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Crítica | Nova Ordem Espacial é sci-fi indie com potencial de blockbuster

Laísa Trojaike
·6 minuto de leitura

É difícil vermos bons filmes de ficção científica espacial e ação fora dos limites das grandes produções estadunidenses. Geralmente ficamos reféns do lançamento de grandes blockbusters que possam entreter e nos fazer refletir, como tem sido os filmes da Marvel, por exemplo. Ainda que não seja perfeito, Nova Ordem Espacial é um ótimo entretenimento, com personagens cativantes, ação bem dirigida e um roteiro com muitos acontecimentos, para ninguém ficar com sono (embora isso possa ser inevitável às vezes).

No elenco, uma diversidade étnica incrível, que transborda também para a direção de arte, Nova Ordem Espacial é um futuro mais crível: no espaço não há países e, lá, pessoas de diferentes culturas acabam sendo obrigadas a conviver como parte da natureza do seu trabalho. Em contrapartida, o lado vilanesco oferece reflexões ainda mais profundas. O filme ainda toca em questões de gênero a partir de um universo que, pelo menos eu, não havia visto até hoje: a natureza trans no corpo de um robô — já parou para pensar que, se não houver algum código muito explícito que indique o contrário, sempre pressupomos que os robôs são do gênero masculino?

Imagem: Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

Atenção! A partir daqui, a crítica pode conter spoilers.

Estética

Assim como aconteceu com #Alive e o gênero de zumbi na Coreia do Sul, acontece com o sci-fi em Nova Ordem Espacial. O k-pop há muito não é mais apenas um gênero musical, tendo se tornado um movimento cultural de exportação, com uma estética própria que tem influenciado o cinema indie-pop coreano. Os tons coloridos e pasteis foram traduzidos pela fotografia, que adora inserir azuis, roxos e rosas em momentos que soam quase que aleatórios para uma leitura ocidental das cores.

Ao contrário do neon que inunda as imagens como na franquia John Wick, o neon pastel do k-indie-pop funciona muito bem no ocidente, porque, com auxílio da direção de arte, o filme ganha um colorido sóbrio que se tornou a marca visual de um dos mais amados grupos de super-heróis do momento, os Guardiões da Galáxia. Não gratuitamente, ambos os filmes mostram um espaço aventuresco, injusto e repleto de pobreza.

O longa da Netflix também não se esforça muito em esconder a influência de Star Wars, não apenas nas batalhas espaciais, mas também na figura de Bubs (cuja sonoridade é a mesma da palavra inglesa “boobs”, literalmente “seios”), que lembra bastante a aparência de K-2SO, quase como se fosse uma versão anime do personagem de Rogue One: Uma História Star Wars.

Imagem: Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

Guardadas as proporções entre a escala sistema solar de um e a escala universal de outro, o satélite da UTS funciona, em Nova Ordem Espacial, como funciona a Estrela da Morte, de Star Wars, no contexto Império-Resistência. Inclusive, é interessante como o Raposas Negras é um grupo de resistência que usa um uniforme laranja… assim como alguns ícones da Resistência de Star Wars. Ainda sobre os raposas negras, não parece acidental que um grupo de resistência seja considerado terrorista pelo poder vigente e, ao final, parece ainda menos acidental a relação com os Panteras Negras quando o líder deles, o único ator negro de destaque no elenco, aparece com um figurino claramente inpirado na Tribo da Fronteira, de Pantera Negra.

Em termos de CGI, o longa-metragem é perfeitamente crível e não economiza nos elementos, sempre com sequências com muita informação, movimentos, texturas, somados a uma câmera igualmente dinâmica. Ainda assim, o filme é de baixíssimo orçamento, tendo sido gravado com apenas US$21,2 milhões, um valor pequeno ao lado dos US$ 200 milhões de Rogue One: Uma História Star Wars e US$ 170 milhões de Guardiões da Galáxia.

Imagem: Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

A qualidade estética do filme se deve em grande parte também à excelente direção de arte que teve a sorte de poder criar um ambiente de pobreza futurista. Ainda que estereotipado, não é incomum o conhecimento de que, em países como Coreia, China e Japão, as pessoas mais pobres vivem em locais pequenos e abarrotados de objetos, o que é bastante mostrado pelos documentários que tendem a mostrar o que há de pior em um lugar como uma espécie de turismo macabro.

Nova Ordem Espacial aprende com essas imagens que influenciaram também outras muitas sci-fis de baixo orçamento. Em vez de criar ambientes super produzidos, enormes e espetaculares, criar uma narrativa que se desenvolva em espaços menores, mais entulhados, com muitos fios, sacolas, bolsas, roupas velhas e outros objetos que isoladamente são bastante simples, mas que sobrepostos de uma certa forma, conseguem ambientar os espectadores em uma pobreza futurista.

Imagem: Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

O contraste entre tecnologia avançada e o humor de meias furadas lembra muito o humor particular dos games, que trazem também essa mesma estética de pobreza futurista, além de desenvolverem uma forma de humor que chega a inspirar também como forma de fazer piadas com peido que não causem vergonha alheia instantânea.

Há uma tonelada de referências, influências e inspirações em Nova Ordem Espacial e seria possível fazer um livro explorando apenas isso. Dentre tantas coisas que não percebi e as poucas que conectei, vale ressaltar ainda como a direção é incrivelmente influenciada pelos animes (que não necessariamente são japoneses). Nesse aspecto, a produção demonstra um caminho muito bom para a adaptação cinematográfica de animes, explorando muito mais a direção do que os diálogos e trejeitos que soam pouco verossímeis em live-action.

Vistas grossas

Claro que Nova Ordem Espacial tem diversos de defeitos, como grotescos erros de continuidade, por exemplo. Amantes da física também devem ter muito a dizer sobre as impossibilidades do filme. Por outro lado, a semelhança com Star Wars gera outra reflexão: por que relevamos os problemas da criação de George Lucas, adorando-a mesmo sabendo das incoerências? E por que não fazemos isso com filmes menores, que provavelmente tiveram um trabalho ainda maior justamente pela falta de uma produção industrial a nível hollywoodiano?

Imagem: Reprodução/Netflix
Imagem: Reprodução/Netflix

Com uma estrutura "diferentes que se entendem", como faz também Guardiões da Galáxia, Nova Ordem Espacial consegue cativar os espectadores com todos da tripulação Victory, com tantas camadas reveladas que se torna quase impossível não desenvolver empatia por eles. O apreço por esses personagens pode ser tão grande que aceitamos com gosto o deus ex machina de Dorothy usando os nano-robôs para salvar a Victory e seus tripulantes da explosão.

Claro que eles não poderiam morrer e o filme é um entretenimento tão bom que aceitamos a ideia de que estamos nos divertindo. E não só isso. Deixamos o filme nos entreter ainda mais não matando nossos queridos personagens e ainda dando uma amostra de como eles são uma equipe incrível para uma franquia.

Esse “final feliz” também é o que precisávamos para ver a correção de gênero de Bubs, que, lá no início, já se instaura como a queridinha do público, mesmo sem que possamos ver esse filme viralizar o suficiente para comprovar se isso aconteceria de fato ou não. Assim, Nova Ordem Espacial finaliza com muito otimismo e gás para uma sequência.

Nova Ordem Espacial está no catálogo da Netflix.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Canaltech.

Fonte: Canaltech

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