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Crítica Only Murders in the Building | Uma das séries favoritas do ano

·4 minuto de leitura

"Quem é você, criatura fascinante?", indaga Oliver Putnam logo nos primeiros dez minutos de Only Murders in the Building para Mabel Mora. Uma frase simples, mas perfeitamente capaz de adiantar ao espectador a definição inteira da trama, ou melhor: do quão bem funcionam seus personagens e suas irresistíveis dinâmicas retratadas em tela.

Fica de olho, Emmy: Only Murders in the Building mostra ser uma das melhores séries do ano (Imagem: Divulgação / Star+)
Fica de olho, Emmy: Only Murders in the Building mostra ser uma das melhores séries do ano (Imagem: Divulgação / Star+)

Nem mesmo a mais incomum das combinações resultaria num ritmo e narrativa tão empolgante quanto a de Selena Gomez, Steve Martin e Martin Short em frente às câmeras. A nova série original do Star+, que chegou ao Brasil na última terça-feira (31), possui uma premissa simples, que, se interpretada por qualquer outro conjunto de atores, talvez ressoaria de forma boba em alguns espectadores, mas que consegue ser muito além de uma alternativa de entretenimento.

Os primeiros dois episódios levam o comando de Jamie Babbit (mesma diretora do romance adolescente But I'm a Cheerleader). A cineasta possui um toque singular ao uso das câmeras e introdução dos personagens à trama: com apenas cinco minutos de duração, o público já está não apenas inserido como também 100% ambientado no fervor da cidade de Nova York e como o caos urbano afeta cada uma das figuras de forma particular — e, muitas vezes, não da forma sonhadora e glamurosa como vemos nos filmes.

Um embate geracional necessário e que dá certo: Selena Gomez é a adição jovem ao elenco principal (Imagem: Divulgação / Star+)
Um embate geracional necessário e que dá certo: Selena Gomez é a adição jovem ao elenco principal (Imagem: Divulgação / Star+)

Enquanto algumas séries precisam de uma certa insistência do espectador para de fato terem sua maratona engatada, Only Murders in the Building fisga pela curiosidade. A produção possui um quê vintage, seja pelo figurino ou trilha sonora, e mesmo sendo muito mais moderna do que qualquer história escrita por Agatha Christie, leva a atmosfera nostálgica e intrigante que seus contos icônicos que marcaram gerações de fãs ao longo dos anos.

O segredo aqui, no entanto, é justamente pegar o espectador pela gola e puxá-lo para dentro da história, enxergando-se em cada um dos personagens presentes: para fãs de true crime, um gênero de séries, filmes e documentários que ganhou muito mais popularidade durante a pandemia da COVID-19, Only Murders in the Building une três figuras de personalidades e vivências discrepantes unidas por uma só paixão — a de resolver mistérios, principalmente os que não foram chamados para opinarem.

Divertido, sorridente e alegre: o Oliver Putnam de Martin Short dá doses de leveza à série (Imagem: Divulgação / Star+)
Divertido, sorridente e alegre: o Oliver Putnam de Martin Short dá doses de leveza à série (Imagem: Divulgação / Star+)

O interessante nessa mistura, tanto causada pelo embate geracional em frente às câmeras quanto pela ordem dos acontecimentos retratados, é o tom adotado para trazer a história ao público. Talvez nas mãos de outros diretores, o enredo de Only Murders in the Building escorregaria no exagero de imagens gráficas e suspense transbordando os quatro cantos da tela, mas por conta da dinâmica entre o elenco principal e pelo humor fácil e de timing certeiro (sobretudo de Oliver e Charles), a trama da série é contada de forma leve e divertida de se acompanhar.

A palavra é justamente irresistível. Only Murders in the Building flui facilmente graças à soma e encaixe perfeito de tudo o que é produzido ali: trilha, movimentações de câmera, enquadramentos, atuações e sensibilidade da direção em trazer uma nova abordagem para uma trama que agora possivelmente encontrará novos públicos — não é a toa que a original do Star+ é a segunda série mais bem avaliada do ano no Rotten Tomatoes, atrás apenas de Hacks, da HBO Max.

Steve Martin além de co-criar a série também a estrela, vivendo o condômino Charles-Haden Savage (Imagem: Divulgação / Star+)
Steve Martin além de co-criar a série também a estrela, vivendo o condômino Charles-Haden Savage (Imagem: Divulgação / Star+)

O desenrolar é empolgante e talvez por não trazer um detetive especializado para conduzir o caso misterioso de assassinato seja o verdadeiro diferencial aqui. "Bando de idiotas fanáticos por true crime", debocha a série de si mesma, com uma das personagens resmungando logo no primeiro episódio ao encontrar com o trio principal nos corredores da cena do crime.

Adicionando um elenco de peso, e que surpreendentemente dá conta do recado, à leveza em que a própria série oferece em seu desfecho, Only Murders in the Building é um prato cheio para os fãs do gênero ou para os assinantes que rodam o catálogo em busca de algo legal para assistir e que, definitivamente, guarda um dos lugares favoritos para o Emmy. A série é um dos títulos originais do novo streaming da The Walt Disney Company e já está disponível no Star+, com os três primeiros episódios.

Fonte: Canaltech

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