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Crítica | A Máfia dos Tigres apresenta o bizarro mundo dos amantes de felinos

Natalie Rosa

Uma nova série documental estreou na Netflix no mês de março e não demorou muito para se tornasse um dos assuntos mais comentados nas redes sociais. Em tempos de pandemia, A Máfia dos Tigres chegou para trazer uma distração a mais no isolamento, mas o conteúdo que a trama apresenta em sete episódios é muito mais que isso, é uma experiência imersiva e bizarra no mundo dos amantes de animais exóticos nos Estados Unidos.

Pense no padrão de pessoas norte-americanas conhecidas como "rednecks", ou "caipiras", visto em diversos reality shows, sejam eles de mercado das pulgas, de acumulação, de procurar imóveis, entre outros. Pensou? Assim são esses personagens da vida real em A Máfia dos Tigres, porém muito mais estereotipados.

Imagem: Divulgação/Netflix

O foco da série documental, criada por Eric Goode e Rebecca Chaiklin, é em Joe Exotic, nome de trabalho de um homem gay de seus 50 anos, com dois maridos, vários piercings, brincos, tatuagens, penteado exótico e que, desde quando era muito novo, sustenta um amor por felinos, como tigres e leões. Essa paixão acabou resultando na criação de um zoológico que ficou reconhecido pela interação dos animais com os visitantes.

Joe Exotic queria, a todo custo, ser uma pessoa famosa e isso fez com que a sua paixão pelos animais fosse encoberta pela ganância e riqueza, resultando no cruzamento exagerado de animais para que sempre tivessem filhotes à disposição para os visitantes, além da venda ilegal desses bichos. Logo no início do seriado, os produtores nos mostram que muitas complicações virão pela frente com Joe se perdendo no próprio personagem, mas não há como imaginar o quão bizarro tudo iria se tornar.

A premissa é que Joe Exotic acabou na cadeia por encomendar o assassinato de sua maior rival, Carole Baskin, que tinha um santuário de felinos e o acusava de maus tratos aos animais. Porém, somos apresentados a esta figura tão caricata que, ao contrário do que ele mesmo achava, se tornou um inimigo dos animais que um dia tanto amou. Com o desenvolvimento dos episódios, a tentativa de crime é o que menos chama a atenção em meio a diversos acontecimentos bizarros, que envolvem campanha à presidência e governo, criação de um reality show, irregularidades fiscais, sabotagem, entre várias outras coisas que são difíceis de enumerar.

Imagem: Divulgação/Netflix

A série documental é construída com depoimentos de pessoas que trabalharam ou tiveram convívio com Joe Exotic e muitas vezes é difícil decifrar se elas o apoiam ou o acusam. No decorrer dos episódios, as falas são construídas mostrando que o que era admiração acabou resultando em sentimento de pena ou ódio, sendo um reflexo de como a imagem do personagem saiu de "rei dos tigres" para se tornar apenas mais um cidadão criminoso e abandonado pela sociedade.

É visível que a tentativa dos criadores da série documental A Máfia dos Tigres é apresentar esse submundo a quem está do lado de fora, usando Joe Exotic como um exemplo de toda a organização criminosa que existe por trás dos colecionadores de animais exóticos e de suas disputas. Essa missão foi concluída com sucesso, levando ao espectador uma proximidade com essas pessoas, entendendo seus estilos de vida, passado e propósitos, deixando os animais e tudo o que eles passam um pouco de lado.

Fonte: Canaltech

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