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Crítica Loki │ O propósito glorioso de ser a melhor série da Marvel

·5 minuto de leitura

O que faz de um Loki um Loki? Essa é uma questão que foi levantada diversas vezes na série do Disney+ e norteia toda a jornada de autodescoberta do personagem. E, ao fim de sua temporada, vemos que o Deus da Trapaça é muito mais do que alguém em busca de seu propósito glorioso ou um asgardiano querendo aceitação. Loki é, acima de tudo, um trickster.

O trickster é um arquétipo, uma espécie de imagem primordial que habita nosso imaginário e se manifesta em narrativas e comportamentos como um papel a ser cumprido. E tanto na psicologia quanto nos personagens mitológicos, o trickster é esse elemento contestador que representa a força de transformação. Em suma, é aquele que quebra com o status quo para criar o novo.

Jornada de transformação do Deus da mentira chega ao fim em grande estilo (Imagem: Divulgação/Marvel)
Jornada de transformação do Deus da mentira chega ao fim em grande estilo (Imagem: Divulgação/Marvel)

E em Loki vemos o quanto isso é verdade. Mais do que apresentar um novo vilão e introduzir o multiverso ao Universo Cinematográfico da Marvel (MCU, na sigla em inglês), a série é sobre essa transformação, sobre confrontar as estruturas rígidas que são dadas como absolutas e imutáveis para criar algo novo das ruínas do velho — mesmo que isso signifique contestar o que você acredita de si próprio.

Parece discurso de autoajuda, mas o grande mérito do seriado da Marvel é apresentar toda essa discussão com uma embalagem bastante divertida e aventuresca, repleta de ótimos personagens, e entregar tudo aquilo que promete. Ainda que tropece aqui e ali em alguns episódios, Loki já se revela como a melhor investida do Marvel Studios no mundo das séries não apenas pelos desdobramentos que oferece, mas pelo modo como desenvolve seus temas.

Com Wandavision e Falcão e o Soldado Invernal, vimos que essas produções servem principalmente para aprofundar e explorar melhor personagens que não tinham tanto espaço nos filmes, como é o caso do próprio Loki, que sempre foi relegado a essa figura do Deus da Trapaça, esse alguém em quem não se deve confiar. Contudo, até que ponto isso é realmente a sua essência?

Você votaria neste homem? (imagem: Divulgação/Marvel)
Você votaria neste homem? (imagem: Divulgação/Marvel)

Toda a estrutura burocrática e engessada da Autoridade de Variância Temporal (TVA, na sigla em inglês) que a gente vê e até a ideia de que o tempo é único, inalterável e pré-definido servem como alegorias para esse determinismo a que Loki se opõe. A todo momento, ele é lembrado que tem um papel a cumprir e que não há como fugir desse destino. Caso ouse pisar fora da linha, torna-se uma variante cujo fim é ser apagado.

Só que estamos falando de um trickster, ou seja, daquele cujo papel é confrontar essa ordem, por mais que isso signifique se reinventar e mudar sua própria natureza. Assim, o que temos é uma enorme sessão de terapia feita no melhor jeito Marvel de ser.

E é interessante ver a evolução do personagem de Tom Hiddleston ao longo dos seis episódios sob essa perspectiva. Ainda que a mudança do Loki vilão de Vingadores no deus gente boa aconteça muito rápido a partir de um supletivo dado por Mobius e seu projetor de slides, a série desenvolve muito bem os questionamentos do protagonista diante de sua natureza e o processo de quebrar esse ciclo e se livrar dessas amarras — por mais que isso signifique fazê-lo se apaixonar e querer se sacrificar por ele mesmo.

Novas possibilidades

Toda a temática e o modo como isso tudo foi abordado apenas deixa Loki ainda melhor, mas nada disso seria possível se a sua base não fosse tão sólida. A história foi muito bem construída para trazer todas essas questões sobre liberdade e determinismo, mas sem deixar de ser interessante e divertido.

Em meio a um elenco tão bom, Jonathan Majors se destaca como a melhor coisa da série (Imagem: Reprodução/Disney+)
Em meio a um elenco tão bom, Jonathan Majors se destaca como a melhor coisa da série (Imagem: Reprodução/Disney+)

É claro que há alguns deslizes, seja com episódios que parecem não avançar tanto, com cenas que caem no clichê do super-herói ou pelo simples fato de muitas coisas serem resolvidas de forma apressada. O ataque de Sylvie à Linha Sagrada do Tempo, por exemplo, não trouxe qualquer consequência para a história e foi esquecido de um capítulo para o outro sem qualquer explicação sobre o fato, do mesmo modo que as diferentes variantes do Loki são muito mal aproveitadas e somem sem mostrar para o que vieram.

Ao mesmo tempo, temos a introdução de personagens muito bons, como a própria Sylvie, Mobius e agora o Aquele que Permanece. Todos roubam a cena quando aparecem e se revelaram grandes adições ao MCU, que esperamos ver mais vezes daqui para frente — e não apenas na já confirmada segunda temporada da série. Aliás, Jonathan Majors não só foi uma surpresa na série, como também entregou uma atuação impressionante.

Queremos rever essa dupla na próxima temporada (Imagem: Divulgação/Disney)
Queremos rever essa dupla na próxima temporada (Imagem: Divulgação/Disney)

E além de tudo isso, Loki vai ser lembrada pelo seu impacto no futuro do universo cinematográfico. O mistério que se desenrola ao longo dos episódios funciona para engajar e prender o público, mas são as respostas e as consequências delas que fazem tudo valer a pena. Trata-se de uma história que funciona muito bem isolada e que fica ainda melhor quando olhamos para os impactos que ela vai ter. Para quem ficou teorizando qualquer sombra que aparecia em Wandavision, Loki traz impactos reais para o futuro do MCU e não há como não se empolgar com isso, principalmente com What If…? já batendo à porta.

E depois de tanto tempo ouvindo que as séries não poderiam influenciar os filmes e que suas histórias seriam apenas complementares, Loki vem para confrontar essa realidade e mostrar que a Fase 4 da Marvel começa mesmo é no streaming. No fim, um trickster tão valoroso quanto seu protagonista.

Fonte: Canaltech

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