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Crítica | Quem Matou María Marta? traz a agonia de morte misteriosa na Argentina

Natalie Rosa
·4 minuto de leitura

A temática true crime, termo em inglês que significa "crime real", parece estar mais em alta do que nunca. Entre podcasts, filmes e séries documentais nas plataformas de streaming, são diversos os casos tristes e bizarros contados para a televisão, estejam eles já solucionados ou não. Costumamos ver esses títulos com histórias da América do Norte ou na Europa, mas na mais recente estreia da Netflix, o caso aconteceu aqui no país vizinho: Argentina.

Na série documental Quem Matou María Marta?, acompanhamos a história de uma morte envolvendo pessoas com bastante dinheiro da Argentina, que costumam sair impunes quando o assunto é um crime. Nesse caso, vemos que a justiça fez de tudo para tentar descobrir o que aconteceu, mostrando ao povo que não são somente os pobres que pagam pelos seus delitos. Porém, o objetivo não deu tão certo assim.

Atenção: esta crítica contém spoilers de Quem Matou María Marta?

<em>Imagem: Divulgação/Netflix</em>
Imagem: Divulgação/Netflix

Depois de duas temporadas de Mistérios sem Solução, os fãs do gênero true crime agora se deparam com mais uma história misteriosa. A série começa com depoimentos recentes da família de María Marta García Belsunce, uma socióloga da burguesia argentina, que vivia ao lado do marido, Carlos Carrascosa, em um clube de campo de elite. Foi lá, dentro do seu banheiro, onde ela foi encontrada morta pelo companheiro.

A princípio, sem ler sobre o assunto, você acredita que está assistindo a uma série documental que vai te mostrar todos os desdobramentos que levam ao que aconteceu com María Marta, mas as coisas não foram tão simples assim. O caso aconteceu em 2002 e, no primeiro dia, parecia que tudo foi resultado de um acidente doméstico. Porém, a reviravolta acontece quando, ao longo dos quatro episódios, descobrimos que se tratou de um assassinato com tiros na cabeça à queima-roupa e com o encobrimento de alguém, provavelmente da família.

O documentário consegue instigar o mistério que assombra a Argentina até hoje, levando para o resto do mundo um caso que ainda não foi resolvido e deixando todos intrigados como se estivessem acompanhando tudo desde o começo, há 18 anos. A produção mostra também o desespero do promotor do caso, junto ao desejo da população, de desmascarar os membros da família a todo custo, com a famosa sede de justiça mais atiçada do que nunca.

<em>Imagem: Divulgação/Netflix</em>
Imagem: Divulgação/Netflix

Mesmo antes de descobrirmos que o caso não foi resolvido, já é de se suspeitar, uma vez que os principais suspeitos, alguns deles chegando a ser presos, aparecem em suas casas ou escritórios em imagens atuais fornecendo os depoimentos. Todas as declarações são feitas com convicção por todos eles, deixando um pouco mais complicada a tarefa de tirarmos as nossas próprias conclusões, mas mesmo essa facilidade em contar suas versões não os liberam da suspeita.

O principal suspeito sempre foi Carlos Carrascosa, que chegou a ser condenado à prisão perpétua e que também passou uns bons anos na cadeia. No entanto, todas as descobertas feitas ao longo dos anos, sejam relacionados à família em si, amigos e um vizinho problemático, nunca tiveram provas concretas e ele acabou sendo liberado eventualmente. A evidência que mais instiga o envolvimento com a família é o fato de que descobriram que a cena do crime foi alterada antes que a ambulância pudesse chegar ao local. São esses, inclusive, os momentos mais chocantes da produção, que mostram que um pedaço de bala de revólver foi jogado pela descarga e as paredes, repletas de sangue, foram lavadas.

Outra motivação para o seu assassinato foi o fato de a Argentina estar passando por uma grave crise política e econômica na época, quando a população começava a guardar seus dinheiros em casa, uma vez que muitas contas foram congeladas. María Marta, além de ser muito rica, trabalhava como voluntária de uma organização que ajudava a encontrar crianças desaparecidas, armazenando o dinheiro arrecadado em um cofre em sua casa. Com esse fato, as suspeitas voltam-se para o vizinho, além de amigos e a massagista da família, que foi quem ajudou a limpar a cena do crime. Em relação ao envolvimento familiar, as suspeitas não encontram evidências muito concretas para isso, chegando a ser citado como feminicídio, cometido pelo marido, o que na época era conhecido como crime passional.

<em>Carlos Carrascosa (Imagem: Divulgação/Netflix)</em>
Carlos Carrascosa (Imagem: Divulgação/Netflix)

De fato, assistir à Quem Matou Maria Marta? é como assistir a um longo episódio de Mistérios sem Solução. Sabemos que foi um assassinato e que as pessoas estão escondendo isso muito bem, acobertando os envolvidos por algum motivo, provavelmente relacionado às aparências de pessoas importantes da alta sociedade da Argentina. Se apegando a esse fato, é extremamente perturbador que essas aparências sejam mantidas como um fator mais importante do que a justiça por essa mulher que foi violentamente morta.

É agoniante sabermos que algo aconteceu e não ter como provar, sendo esse o mesmo sentimento que passa o promotor do caso que, até nos depoimentos atuais, mostra em suas feições a insatisfação com a não resolução do caso. Em quatro episódios de aproximadamente uma hora cada, a série documental consegue transparecer toda a agonia da falta de soluções e dos envolvidos no crime, que fizeram seus depoimentos certos de que são inocentes, sendo um ótimo quebra-cabeça para quem gosta de tentar solucionar mistérios.

Quem Matou María Marta está disponível na Netflix.

Fonte: Canaltech

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