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Crítica | Nasce Uma Rainha traz o que há de mais humano em ser uma drag queen

Nathan Vieira
·6 minuto de leitura

Nesta quarta-feira (11), aconteceu a estreia do Nasce Uma Rainha, um reality show original da Netflix apresentado pelas drag queens Gloria Groove e Alexia Twister. Com uma temporada bem curtinha, de seis episódios com cerca de 45 minutos cada, o programa consiste em ajudar pessoas que possuem um sonho em comum: abraçar, de uma vez por todas, a arte drag.

Já não é segredo para ninguém que essa arte vem conquistando cada vez mais espaço na mídia, mérito inevitavelmente atribuído a RuPaul's Drag Race, o primeiro reality show protagonizado unicamente por drag queens, apresentado pela lendária RuPaul. O programa foi responsável por abrir as portas para essa forma de arte, que passou a ser mais conhecida não apenas nos EUA, mas no mundo inteiro. Com o Brasil, não é diferente. O cenário drag já existia muito antes disso, claro, mas ganhou muito mais visibilidade nos últimos anos, principalmente no que diz respeito ao mundo da música. É aí que entra a cantora Gloria Groove, por exemplo, uma das drag queens mais famosas do Brasil.

Atenção: esta crítica contém spoilers de Nasce Uma Rainha

É importante ter em mente esse contexto para entender toda a trajetória que possibilitou as drag queens a aparecerem nos filmes, nas televisões e nas plataformas de serviços streaming. E esse novo reality da Netflix se propõe a mostrar essa manifestação artística de maneira muito mais pessoal, envolvendo questões como laços familiares, autoestima e superação.

Considerando que a cada episódio o programa foca em desconstruir um parente do participante que ainda guarde certo receio e preconceito voltado à arte drag, pode se mostrar como um conteúdo interessante a um público que ainda não está muito familiarizado com essa arte e almeja entender um pouco mais.

Emociona e conscientiza

Roteirista Carla dando vida ao drag king Carlão Sensação no terceiro episódio da primeira temporada de Nasce Uma Rainha (Imagem: Divulgação/Netflix)
Roteirista Carla dando vida ao drag king Carlão Sensação no terceiro episódio da primeira temporada de Nasce Uma Rainha (Imagem: Divulgação/Netflix)

Os pontos principais do reality em questão giram em torno das histórias pessoas apresentadas a cada episódio, todas muito diferentes, mas que partem de um mesmo princípio: aceitação. Mais do que ensinar truques de maquiagem e fornecer belos figurinos (o que, de fato, o programa faz), a atração se dedica a explorar o lado artístico dos participantes e, principalmente, a fazer com que eles manifestem o que há de melhor em sua essência por meio da arte.

Acompanhar as conversas entre a Gloria Groove e os parentes dos participantes também é um ponto positivo para o programa, porque é por meio delas que se desperta aquela pequena semente da conscientização, uma vez que a ideia é deixar um pouco mais claro que a drag é, acima de tudo, uma pessoa como qualquer outra, e que essa arte não deve ser temida ou repudiada. Prova disso, por exemplo, é no episódio protagonizado pela roteirista Carla, que dá vida ao drag king Carlão Sensação.

Acontece que, nesse episódio, Gloria conversa com o irmão de Carla, que é empresário. Na ocasião, a apresentadora leva o rapaz para conhecer a drag queen Mama Darling, que é executiva na filial brasileira da American Airlines, uma das maiores companhias aéreas do mundo. Deparar-se com uma drag que leva "a mesma" vida que ele desperta um olhar muito mais empático, e é algo que se repete ao longo da temporada, levando o público a se colocar no lugar daqueles artistas.

