada nas mãos certas. Famosa pela trabalhosa produção (e que também requer muita paciência), esse formato de filme é a linha tênue entre o real e o imaginário, uma vez que é capaz de transmitir histórias fictícias que viajam pela fantasia e a aventura ao mesmo tempo em que utiliza de elementos reais para sua realização, como massa de modelar, madeira ou papel.

Essa técnica já foi utilizada em diversos projetos como uma forma de retratar o que câmeras e lentes físicas não conseguem alcançar, como no curta documental Carne, de Camila Kater, em que a cineasta utilizou stop-motion para retratar o interior feminino em duas diferentes fases da vida de uma mulher. Na ficção, os estúdios mais famosos que utilizam o método são Laika (de Coraline, Os Boxtrolls e Paranorman) e Aardman Animation, este último que consolidou seu nome no meio com Wallace e Gromit e A Fuga das Galinhas; e desde 2007 investe no que se tornou o carro-chefe de seu portfólio: Shaun o Carneiro.

Shaun o Carneiro: A Fazenda Contra-Ataca é um dos indicados ao Oscar de 2021 (Imagem: Divulgação / Netflix)
Shaun o Carneiro: A Fazenda Contra-Ataca é um dos indicados ao Oscar de 2021 (Imagem: Divulgação / Netflix)

Outros indicados ao Oscar de Melhor Animação:

A animação alemã-britânica feita de massinha é, na realidade, um spin-off de Wallace e Gromit que acabou fazendo mais sucesso que a produção original. Iniciada com uma série de curtos episódios, Shaun o Carneiro já foi exibida no Brasil pela TV Cultura e pelo Disney Channel no horário nobre, o que levou o protagonista a ser um dos personagens mais amados dos estúdios pelo público e hoje concorre ao Oscar 2021 de Melhor Filme de Animação.

Atenção! Esse texto pode conter spoilers sobre o filme. Leia por sua conta e risco.

Animação e ficção-científica: o melhor dos dois mundos (Imagem: Divulgação / Netflix)
Animação e ficção-científica: o melhor dos dois mundos (Imagem: Divulgação / Netflix)

Inicialmente, Shaun o Carneiro, o Filme: A Fazenda Contra-Ataca pode dar uma ideia errada sobre a trama pela tradução oficial brasileira que quis fazer uma inocente e engraçadinha referência ao Episódio V da franquia Star Wars, mas que é compreendida uma vez que o único intuito é adiantar que se trata de uma história espacial. Originalmente intitulado Farmageddon, o longa traz uma trama independente da série que introduziu seus personagens ou até mesmo de seus dois filmes antecessores, lançados em 2015 — o que é uma boa notícia para quem está riscando a lista dos indicados ao Oscar deste ano e não conhecia a franquia até agora.

O longa acompanha o protagonista Shaun em sua pacata e rotineira vida na fazenda, até que encontra uma fofa, mas estranha criatura extraterreste: o ETzinho Lu-La. Num primeiro encontro adorável que retrata o choque cultural de duas raças interplanetárias, Shaun o Carneiro, o Filme entrega referências logo em seus primeiros minutos, numa cena que pode aquecer os corações dos fãs de E.T. O Extraterreste.

O primeiro encontro e o embate cutural interplanetário (Imagem: Divulgação / Netflix)
O primeiro encontro e o embate cutural interplanetário (Imagem: Divulgação / Netflix)

A história segue sem muitas novidades, mas que não deixam de entreter o público que acompanha a trama, mostrando Shaun e Lu-La em situações que já beirariam o absurdo mesmo sem a presença de um alienígena na Terra (como um carneiro fazendo compras num mercado local ou pulando numa cama elástica), mas que carregam um humor espontâneo e esperto. A dinâmica entre os dois protagonistas, mesmo que não profiram uma única palavra o filme inteiro, é o grande acerto de toda a história, mesclando a inocência diante do desconhecido do ET Lu-La com a inteligência de Shaun, que embora seja superior a de um animal real, ainda está limitada a sua própria vivência.

Shaun o Carneiro não se estende muito em explorar histórias paralelas, embora abra espaço para seus coadjuvantes brilharem pontualmente até contribuírem em algum momento na narrativa principal. Bitzer, o cão pastor da fazenda, se mantém como um personagem responsável, sempre cortando a diversão de Shaun enquanto o Fazendeiro segue totalmente alienado da inteligência de seu rebanho. No entanto, a história ainda introduz novos rostos à trama além de Lu-La para ocupar o papel de antagonistas: a Agente Red, líder do Ministério de Detecção de Alienígenas (M.D.A), e seu assistente robô estão determinados a perseguir o pequeno ET e provar para a humanidade a existência de vida fora da Terra.

A fofura e inocência de Lu-La, o extraterrestre (Imagem: Divulgação / Netflix)
A fofura e inocência de Lu-La, o extraterrestre (Imagem: Divulgação / Netflix)

O filme se mantém um prato cheio de referências para clássicos do cinema de ficção científica, mas ainda abordando uma narrativa democrática capaz de atingir não somente o público infantil, mas também a família inteira, independente das faixas etárias. Em cenas que acenam para MIB - Homens de Preto, 2001 - Uma Odisseia no Espaço e até as séries Stranger Things e The X-Files, o longa se molda numa história divertida que pode não inventar a roda, mas que tira total proveito de cada uma de suas características, cenas e personagens, capaz de fazer o público esquecer da ausência de diálogos.

Quanto ao stop-motion, Shaun o Carneiro é capaz de manter o espectador entretido com a história contada na tela, mas dando um respiro para que todo o trabalho manual que o envolve seja percebido e apreciado. A caracterização dos personagens, bem como dos cenários e demais elementos em cena, como uma enorme nave espacial com todo o seu jogo de luzes e os momentos em que objetos são levantados com os poderes espaciais de Lu-La fazem o cuidado e a dedicação na produção do longa nítida para o público, embora ainda beba da água da estética cartunista e fantasiosa.

A beleza do stop-motion da Aardman Animations (Imagem: Divulgação / Netflix)
A beleza do stop-motion da Aardman Animations (Imagem: Divulgação / Netflix)

O cuidado técnico mesclado ao astuto roteiro torna Shaun o Carneiro merecedor de sua indicação à 93ª edição do Oscar, além de chamar a atenção do quão bem-desenvolvido ficou um longa-metragem de uma franquia cujo estúdio estava acostumado em limitar suas histórias a episódios de apenas sete minutos de duração. O longa não se envergonha de suas referências, e sim as celebra, transcendendo os elementos de ficção científica ao humor, que é respingado na história por meio de expressões faciais, exclamações, cortes de câmera ou pela mais simples pureza dos personagens em tela.

Talvez não seja o suficiente para levar a estatueta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas para casa (justamente por competir com filmes tão bons quanto, como Soul e Wolfwalkers). Porém, Shaun o Carneiro, o Filme: A Fazenda Contra-Ataca possui, confia e sabe utilizar de próprio seu charme, e isso basta.

Shaun o Carneiro, o Filme: A Fazenda Contra-Ataca pode ser assistido no catálogo da Netflix.

Fonte: Canaltech

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