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Crítica | Liga da Justiça é épico sem surpresas e deixa boas ideias para o DCEU

Claudio Yuge
·9 minuto de leitura

Quando Liga da Justiça originalmente chegou aos cinemas, em novembro de 2017, a DC Films, um estúdio da Warner Bros somente com os heróis e vilões da DC Comics, tinha acabado de ser oficialmente lançado. E a proposta era de construir um universo compartilhado, de maneira semelhante ao que a concorrente Marvel Studios vinha fazendo. Então, o filme do supergrupo, com os maiores ícones da DC, deveria servir como uma direção para o Universo Estendido DC (DCEU, na sigla em inglês).

Quem vinha arquitetando as bases para fundação desse DCEU era Zack Snyder, que já havia aberto as portas para isso em Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016). O longa introduziu a Mulher-Maravilha e deu continuidade aos elementos apresentados em Homem de Aço (2013). Liga da Justiça deveria ser o primeiro filme de uma trilogia, segundo o próprio Snyder, especificamente sobre a tentativa de invasão de Darkseid na Terra.

Com essa trama, Snyder estabeleceria a Mulher-Maravilha na “Trindade”, juntamente com Batman e Superman; e apresentaria o Flash e o Ciborgue, enquanto daria pistas sobre o Lanterna Verde e o Caçador de Marte. Além disso, posicionaria o filme para preparar a chegada do longa do Aquaman (2018), enquanto deixaria pontas soltas com “coadjuvantes de luxo”, a exemplo de Lex Luthor, Coringa e o Exterminador.

Contextualizar isso é importante porque, como sabemos, o Liga da Justiça que chegou aos cinemas em 2017 não conseguiu realizar essas ideias com sucesso. Algo que o Snyder Cut, ou o Zack Snyder’s Justice League, finalmente cumpre em uma longa projeção de quatro horas — sessão que se tornou ainda mais longa para os jornalistas, por conta de problemas de transmissão na própria plataforma da Warner Bros.

Bem, e o que mudou? Tem mesmo tudo o que Snyder prometeu? É o Liga da Justiça que todos esperavam em primeiro lugar? E como fica o DCEU após este lançamento? As respostas estão na crítica do filme, que traz spoilers — esteja avisado, pois o texto abaixo pode estragar surpresas.

Apresentação épica com ação videoclípica

Fica difícil não comparar este lançamento com o de 2017, uma vez que a história é basicamente a mesma. E uma das maiores diferenças perceptíveis, logo de cara, é a apresentação de cada personagem. Snyder é, acima de tudo, um artista gráfico, e o que inicialmente impressionou os executivos desde o início da sua carreira é sua habilidade em usar uma narrativa visual com música — ele fazia videoclipes antes da estreia em Madrugada dos Mortos (2004) e já mostrou esse mesmo talento em Watchmen (2009) e Sucker Punch - Mundo Surreal (2011).

A Mulher-Maravilha exibe seu poderes de uma maneira ligeiramente diferente do que Patty Jenkins apresentou nos dois filmes solo; com resultado igualmente impressionante, especiamente quando ela se movimenta para usar seus braceletes. Dá para destacar aqui a violência com que Diana age: Jenkins disse anteriormente que buscou uma abordagem menos violenta do que Snyder sugeria na época; e dá para notar mesmo essa diferença, pois, aqui, a amazona já mata um bandido em sua primeira cena de ação. E seu lado “guerreiro” fala mais alto até o final, quando ela decapta o vilão Lobo da Estepe.

Imagem: Reprodução/HBO Max
Imagem: Reprodução/HBO Max

Aquaman recebe também seu próprio videoclipe; entretanto, uma das maiores diferenças nas apresentação dos heróis está na introdução do Flash e do Ciborgue, que se tornam o “coração” da narrativa. Logo de princípio, dá para apostar onde houve, aqui e ali, regravações com o elenco e adição de novas cenas — mas está tudo tão “coladinho”, que isso é quase imperceptível, especialmente porque o roteiro parece ter sido aquele mesmo desde o princípio, ainda que o filme de 2017 tenha sido muito diferente.

