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Crítica | Justiça em Julgamento traz história de má conduta policial e racismo

Natalie Rosa
·5 minuto de leitura

Estar no lugar errado, na hora errada. Muitas pessoas justificam acontecimentos da vida com base nessa afirmação. Uma bala perdida, um carro desgovernado, um prédio desmoronado. Porém, nem sempre essa questão se trata de puro azar. Sean Ellis, em 1993, foi até uma famosa farmácia dos Estados Unidos comprar um pacote de fralda, e essa visita fez com que ele passasse quase 22 anos na prisão por um crime que não cometeu.

Somente o fato de ter ido a essa farmácia, na mesma noite do assassinato de um policial no estacionamento do mesmo local, fez com que ele fosse o principal suspeito e, futuramente, o acusado de cometer o crime. Sam Ellis é um homem negro, na época muito jovem, que já carregava nas costas o peso da discriminação racial na cidade norte-americana de Boston, mas ele nunca imaginava que essa grande falha na sociedade se uniria à corrupção policial que mudaria o seu destino por completo.

Atenção: esta crítica contém spoilers da série documental Justiça em Julgamento!

<em>Imagem: Divulgação/Netflix</em>
Imagem: Divulgação/Netflix

Uma das últimas séries documentais da Netflix chegou à plataforma de streaming na metade de novembro, mês que traz o Dia da Consciência Negra, trazendo uma história chocante que mostra não só o descaso com a comunidade negra nos Estados Unidos, como também o quanto a influência corrupta da polícia é capaz de manipular provas, depoimentos e o andamento de toda uma história.

O documentário, que conta com oito episódios de quase uma hora cada, conta com detalhes o que aconteceu com Sean Ellis, na época com apenas 19 anos, após a morte do policial John Mulligan, que foi assassinado com tiros no rosto enquanto fazia o patrulhamento de rotina em frente à farmácia Walgreens, em Boston.

<em>Imagem: Divulgação/Netflix</em>
Imagem: Divulgação/Netflix

A história não é contada, exatamente, de forma linear, e segue intercalando a história dos envolvidos na situação ao longo dos episódios, cada um deles recebendo todo o destaque necessário para que o caso seja explicado de forma minuciosa, e para que cada detalhe não seja deixado de lado. A série documental conta com imagens reais das gravações feitas nos anos 1990, principalmente nos tribunais, seguindo até os dias de hoje, acompanhando Sean já solto e o que foi feito para que ele se livrasse da acusação.

Justiça em Julgamento choca ao trazer uma história que envolve todo um sistema comandado por brancos, não só na polícia, como na legislação, e o sentimento de impotência que o impede de provar a sua inocência. Acompanhamos entrevistas com homens relacionados ao caso que, mesmo nos dias de hoje, ainda não acreditam que ele seja inocente e que o Estado errou em deixá-lo livre. Isso, mesmo sem a existência de provas que sustentem a acusação.

De um lado, um homem que viveu os estereótipos dados a sua comunidade, precisando fazer de tudo para sobreviver, e do outro um homem que tinha o poder em suas mãos e usava do puro mau-caratismo para explorá-lo. John Mulligan, o policial assassinado, não era um homem bem-visto pela cidade, e provas foram apresentadas no documentário que mostravam o seu envolvimento com um esquema de corrupção, principalmente com a chantagem e roubo de drogas e dinheiro de traficantes, que acabavam cedendo para não serem entregues por ele.

Esse homem, com esse histórico, é defendido até hoje, enquanto Sean, que não chegou nem perto disso tudo no passado, sempre foi desacreditado. Esses policiais criminosos usaram uma vida inocente para acobertar possíveis descobertas que poderiam ter acontecido com o assassinato de um de seus integrantes, uma vez que uma investigação decente teria chegado em todas as camadas do problema.

<em>Imagem: Divulgação/Netflix</em>
Imagem: Divulgação/Netflix

No mesmo nível em que traz uma grande revolta, Justiça em Julgamento acaba trazendo também um pouco de esperança nas pessoas, mostrando que Sean, felizmente, teve pessoas decentes ao seu lado e que o ajudaram a se livrar da prisão, mesmo depois de tantos anos e três julgamentos. A trama emociona ao mostrar a forma na qual o caso foi recuperado, mesmo quando a vítima acreditava que já não havia saída e que parecia impossível combater a manipulação dos mais poderosos. Os episódios mostram ainda como a cidade de Boston, mesmo com uma vasta comunidade de pessoas negras, deixou a herança irlandesa dominar todas as hierarquias do local.

No fim, Sean teve a sua liberdade decretada, mas isso não significa que foi uma vitória para ele e o povo no qual representa. As autoridades, de fato, o soltaram pela falta de provas de que o acusado cometeu o crime; mas, ainda assim, eles dizem ter certeza que Sean, negando ainda todas as denúncias de corrupção de quem o colocou na cadeia e as provas que apontaram para o verdadeiro assassino.

<em>Imagem: Divulgação/Netflix</em>
Imagem: Divulgação/Netflix

A série documental Justiça em Julgamento pode, facilmente, ser usada em uma aula de história e deveria ser assistida por todos para conscientizar sobre a importância da representatividade no governo e na polícia. São oito episódios longos e que podem até ser cansativos, mas são necessários e relativamente curtos em comparação com todo o tempo de vida que Sean Ellis passou na prisão injustamente, sendo ele uma pessoa que precisa ser conhecida e ter a sua voz ouvida.

Justiça em Julgamento já está disponível na Netflix.

Justiça em Julgamento é uma série documental que mostra como o racismo e a corrupção policial fez com que um jovem de 19 anos, Sean Ellis, passasse quase 22 anos na cadeira por um assassinato que não cometeu. HOje, Sean está solto, mas nem de longe a justiça foi feita

Fonte: Canaltech

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