A fórmula

Alexia Twister e Gloria Groove durante cena do primeiro episódio da primeira temporada de Nasce Uma Rainha, intitulado Paola Di Verona (Imagem: Divulgação/Netflix)
Alexia Twister e Gloria Groove durante cena do primeiro episódio da primeira temporada de Nasce Uma Rainha, intitulado Paola Di Verona (Imagem: Divulgação/Netflix)

No entanto, a estrutura dos episódios de Nasce Uma Rainha acaba se mostrando como uma fórmula que é seguida à risca. Logo no segundo episódio, já é possível identificar toda a linha de raciocínio que compõe o desenrolar dos acontecimentos. Chega um momento em que o público já sabe literalmente cada coisa que vai acontecer, então o reality perde todo o efeito surpresa que tentar propor.

É compreensível que todo conteúdo precise de uma estrutura para que consiga partir de um lugar para chegar a outro lugar, é claro. No entanto, a atração segue milimetricamente a cronologia, de maneira que a única coisa que se difere de um episódio para outro seja a história pessoal do participante, mas a forma como essa história é contada não muda. Se a fórmula não fosse tão óbvia e os roteiristas permitissem mais fluidez, seria muito mais interessante de acompanhar.

Outro ponto é que a premissa do reality – drag queens proporcionando uma espécie de makeover em outras pessoas a fim de realçar a autoestima – já não está nem perto do inédito, considerando outros programas que seguem essa mesma proposta, como Drag U, dos EUA, apresentado por ex-participantes de RuPaul's Drag Race, ou Drag me as a Queen, aqui do Brasil mesmo, que é transmitido no canal de TV por assinatura E! e é apresentado pelas queens Ikaro Kadoshi, Penelopy Jean e Rita Von Hunty. Isso acaba deixando no ar uma sensação de "eu já vi isso antes" que sequer é sutil.

Carisma

As drag queens Alexia Twister (à esquerda) e Gloria Groove (à direita), as apresentadoras do reality show Nasce Uma Rainha (Imagem: Divulgação/Netflix)
As drag queens Alexia Twister (à esquerda) e Gloria Groove (à direita), as apresentadoras do reality show Nasce Uma Rainha (Imagem: Divulgação/Netflix)

Mas esses pontos negativos são superados pelo inegável carisma das apresentadoras. Alexia Twister e Gloria Groove entregam o máximo de espontaneidade que o roteiro permite, e possuem entre si uma química que só poderia existir se elas já tivessem uma amizade anterior ao projeto – algo que, na verdade, é muito provável, uma vez que as duas já têm seu espaço no cenário drag brasileiro e já se apresentaram no mesmo evento, por exemplo.

Como madrinhas, as duas também não deixam a desejar. Fica muito clara a conexão que as duas buscam estabelecer com o participante, algo que em determinados momentos inclusive resulta em olhos marejados ou, por que não, até mesmo lágrimas. Menção honrosa para os momentos em que elas trazem à tona pontos da própria história de vida para gerar identificação com o participante, como no primeiro episódio, protagonizado por Paolo. Na ocasião, o participante revela problemas de autoestima por causa da gordofobia enfrentada ao longo de sua vida, e Gloria Groove conta sobre a sua infância, em que passou pela mesma coisa.

Em suma, Nasce Uma Rainha carece de fluidez em sua construção, mas tudo é compensado pelas histórias pessoais e principalmente pelo desempenho das apresentadoras. Cada episódio também é encerrado com uma apresentação que coloca à tona o que há de mais especial naquele participante; e o fato de ter acompanhado toda a jornada até chegar naquela apresentação levanta ainda mais a expectativa. O programa tem potencial para uma segunda temporada, e que nasçam mais rainhas com a espontaneidade de Paola, a sensualidade de Juju, o carisma de Carlão, a elegância de Ramona, a originalidade de Indra e a força de Adla.

Os seis episódios que constituem a primeira temporada de Nasce Uma Rainha estão disponíveis no catálogo da Netflix.

Nasce Uma Rainha estreou em 11 de novembro na Netflix, e consiste em um reality show apresentado pelas drag queens Gloria Groove e Alexia Twister. A cada episódio, as duas ajudam um fã da arte drag a encontrar sua drag persona e colocar à tona, numa apresentação

Fonte: Canaltech

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