Coadjuvantes ajudam a humanizar o filme

Um dos deslizes recorrentes nos filmes e séries dos heróis da DC Comics está no fato de, muitas vezes, não vermos humanos nas principais narrativas. Afinal, quem eles estão salvando se a história só tem superseres? Como a audiência vai se conectar com esses deuses na Terra? Eis que os coadjuvantes, que tanto se ausentaram no Liga da Justiça que foi para as telonas, fazem uma grande diferença por aqui.

A começar por Lois Lane e Martha Kent, que tiveram tanta importância em Batman vs Superman: A Origem da Justiça, e, basicamente, sumiram no filme de 2017. Embora elas continuem não tendo tanto protagonismo, suas sequências se conectam com tudo o que Snyder vinha contando sobre o lado sentimental de Superman, desde Homem de Aço.

Alfred finalmente se parece muito mais com a figura que estamos acostumados, constantemente presente em todos os atos. Aliás ele serve como um bem-vindo “respiro” entre os diálogos, fazendo perguntas que “pessoas comuns” fariam e promovendo alguns momentos de alívio cômico. Só ficou estranho o fato de ele ter se tornado também um perito em construção de veículos e engenhocas — mas tudo bem, já que no longa parece que todo mundo é engenheiro graduado com louvor e mestre em Tecnologia da Informação.

Henry Allen, interpretado por Billy Crudup (Imagem: Reprodução/HBO Max)
Henry Allen, interpretado por Billy Crudup (Imagem: Reprodução/HBO Max)

Silas Stone, e sua culpa por ter transformado seu filho em uma máquina; e Henry Allen, injustamente preso por conta da acusação de assassinato da mãe de Barry Allen, aparecem como interessante apoio para Ciborgue e Flash, respectivamente. Tanto Joe Morton, que interpreta Silas, quanto Billy Crudup, na pele de Henry, são ótimos atores; e realmente seria um desperdício não tê-los nessa versão final. O mesmo se pode dizer do Comissário Gordon de J. K. Simmons.

Já as participações do Coringa, Mera, Lex Luthor e o Exterminador comento mais abaixo.

Estrutura semelhante, execução superior

Na verdade, a trama do filme não mudou tanto assim. Aliás, até mesmo sua estrutura narrativa é semelhante. Só que, com seis capítulos e um epílogo, Snyder conseguiu detalhar melhor cada aspecto de sua história, tornando um cenário que seria mais difícil para a grande audiência absorver em uma explicação que oferece melhor base para todo enredo.

A melhor maneira de observar isso está na descrição dos papeis das amazonas e dos atlantes no conflito. Snyder aproveita bem o que ele pôde ver com os lançamentos de Mulher-Maravilha e Aquaman para exibir melhor a força dessas sociedades, suas rivalidades e, claro, o vasto poder de Darkseid, que é capaz de destruir ambas as civilizações guerreiras — mais a “dos homens” — juntas.

Imagem: Reprodução/HBO Max
Imagem: Reprodução/HBO Max

Assim, para quem já assistiu aos outros filmes, o DCEU funciona aqui, pois vemos importantes personagens e subplots envolvendo as amazonas e os atlantes sendo usados em meio aos elementos do Quarto Mundo, como as Caixas Maternas e os vilões DeSaad, Lobo da Estepe e o próprio Darkseid.

As grandes sequências de batalha são as mesmas: uma nos esgotos de Gotham, outra contra o Superman em uma praça pública; e a final diante do Lobo da Estepe, em uma estrutura abandonada. Aliás, essas cenas, embora estejam muito melhor coreografadas e tenham uma produção visual de cair o queixo, podem decepcionar quem esperava que a história por trás delas seriam realmente muito diferente da do filme de 2017 — sem contar que muita coisa foi revelada nas várias prévias distribuídas pelo próprio Snyder.

