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Crítica Obi-Wan Kenobi | A nostalgia e o truque mental do Jedi

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O truque mental é uma das mais interessantes habilidades de um Jedi. A partir de um simples gesto, eles usam a Força para sugerir pensamentos e controlar um indivíduo, fazendo com que ele aja de acordo com o que eles querem. E é justamente isso o que Obi-Wan Kenobi faz com os fãs.

Não é de hoje que a Lucasfilm vem usando a nostalgia como seu principal motor em Star Wars. Toda a trilogia mais recente é fundamentada nesse sentimento, nesse eterno retorno às primeiras histórias e a constante promessa de nos fazer sentir de volta aquela empolgação de quando embarcamos nesse mundo pela primeira vez. E, com a nova série do Disney+, não é diferente.

Na verdade, a proposta do seriado é inteiramente baseada nesse saudosismo. Ao ser a ponte que conecta a trilogia prequel com os originais, a série abarca tanto os fãs que conheceram Star Wars nos anos 2000 com a saga de Obi-Wan e Anakin quanto o pessoal das antigas, que cresceu com Luke Skywalker. E toda essa nostalgia nada mais é do que o truque mental do Jedi sendo aplicado ao fã.

É ao fazer esses acenos e brincadeiras aos pilares de Star Wars que Obi-Wan Kenobi tenta disfarçar suas próprias falhas. Para cada forçada de roteiro ou solução estapafúrdia, há um Darth Vader surgindo em tela, uma frase icônica sendo repetido ou trilha sonora de John Williams para mexer com nossos sentimentos. A todo momento, o truque dos Jedi é usado para fazer parecer que a série é muito melhor do que ela realmente é.

Apelo à Força

E, em certa medida, Obi-Wan consegue nos enganar e entregar uma história interessante que não só dialoga com os filmes como ainda enriquece alguns pontos da mitologia de Star Wars. Embora a gente saiba exatamente como as coisas começam e como elas vão terminar, há um cuidado para fazer com que a história acrescente algo nesse meio.

Isso é representado na figura do próprio Obi-Wan (Ewan McGregor), que é apresentado logo de início como esse velho amargurado que tenta esquecer a vida como Jedi após ser consumido pela culpa pelo que aconteceu com Anakin (Hayden Christensen). E toda a sua jornada serve tanto para que ele possa se perdoar pelo que aconteceu com o amigo como para despertar para essa nova esperança da galáxia.

Série faz acenos aos filmes que enriquecem mitologia da saga (Imagem: Divulgação/Lucasfilm)
Série faz acenos aos filmes que enriquecem mitologia da saga (Imagem: Divulgação/Lucasfilm)

E Obi-Wan Kenobi acerta muito bem ao contrastar essa culpa com o rancor que Darth Vader carrega de seu velho mestre durante todo esse tempo. O roteiro trabalha muito bem o quanto, apesar de toda a aura que a figura do vilão carrega, ele ainda é o velho Anakin impulsivo de sempre e vê-lo tomar medidas impensadas por estar cego pelo ódio e pelo desejo de vingança ajudam a enriquecer um dos personagens mais icônicos de toda a cultura pop.

Ao mesmo tempo, a pequena Leia (Vivien Lyra Blair) é uma grande surpresa por vários motivos. Primeiro porque a menina é a melhor coisa do seriado, com um carisma digno de Baby Yoda, mas com seu charme próprio. Ela consegue ser perspicaz e até mesmo ácida do jeito que sempre vimos a Leia de Carrie Fisher ser por tanto tempo. Assim, todas as vezes em que ela entra em cena, se destaca sem muito esforço.

Mais do que isso, é exatamente esse jeitinho que ajuda a pavimentar a ponte que conecta Obi-Wan Kenobi a Uma Nova Esperança. É a partir dessa odisseia que o herói e a menina encaram para voltar para casa é que o vínculo apresentado no primeiro filme da franquia se estabelece e, para o fã, é impossível ficar indiferente a isso. Mais uma vez, o truque do Jedi em ação.

A pequena Leia é um dos grandes acertos da série (Imagem: Divulgação/Lucasfilm)
A pequena Leia é um dos grandes acertos da série (Imagem: Divulgação/Lucasfilm)

Só que, mais do que ser apenas uma artimanha safada para nos pegar no saudosismo, a relação entre esses personagens serve para reforçar a mensagem que sempre foi base de Star Wars: a esperança sempre há de surgir. É essa luz que Obi-Wan vê em Leia em seu momento mais sombrio e que não só dialoga, mas ressignifica boa parte daquilo que a franquia original sempre nos apresentou e que dá muita força à série.

É por isso que, mesmo todas as demais tramas paralelas sendo muito fracas, o resultado ainda soa bastante positivo. Com exceção desse núcleo central, todos os demais personagens são esquecíveis — há até uma tentativa de criar um peso dramático para a morte de um piloto, mas é impossível se importar com quem você nunca deu a mínima —, mas você ainda termina a história empolgado por ter visto um Jedi em ação e envolto em toda a sua mítica de esperança e até um embrião da Aliança Rebelde surgindo.

São caminhos óbvios, mas que funcionam muito bem por apelarem à nostalgia. A Lucasfilm nunca escondeu como funciona seu truque mental e Obi-Wan Kenobi mostra que, apesar de tudo, ela continua funcionando muito bem. O problema é que, quando você consegue quebrar esse controle que o saudosismo impõe, passa a enxergar a fragilidade dessa ponte entre os clássicos.

