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Crítica Rua do Medo: 1994 - Parte 1 | Novos tempos, novos antigos conhecimentos

·5 minuto de leitura

Quando a divulgação da Netflix disse que teríamos a sensação de já termos assistido Rua do Medo antes, ela não estava se referindo apenas à nostalgia da adaptação dos livros de R.L. Stine. Conforme previmos, o primeiro filme da trilogia chegou repleto de referências aos slashers e a obra é tão incrível que dispensa a leitura prévia dos livros, embora deixe claro que conhecimento possa tornar tudo mais assustador (e deliciosamente imprevisível).

É bastante claro, inclusive, que a classificação indicativa de Rua do Medo é um paliativo: é óbvio que muitas pessoas com menos de 18 anos irão ver este filme. E está tudo bem, se tiverem estômago para isso. Apesar do gore pontual, o filme é bastante seguro e transpõe para o terror teen a pedagogia involuntária do terror infanto-juvenil literário de R.L. Stine. Rua do Medo tem tudo para ser a “franquia proibida” do momento, como foi Pânico nos anos 1990.

Atenção! A partir daqui, a crítica pode conter spoilers.

Imagem: Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

Chegou chegando

Leigh Janiak chegou para colocar seu nome no panteão dos grandes diretores do slasher, mas não sem prestar uma tremenda homenagem aos clássicos. Confirmando as previsões, Rua do Medo: 1994 - Parte 1 é o tipo de terror que já estava na hora de ganhar um novo capítulo: a releitura antológica dos códigos clássicos. Assim, a primeira parte é uma enciclopédia para os novos fãs do terror e, ao mesmo tempo, uma profunda análise para quem está familiarizado com as referências.

Em 1996, Pânico reproduziu e quebrou regras do slasher, homenageando, criticando e remodelando o subgênero, embalando tudo para presente para a próxima geração de cineastas. Não deve ser coincidência que 1994 preste uma homenagem a todo legado slasher justo quando seus fãs poderão se preparar com calma para o lançamento de dois filmes que prometem trazer o melhor do gênero de volta ao hype: Pânico 5 e Halloween Kills: O Terror Continua.

Imagem: Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

O terror sempre foi um gênero politizado e, na citada franquia de Wes Craven, aprendemos que o pop é a política do século XXI. Embora o sangue, as tripas e o horror como um todo desviem nosso olhar, é importante notar que o terror está (quase) sempre tentando passar uma mensagem. Ainda que a mensagem seja o questionamento disso e a reivindicação do entretenimento, como faz o último episódio da primeira temporada do Além da Imaginação apresentado por Jordan Peele.

O que a primeira sequência nos mostra, com a personagem da livraria respondendo à altura da arrogância intelectual da cliente, é que este não é um filme para quem pensa que cultura pop é lixo e não vê o valor de obras que tentam a todo custo não serem retrógradas. 1994 conquista ainda mais com a segunda sequência, por mostrar uma tremenda potência de ressignificação, homenagem e pastiche dos clássicos: em poucos minutos somos bombardeados por uma enxurrada de referências e, sem fazermos uma análise “quadro a quadro”, já podemos citar Dario Argento, Pânico, Despertar dos Mortos e Stranger Things.

Imagem: Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

A cultura hippie ganha novas camadas em sua retomada mais urbana e vai muito além da popularização do tie-dye. O psicodelismo neon que vimos em filmes como O Estranho Mundo de Jack e Moana ganha novas significações nos filmes teen e lembra muito mais obras como Enter the Void, de Gaspar Noé. Não nos enganemos sobre a realidade e, para quem quer esse contato de gerações, Rua do Medo deve ser assistido com carinho e muita disposição à empatia.

Ímã cultural

Claro que Rua do Medo é especial para quem leu os livros, mas só o fato de não nos contar o que está acontecendo de fato já é o suficiente para gerar curiosidade. 1994 sozinho já tem esse efeito e ainda consegue gerar curiosidade sobre uma enorme gama de artes, que vão além do terror e até mesmo do próprio cinema. Ambientado nos anos 1990, o filme traz diversos objetos e referências que podem significar muitas coisas e, ao mesmo tempo, nada, porque não interferem diretamente na história e estão ali justamente para estimular a nossa sede de conhecimento.

Imagem: Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

Nada está lá em vão: luzes, roupas, ambientes, música, sexualidade e etnia dos personagens, enfim, tudo tem um significado. E se não tiver, nós podemos preencher as lacunas, o que servirá também como um exercício filosófico divertido e praticamente imperceptível. Eis o que, particularmente, considero ser o ponto mais forte de 1994, característica que o coloca como importante termômetro de uma época.

O retorno ao passado é necessário, para pensarmos o futuro através das nossas ações do presente. A arte está aí como uma das ferramentas mais incríveis já criadas pela humanidade e, por ser um terror teen pop, Rua do Medo não é menor que qualquer grande medalhão do gênero que vier à nossa mente. Janiak trouxe um slasher que entende a fórmula como um método e não como uma cartilha que deve ser seguida a risca. Poucos entenderam isso.

Imagem: Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

Não a toa, a conclusão do filme nos entrega frases como “Não eram drogados, eram meus amigos” e demonstra como o resgate das amizades reais é algo que merece ser reciclado dos antigos filmes em tempos de redes sociais. Inclusive, vemos o terror se dividir (grosso modo) entre uma corrente que abraça as novas tecnologias, com filmes como Amizade Desfeita e Host, e um terror que sempre dá um jeito de tirar o celular e as redes sociais de cena.

Quando Rua do Medo: 1994 - Parte 1 termina e o letreiro “Continua” alerta os desavisados que a história não terminou, uma última informação confirma todas as conexões e confirma que já vimos tudo isso antes (só que não): “Os tempos mudam. O demônio não.”

Rua do Medo: 1994 - Parte 1 está disponível no catálogo da Netflix.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Canaltech.

Fonte: Canaltech

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