Easter eggs e ideias que devem morrer por ali mesmo

Nos últimos anos, Snyder tem interagido bastante com os fãs. Além disso, ele é um exímio conhecedor de vários clássicos da DC Comics. Então, o fan service já é algo que ele naturalmente inclui nos filmes da DC, desde Homem de Aço. E aqui ele continua explorando alguns detalhes e personagens para “brincar” com o cânone da editora.

Logo no início a citação a um Lanterna Verde se torna uma cena completa de seu confronto com Darkseid, com direito ao anel se despedindo de seu usuário anterior em busca de um sucessor — possivelmente Abin Sur, que, posteriormente, encontraria Hal Jordan, o Gladiador Esmeralda mais conhecido da Tropa. Mera aparece como a poderosa atlante que é, inclusive em um confronto com o próprio Lobo da Estepe.

Imagem: Reprodução/HBO Max
Imagem: Reprodução/HBO Max

Vemos também a participação do cientista Ryan Choi, especialista em nanotecnologia, que é o alter-ego da versão moderna de Eléktron; o Exterminador aparece tanto em uma conversa com Lex Luthor quanto no “sonho premonitório” de Batman; o Caçador de Marte dá as caras de forma completa, inclusive revelando seu nome a Bruce Wayne; e o Coringa do Jared Leto finalmente se encontra com o Homem-Morcego de Ben Affleck — respondendo de vez a dúvida que os espectadores tinham sobre quem teria assassinado o Robin.

E ainda temos a revelação de que a Equação Anti-Vida, a eterna busca de Darkseid, está na Terra — e isso oferece um amplo “playground” para os roteiristas. Tudo isso soa bastante curioso, o que nos deixa pensando o que aconteceria em seguida. O próprio final de Snyder deixa em aberto várias ideias a serem exploradas no DCEU. Contudo, Walter Hamada, presidente da DC Films, deixou bem claro que o Snyder Cut não passa de um “beco sem saída” — ou seja, o que ficou em aberto por aqui não deve ter continuidade nos próximos filmes.

Vale a pena?

Para quem gosta de Snyder e é fãs de super-heróis, especialmente os da DC Comics, Zack Snyder’s Justice League é obrigatório, pois finalmente conta aquela mesma história, mas “com dignidade”. Toda aquela ação atropelada e falta de química entre os personagens, além do enredo sem muito sentido, aqui se transformam realmente em um filme autossuficiente, que se explica por completo. Fica difícil saber como ele seria caso lançado pelo mesmo Snyder em 2017, mas fato é que se tornou uma jornada épica em sua forma final.

Os heróis e os coadjuvantes têm muito mais tempo de interação, embora as principais sequências de ação não tragam assim tantas surpresas quanto os fãs possam esperar. Snyder é muito prolixo e costuma ter dificuldade de fechar suas histórias. Aqui, ele continua sendo o mesmo Snyder, mas com um certo carinho em deixar redondinho cada um dos 242 minutos do filme.

Imagem: Reprodução/HBO Max
Imagem: Reprodução/HBO Max

Aliás, para quem espera assistir em “doses”, a sugestão de Deborah Snyder realmente pode ser uma boa: ela recomenda os fãs verem por “capítulos”, já que o longa possui seis partes e um epílogo. Zack Snyder’s Justice League chega ao HBO Max nesta quinta-feira (18). Como a plataforma ainda não chegou ao Brasil, o filme estará disponível por aqui como um título sob demanda nos serviços Apple TV, Claro, Google Play, Look, Microsoft, PlayStation, Sky, Vivo, WatchBr e UOL Play — e a atração deve estar liberada para os brasileiros somente entre 18 de março e 7 de abril.

Bem, no final, Snyder entregou o que prometeu e, embora seja um “beco sem saída”, a expectativa é de que a DC Films aproveite essa experiência para construir melhor — e quem sabe usar alguns elementos do Snyder Cut — seu DCEU nos próximos anos.

Fonte: Canaltech

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