Um roteiro infantil

Tenho para mim que Star Wars sempre foi uma série infantil. Um conto de capa e espada do herói que salva a princesa do cavaleiro negro com sua espada mágica, uma aventura ao lado de ursinhos fofinhos na cidade da floresta. Toda a camada mais séria e cheia de significados foi colocada depois como uma forma de tentar validar e ressignificar algo que é, em sua essência, para crianças.

Como alguém pensou e aceitou esse tipo de coisa? (Imagem: Divulgação/Lucasfilm)
Como alguém pensou e aceitou esse tipo de coisa? (Imagem: Divulgação/Lucasfilm)

E isso não é demérito algum para a franquia e até faz muito sentido com toda a carga nostálgica que ela carrega com diferentes gerações — mais uma vez, é esse eterno retorno à segurança da infância que nos mantém aqui. O ponto é que, às vezes, a Lucasfilm perde um pouco a mão e torna o infantil em infantilóide.

Só isso explica o quanto o roteiro de Obi-Wan Kenobi é problemático em questões simples. Ao longo de toda a temporada, há momentos bobos que parecem ter sido escritos por uma criança e que só te fazem se perguntar como alguém aprovou aquilo.

Seja do drama para destruir uma cerca que é facilmente contornável, da tensão para derrubar uma porta que um sabre de luz destrói em segundos à infame fuga com uma criança embaixo de um sobretudo, a sensação que fica é que os próprios roteiristas quiseram deixar bem claro que essa é uma história para crianças — ou, o que é pior, que poderia ser feito de qualquer forma por ser algo infantil.

Independente da razão, o fato que tudo isso é muito ruim e trazem uma fragilidade impressionante para a série. A gente aceita ser manipulado pela nostalgia e pelo fanservice, mas não há truque que um Jedi possa fazer para justificar uma história mal escrita. Emburrecer os vilões é a pior forma de engrandecer seus heróis e isso é o que mais há por aqui.

Reva é uma boa personagem que tropeça no roteiro fraco (Imagem: Divulgação/Lucasfilm)
Reva é uma boa personagem que tropeça no roteiro fraco (Imagem: Divulgação/Lucasfilm)

Isso é muito bem representado na figura dos Inquisidores, que foram vendidos como as grandes ameaças da série, mas se limitam a ficar rosnando de um lado para o outro e sem trazer qualquer sensação de perigo. Do Grande Inquisidor aos coadjuvantes que mal são desenvolvidos, todos estão ali sem uma razão e até a tentativa de criar uma virada na trama soa vazia e sem propósito.

A única personagem desse núcleo a ser desenvolvida é Reva (Moses Ingram), a Terceira Irmã. Contudo, apesar de toda a banca que ela apresenta e ter uma reviravolta interessante (embora muito clichê dentro do universo de Star Wars), ela é quem mais sofre com o roteiro fraco.

Ainda que isso não justifique os ataques que ela sofreu por parte dos fãs, é inegável o quanto a sua personagem está perdida dentro da história. Há uma tentativa de emular a jornada de Anakin em seu arco, mas isso se perde em meio às decisões ruins e ao próprio desenvolvimento raso que é dado a ela. Tanto que, mesmo tudo parece resolvido, ela se ergue novamente como uma ameaça em uma sequência que você sabe que não vai dar em nada e que, por isso, se torna enfadonha e desnecessária.

Calcanhar de Aquiles

E talvez esse seja o grande problema de Obi-Wan Kenobi: a falta de uma sensação de urgência. Mais uma vez, a gente sabe como a história começa e termina e, com exceção desses momentos que enriquecem pontos específicos da mitologia geral, todo o restante é vazio. A gente sabe que nada vai acontecer com Luke e Leia, da mesma forma que o confronto final de Obi-Wan e Darth Vader não vai ser tão definitivo assim.

Apesar de tudo, basta um Darth Vader para a gente se entregar a Star Wars (Imagem: Divulgação/Lucasfilm)
Apesar de tudo, basta um Darth Vader para a gente se entregar a Star Wars (Imagem: Divulgação/Lucasfilm)

É a sina de todo prequel, mas que se torna mais evidente aqui pelo fato de todas as tentativas de inserir algo novo não funcionarem tão bem. Os Inquisidores deixaram a desejar, esse projeto de Aliança Rebelde é explorado de forma muito superficial e a própria transformação de Obi-Wan soa forçado quando lembramos que, em Uma Nova Esperança, ele segue sendo o velho ranzinza que foi mostrado no início da série.

Ao mesmo tempo, não há como não se empolgar com todo o fanservice apresentado. O truque dos Jedi segue funcionando sempre que vemos uma batalha de sabre de luz ou quando ouvimos um acorde específico e, nesse sentido, ele entrega tudo o que a gente esperava.

Obi-Wan Kenobi está longe de ser uma tragédia como O Livro de Boba Fett, mas também deixa uma sensação de que, apesar de acertar em cheio o coração do fã, ele tem pouco a oferecer — e a gente sabe que Star Wars é muito mais que isso.

Obi-Wan Kenobi está no catálogo do Disney+.

Fonte: Canaltech

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